FlixBus leva transporte a cidades pequenas, no Brasil e no mundo
Publicado em: 22 de agosto de 2024
Atendimento a municípios menores representa 33% do mercado coberto pela marca alemã no país
ALEXANDRE PELEGI
A FlixBus, empresa alemã com dois anos e meio no Brasil, divulgou ao Diário do Transporte alguns dados que mostram sua estratégia de expansão no país.
Um dos destaques de sua atuação até aqui foi possibilitar conectividade e acessibilidade para localidades menos conectadas por meio de serviços digitais. Um terço das cidades em que seus parceiros atuam em conjunto com a marca tem menos de 100 mil habitantes.
É uma forma de atuar na democratização do acesso ao transporte rodoviário, segundo a empresa de tecnologia, que surgiu há mais de 10 anos na Alemanha, para suprir a carência de oferta de viagens de ônibus com preços acessíveis.
Outro ponto em destaque é a contribuição que essa estratégia traz para fomentar o turismo regional.
As parcerias que usam a tecnologia provida pela atuação da FlixBus têm propiciado transporte para cidades como Alvorada do Norte (GO), Aracati (CE) e Barra Velha (SC), destinos menos populares entre os turistas, mas que ficam acessíveis para quem parte das capitais e quer viajar para cidades diferentes. “Ao vender passagens para esse tipo de destino, buscamos facilitar a mobilidade de moradores, além de atrair novos turistas que podem contribuir para o desenvolvimento econômico local e proporcionar acesso a serviços essenciais”, ressalta o CEO da empresa, Edson Lopes.
Como mostrou o Diário do Transporte em matéria recente, dos 5.568 municípios brasileiros, o transporte interestadual atendeu a 2.065, o que representa 37% e milhares de cidadãos. Ou seja, 63% dos munícipios não têm uma linha de ônibus interestadual direta, podendo depender de serviços em cidades vizinhas ou de transporte privado, o que encarece os custos da viagem e aumenta o tempo de deslocamento, dificultando o trajeto de quem mora nesses locais. Relembre:
Segundo a ANTT, o estado com melhor cobertura de serviço rodoviário regular interestaduais é São Paulo, com cerca de 47%, enquanto Minas Gerais e Goiás o percentual de linhas operando foi de 36% e 24%, respectivamente. Detalhe: além de concentrado em regiões específicas, essa concentração exclui as cidades menores.
Para a FlixBus e seus parceiros, ocupar esses “vazios” é uma forma de promover inclusão social, como afirma Edson Lopes. “A presença crescente da FlixBus no Brasil não só melhora a mobilidade das pessoas, mas também promove a inclusão social e a sustentabilidade, refletindo nossa missão de oferecer um transporte acessível para todos“, ressalta o CEO.
“O transporte rodoviário já é gigante no Brasil, mas a FlixBus acredita que é possível expandir ainda mais o acesso ao serviço e garantir que cada cidadão brasileiro possa se locomover pelo país com preços acessíveis e em segurança”, pontua Lopes.
E a preocupação com o atendimento a cidades pequenas e ocupação de “vazios” de cobertura não é exclusiva do Brasil; a FlixBus leva essa intenção para todos os 43 países atendidos pela empresa. Em 2022, dos 5.500 destinos cobertos, 30% eram de municípios com menos de 20 mil habitantes, em especial em países como a Croácia (78% das cidades atendidas são pequenas), Polônia (41%) e Itália (40%). Com sua consolidação de rotas, a empresa consegue atingir áreas antes não servidas por transporte de longa e média distância, oferecendo mobilidade a baixo custo para várias regiões do globo.
Em plena fase de expansão desde sua entrada no mercado brasileiro, com empresas parceiras que atuam de forma regular, a FlixBus admite que os avanços poderiam ser ainda mais significativos se não houvesse alguns consideráveis percalços no caminho.
Um deles foi o longo processo de elaboração do Marco Regulatório do TRIIP, o que prejudicou, e ainda prejudica, as cidades menores. São populações que não dispõem de atendimento do transporte interestadual atualmente, segundo a FlixBus.
Mas o CEO da empresa vê uma saída para superar esses desafios e mudar essa realidade: a janela extraordinária que está prevista pela ANTT. Inicialmente prevista para agosto, foi adiada pela agência por problemas técnicos, incluindo falhas e atrasos na implementação de funcionalidades essenciais dos sistemas.
A FlixBus tem atuado junto à agência reguladora federal para se adequar às mudanças promovidas pela nova regulação do setor.
“A FlixBus colabora proativamente com a ANTT para garantir não apenas a conformidade legal, mas também a excelência de seus serviços prestados às transportadoras parceiras. Comprometida em ampliar o acesso a um transporte de qualidade, nossa iniciativa é particularmente crucial para cidades menores, muitas vezes negligenciadas. O Plano de Excelência Regulatória que apresentamos à ANTT expressa nossa determinação em manter padrões rígidos enquanto expandimos nosso alcance, principalmente em regiões que historicamente carecem de opções de transporte interestadual”, enfatiza Andrea Mustafa, diretora de Relações Governamentais e Institucionais da FlixBus.
MAPA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS CIDADES COM ATÉ 100 MIL HABITANTE ATENDIDAS PELA FLIXBUS NO BRASIL

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

