Anuário NTU: Ônibus perderam 44,1% de passageiros no Brasil em dez anos e 135 cidades adotam tarifa-zero (19,1 milhões de usuários a menos por dia)
Publicado em: 6 de agosto de 2024
Coletivos estão mais velhos e idade média é de 6,5 anos. Ônibus perderam 37,8% de produtividade em 30 anos. Das 365 cidades que subsidiam os sistemas de ônibus, 75 têm mais de 250 mil habitantes. Nenhuma capital tem tarifa zero todos os dias da semana para todos os passageiros e 64% das cidades com tarifa zero têm até 50 mil habitantes
ADAMO BAZANI
O setor de transportes por ônibus vive um dos piores momentos da história no Brasil: muita gente deixou de andar de ônibus, os coletivos estão mais velhos, os serviços perderam produtividade e os custos de operação aumentaram. Os prefeitos tiveram de tirar dinheiro dos cofres dos municípios para os serviços não pararem e o número de cidades que subsidiam os transportes chega a 365, sendo que em 135 há tarifa zero.
Estes são alguns dos dados do Anuário 2023-2024 da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), revelados nesta terça-feira, 06 de agosto de 2024, na Lat.Bus e no Seminário da NTU, na capital paulista.
No acumulado de dez anos, de acordo com a entidade, o Brasil registrou uma redução de 44,1% nas viagens de ônibus no transporte público urbano. A NTU diz que este resultado significa que, em 2023, os ônibus urbanos transportaram a menos 19,1 milhões de passageiros pagantes por dia, em relação à quantidade transportada em 2014.
A pandemia de covid-19 piorou a situação, que já estava ruim. Em comparação a 2019, o ano de 2023 fechou com uma queda de 25,8%. Isso significa que, nos últimos quatro anos, um em cada quatro passageiros deixou de utilizar o transporte coletivo por ônibus, nas cidades pesquisadas.
O Anuário NTU 2023-2024 levou em conta os sistemas de transportes de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Estas redes de linhas representam 33% da frota nacional, que hoje é de cerca de 107 mil veículos, e 34% da quantidade de passageiros transportados no Brasil.
A NTU, no documento ao qual o Diário do Transporte teve acesso, diz que considerando os meses pesquisados, foram realizadas 204,6 milhões de viagens em abril do ano passado (contra 209,2 milhões em 2022), e 223 milhões em outubro de 2023 (contra 226,7 milhões em 2022), o que representa uma ligeira queda de 1%.
MOMENTO DE TRANSIÇÃO E HORA DE MUDAR AS LEIS:
O diretor executivo da NTU, Francisco Christovam, disse que o momento agora é de transição nas formas de deslocamentos da população é hora de mudar as leis do País para que, de fato, o transporte coletivo se torne atrativo e seja prioridade.
“Estamos num momento de transição. O setor vem se recuperando da dramática crise da covid-19, que intensificou a tendência de queda da demanda registrada nas últimas décadas, mas os dados mostram que a demanda de passageiros dificilmente retornará aos níveis pré-pandemia sem a adoção de novas políticas públicas, como um novo Marco Legal, priorização para o transporte público e incentivos governamentais”, disse.
Tramita há mais de três anos no Congresso Nacional o projeto de lei que cria o chamado marco regulatório ou marco legal do transporte público, que seriam novas regras para bancar os custos das operações, modernizar os contratos (hoje extremamente engessados) e trazer o Governo Federal para de fato atuar junto com prefeitos e governadores, não somente em auxílios emergenciais.
Mas parece que deputados e senadores “sentaram em cima” do assunto e nada avançou.
O chamado Novo Marco Regulatório da Política Nacional de Mobilidade Urbana, previsto no PL (Projeto de Lei) 3.278/2021., não foi votado ainda.
ÔNIBUS MAIS VELHOS:
O anuário mostra um reflexo da pandemia e da perda de passageiros, mesmo antes da crise sanitária: os ônibus estão mais velhos.
Segundo a NTU, desde 2011, não ocorre redução na idade média da frota nacional de ônibus, que atingiu 6 anos e 5 meses em 2023, um recorde histórico. A idade média ideal seria de 5 anos.
“A renovação dessa frota depende de mecanismos de financiamento acessíveis às empresas operadoras e que não onerem excessivamente o custo do serviço”, explicou Christovam.
No caso das frotas, foram analisados os sistemas de linhas de Belo Horizonte (municipal), Curitiba (municipal), Fortaleza (municipal), Goiânia (municipal e intermunicipal metropolitano), Porto Alegre (municipal), Recife (municipal e intermunicipal metropolitano), Rio de Janeiro (municipal), Salvador (municipal) e São Paulo (municipal).
Como mostrou o Diário do Transporte, em 08 de maio de 2024, o Governo Federal anunciou por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a liberação de R$ 10,6 bilhões para a renovação da frota de transporte em sete estados e 61 cidades que tiveram as propostas de financiamento selecionadas após análise das equipes da União que gerenciam a modalidade.
Ao todo, serão financiados 2.549 ônibus elétricos, 2.782 a diesel com categoria Euro 6 e 39 veículos sob trilhos
Deste total, a divisão de recursos será:
Ônibus Elétricos: 2.549 unidades – Financiamentos de R$ 7,1 bilhões;
Ônibus a Diesel Euro 6: 2.782 unidades – Financiamentos de R$ 2,7 bilhões;
Veículos sobre Trilhos: 39 unidades – Financiamentos de R$ 700 milhões
Relembre:
Apesar de ser importante, a ação parece pequena diante do problema.
Afinal, são 107 mil ônibus com idade média 1,5 ano acima do considerado ideal pelos especialistas no setor.
Além disso, verbas federais são sujeitas a instabilidades e cortes.
Como também mostrou o Diário do Transporte, o Ministério das Cidades e PAC estão entre os mais afetados por congelamento de recursos pelo Governo Federal, anunciados em 30 de julho de 2024, e os projetos de mobilidade podem sentir
Estas obras e projetos estão sob a responsabilidade do Ministério das Cidades, que terá de suspender R$ 2,1 bilhões previstos, e estão inseridos também no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que vai ter congelado um total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
Somente dentro PAC, o Ministério das Cidades terá de conter R$ 1,14 bilhão
Relembre:
ÔNIBUS MENOS PRODUTIVOS E CUSTOS MAIORES:
Em seu anuário, a NTU diz que, em três décadas, os sistemas de transporte público por ônibus perderam 37,8% de produtividade.
Em média, nos meses de abril e outubro de 2023, o transporte coletivo por ônibus registrou um índice de 1,54 passageiro transportado por quilômetro, retornando ao mesmo patamar observado entre 2016 e 2019.
O diretor executivo da NTU, Francisco Christovam, diz que essa perda de produtividade tende a comprometer o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, além da modicidade tarifária (passagens mais baratas). Isso tudo, afugenta os passageiros.
Para Christovam, a solução passa pelo maior entendimento entre prefeitos, governadores e o Governo Federal.
“É o município que define a quantidade de viagens, a frota de ônibus e o tipo de veículo, enquanto as operadoras executam o que foi estipulado pelos órgãos públicos. Sem a cooperação entre União, Estados e Municípios para criar melhores condições para os usuários do transporte público, continuaremos enfrentando esses desafios”, disse.
Os ônibus estão menos produtivos e os custos operacionais estão maiores.
O documento produzido pela NTU mostra que os salários dos motoristas aumentaram 11,8% nas capitais brasileiras, comparando 2022 e 2023, com aumentos reais nos rendimentos do período, considerando a inflação de 4,62% pelo IPCA. A mão de obra é o principal item de custo do serviço e representa 42,7% do custo total.
SUBSÍDIOS E TARIFA-ZERO:
O levantamento da NTU mostra que, diante da perda de passageiros e aumento dos custos, fatores que fizeram com que os sistemas de transportes não aguentassem mais se manter apenas com o dinheiro das tarifas, subiu a quantidade de cidades que subsidiam os serviços de ônibus.
Atualmente, são 365 cidades que injetam recursos nos sistemas de ônibus, além do dinheiro das tarifas. Destas, 135 cidades oferecem tarifa zero, além do que determinam as leis federais para idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência.
A gratuidade nestas cidades vai desde a total para todos os passageiros em todos os dias da semana, como São Caetano do Sul, no ABC Paulista; a cidades que concedem gratuidades para algumas classes de passageiros ou somente em alguns dias da semana, como na capital paulista, onde a gratuidade total é só aos domingos, no Natal, no Ano Novo e no Aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro.
Em nenhuma capital, há tarifa-zero para todos os passageiros, em todos os dias da semana.
Das 365 cidades que subsidiam os sistemas de ônibus, 75 têm mais de 250 mil habitantes e 64% das cidades com tarifa zero têm até 50 mil habitantes.
A média de subsídios é de 30% dos custos, ou seja, as tarifas pagam 70% e os subsídios, o restante.
Ainda em relação a subsídios, o anuário traz alguns dados que chamam a atenção:
– 365 CIDADES POSSUEM SUBSÍDIOS PARA O TRANSPORTE PÚBLICO POR ÔNIBUS
18 capitais e 7 regiões metropolitanas possuem iniciativas de subsídios definitivos destinados ao TPO (Transporte Público por Ônibus);
No Brasil, em média, 30% do custo de remuneração do serviço de TPO é coberto por subsídio público;
13% das cidades que possuem sistemas organizados de TPO são subsidiadas;
44% da população é atendida por sistemas de TPO subsidiados
– 237 CIDADES POSSUEM INICIATIVAS DE SUBSÍDIOS DEFINITIVOS PARA O TRANSPORTE PÚBLICO POR ÔNIBUS:
75 cidades subsidiadas possuem mais de 250 mil habitantes;
Os subsídios são destinados para:
- promover a separação das tarifas pública e de remuneração;
- custear os benefícios tarifários (isenções e descontos tarifários);
- custear as integrações;
- reduzir o custo total.
– 135 CIDADES COM TARIFA-ZERO:
Em nenhuma capital os programas de tarifa zero atendem toda a população em todos os dias da semana.
Em 64% dos casos, a tarifa zero é praticada em cidades com a população menor do que 50 mil habitantes.
QUAIS SÃO AS SOLUÇÕES POSSÍVEIS?
O diretor executivo da NTU, Francisco Christovam, disse que além do aumento dos subsídios públicos para cobrir custos da operação, que podem reduzir as tarifas do transporte urbano, outras ações necessárias para a melhoria da mobilidade urbana e a recuperação da demanda de passageiros como a aprovação do novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, atualmente em tramitação no Congresso Nacional
Também são apontadas como alternativas ações como financiamentos para a renovação e ampliação da frota, infraestrutura urbana e adoção de novas tecnologias, entre outros.
RESUMO DOS DADOS:
Indicadores operacionais
Passageiros equivalentes (viagens realizadas)
- A análise da última década demonstra que, nesse período, a diminuição da quantidade de passageiros equivalentes foi de 44,1%.
- É possível confirmar que a demanda do transporte público por ônibus não retornará ao nível alcançado em 2019; a redução, em relação ao ano 2019, é de 25,8%.
Índice de passageiros equivalentes (viagens realizadas) por quilômetro (IPKe)
- Os sistemas de transporte público por ônibus perderam 37,8% de produtividade no período de 1993 até 2023.
Indicadores sobre insumos
Idade média da frota
- A idade média da frota atingiu 6 anos e 5 meses em 2023.
- Desde 2011, não há redução da idade média da frota.
Indicadores de custos
Mão de obra
- Os valores médios de salários de motoristas, praticados em todas as capitais brasileiras, aumentaram 11,8% no comparativo dos meses de dezembro dos anos de 2022 e 2023.
- O custo de mão-de-obra representa 42,7% do custo total.
Custo por quilômetro
- O custo por quilômetro aumentou 3% em 2023.
Subsídios
- Atualmente, 365 cidades adotam subsídios públicos para cobrir parte dos custos de seus sistemas de transporte coletivo por ônibus.
- Desse total, 135 cidades adotam a tarifa zero.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Tem Ônibus das EX COOPERATIVAS NORTEBUSS E SPENCER, AQUI NA AREA 02 – ZONA NORTE DE SP/SP , DE 2.012 RODANDO! MICRÕES DA MASCARELLO … BEM DETONADOS! Fedidos…
Como não perderiam passageiros?! E os BRTs PADRON da SAMBAIBA… DE 2. 013 … !?
Os ÔNIBUS E MICRO – ÔNIBUS Municipais de minha vizinha Guarulhos, SP… IMUNDOS ! SUJOS MESMO! Principalmente os que vem de Bairros na região da Serra da Cantareira guarulhense … Ah pelo Amor de Deus! Kkkkk
É COMPLICADO!
Normal, muitas empresas adotaram o modelo híbrido de trabalho, fora o home office.
Os dados publicados são auditados por fonte internacional confiável? A indústria de ônibus está bombando cada vez mais, renovando a frota nacional. A idade média da frota brasileira, q era de mais do q 10 anos, agora está em 6,5 anos. De quanto aumentaram os subsídios governamentais às empresas de ônibus brasileiras? A tarifa zero não seria um mascaramento do repasse indecoroso de recursos públicos para as empresa privadas? Vejam: são dúvidas, não afirmações …