Incêndios a ônibus em São Paulo por causa de defeitos e panes crescem 212% em um ano e meio

Somente até 23 de julho, foram 25 coletivos que tiveram incêndio por problemas como mecânicos ou elétricos, diz SPTrans. Panes são ligadas à falta de manutenção adequada, em grande parte dos casos

ADAMO BAZANI

O número de ônibus que pegou fogo por algum tipo de pane, como elétrica ou mecânica, praticamente triplicou na cidade de São Paulo em pouco mais de um ano e meio.

Os dados são da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de linhas municipais da capital paulista, em resposta a questionamento do Diário do Transporte nesta quinta-feira, 25 de julho de 2024.

Como mostrou a reportagem, somente na terça-feira (23), foram dois coletivos que pegaram fogo. Um no Itaim Paulista, na zona Leste, e outro na Avenida Interlagos, na zona Sul.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/07/23/video-onibus-municipal-pega-fogo-na-zona-leste-de-sao-paulo-nesta-terca-23/

Segundo os registros da SPTrans, entre 1º de janeiro de 2024 e 23 de julho de 2024, foram 25 ônibus que queimaram. O número é 212% maior que todo o ano de 2022, que registrou oito ônibus, e 127% maior que todo o ano de 2023, quando 11 ônibus municipais de São Paulo pegaram fogo.

O número absoluto é até pequeno se for levar em conta toda a frota de ônibus do sistema SPTrans que é de cerca de 13 mil coletivos. Porém, o crescimento percentual chama a atenção, além do fato de que queima de ônibus por problemas deve ser zero.

O balanço não leva em conta os ônibus atacados, como o destruído em uma manifestação no início da tarde desta quinta-feira, 27 de julho de 2024, na Estrada de Taipas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/07/25/manifestantes-incendeiam-onibus-e-bloqueiam-vias-na-regiao-do-jaragua-em-sao-paulo-nesta-quinta-25/

O quadro de aumento de número de ônibus que pegam fogo por problemas ocorre em meio à permissão da SPTrans (São Paulo Transporte) para que os coletivos rodem dois anos a mais que a idade máxima permitida de dez anos para a transição da frota para modelos elétricos. Desde 17 de outubro de 2022, as empresas não podem comprar mais ônibus a diesel. Durante a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2022, as empresas também puderam postergar a compra de ônibus novos.

Não significa, entretanto, que somente os ônibus mais velhos estão pegando fogo.

EVOLUÇÃO:

De 2022 (8) para 2023 (11) – aumento 37,5%

De 2023 (11) para 2024 (25) – aumento 127%

De 2022 (8) para 2024 (25) – aumento 212%

O QUE DIZ A SPTRANS:

A SPTrans, por meio de nota ao Diário do Transporte, informou que a manutenção preventiva dos veículos é de responsabilidade das empresas de ônibus e que faz auditoria para verificar os processos de manutenção das viações. Em caso de queima por problemas, as viações precisam substituir imediatamente o ônibus.

A SPTrans informa que em 2024, de janeiro a julho (até 23/07), 25 ônibus do sistema municipal de São Paulo apresentaram incêndio por algum tipo de pane. No ano passado, de janeiro a julho foram 11 ônibus, e em 2022 oito veículos.

A manutenção preventiva dos veículos é de responsabilidade das concessionárias. Cabe à SPTrans realizar auditoria técnica nos processos de manutenção em geral e em particular na aplicação de manutenção preventiva na frota e inspeções periódicas amostrais, por meio das quais são verificados os itens de segurança como freios, direção ou suspensão. Quando detectadas irregularidades relacionadas à segurança operacional, os veículos ficam impedidos de circular até que a falha seja corrigida e sejam aprovados em nova inspeção.

Em caso de qualquer defeito em ônibus, seja por motivo de quebra ou de incêndio, a concessionária responsável tem por obrigação substituir o veículo para minimizar eventuais prejuízos aos passageiros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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