VÍDEO: Antes de investir em ônibus elétrico, é necessário definir qual melhor modelo de transportes para cada local, diz diretor do Ministério das Cidades em resposta ao Diário do Transporte
Publicado em: 9 de julho de 2024
Declaração foi no painel que discutiu marco regulatório dos transportes urbanos e metropolitanos em Fórum da CNT nesta terça-feira (09)
ADAMO BAZANI
Colaboraram Guilherme Strabelli e Vinícius de Oliveira
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Ônibus elétricos se tornaram a bola da vez de muitos prefeitos e governadores quando prometem modernizar os sistemas de transportes que gerenciam.
Alguns estipulam até mesmo metas de eletrificação, como na capital paulista, que não está sendo cumprida porque, apesar de haver dinheiro para a compra de veículos, não há infraestrutura nas garagens e nas redes de distribuição para carregar as baterias. Em 2021, a prefeitura de São Paulo colocou como meta, 2,6 mil ônibus elétricos circulando pela capital paulista até o fim de 2024. Mas, no mês de julho de 2024, são apenas 181 ônibus com bateria, além dos 200 trólebus que já rodam há anos.
Mas, antes de se definir qual tipo ônibus uma cidade deve adotar, é necessário fazer a lição de casa e estipular qual modelo de transporte é o mais ideal para cada localidade.
A opinião é do diretor do Departamento de Regulação de Mobilidade e Trânsito Urbano, da Secretaria Nacional de Mobilidade do Ministério das Cidades, Marcos Daniel Souza dos Santos, em resposta ao questionamento do Diário do Transporte nesta terça-feira, 09 de julho de 2024, no 8º Fórum CNT de Debates – Mobilidade Urbana Sustentável, da Confederação Nacional dos Transportes.
Marcos Daniel participou do painel que debateu o novo marco regulatório dos transportes urbanos e metropolitanos.
Há muito tempo se discute no Congresso a criação de uma lei que estabeleça normas de financiamento, modelos de contratos e formas de prestação de serviços de transportes coletivos públicos.
Segundo Marcos Daniel, ao ser questionado pelo Diário do Transporte sobre se o novo conjunto de regras vai prever financiamentos para a eletrificação dos ônibus, o marco regulatório não vai contemplar tecnologia dos veículos, mas apoiar as cidades na definição dos sistemas de transportes mais adequados.
Para o integrante do Ministério das Cidades, antes de eletrificação, é necessário entender qual o tipo de rede de transportes é indicado para cada local.
“O que vem se difundindo muito aí é a eletrificação. A gente tem visto isso nos veículos individuais, nos ônibus, mas é importante entender que precisa de um planejamento local sobre: qual é a rede de transporte que eu preciso para a minha cidade para atender a necessidade da população e quanto isso vai custar para implementar e operar? Isso que o marco traz.”
De acordo com o diretor, a eletrificação é apenas uma das soluções a serem consideradas e o marco regulatório vai auxiliar as cidades nos respectivos planejamentos
“A eletrificação da frota de ônibus é um componente de várias outras soluções que podem ser dadas pros sistemas de transporte público. Lógico, a União vai estar apoiando este como qualquer outra solução bem pensada e planejada. Ainda não estando bem planejada, o Marco traz isso: vamos investir no planejamento.”
Marcos Daniel disse que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) já prevê o financiamento da estrutura de recarga e compra de ônibus.
“O marco legal, na verdade, não foca em uma tecnologia, mas fala na necessidade do poder público em se planejar e se organizar” – disse.
O chamado Novo Marco Regulatório da Política Nacional de Mobilidade Urbana é previsto do PL (Projeto de Lei) 3.278/2021, mas não avança como esperado entre os senadores e deputados federais.
Pelos cronogramas prometidos quando o projeto foi apresentado, o novo marco já deveria ter virado lei.
Em resumo, a proposta visa modernizar os contratos com os operadores de transportes públicos, trazer regras mais modernas que são mais compatíveis com a realidade da prestação de serviços e encontrar formas de custeio da operação de ônibus, metrô e trens urbanos e metropolitanos.
VÍDEO: Eletrificação dos ônibus não é realidade tão próxima em todo o Brasil, admite ministro das Cidades
De acordo com Jader Filho, Euro 6 é opção importante para meio ambiente. Nova fase do PAC Seleções para financiar mais ônibus foi debatida com Casa Civil nesta terça-feira (09)
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
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O Ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, disse nesta terça-feira, 09 de julho de 2024, que apesar de os ônibus elétricos serem importantes para o meio ambiente e para a modernização da indústria nacional, a eletrificação das frotas não é uma realidade tão próxima no Brasil.
A declaração ocorreu durante o 8º Fórum CNT de Debates – Mobilidade Urbana Sustentável, da Confederação Nacional dos Transportes, acompanhado pelo Diário do Transporte.
Jader Filho ainda revelou que discutiu nesta terça-feira, com o Ministério da Casa Civil, os últimos ajustes da segunda fase do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Seleções Mobilidade para anunciar, além de obras relacionadas a transportes, a compra de mais ônibus novos.
Na primeira fase, foram anunciados financiamentos de 5350 ônibus, dos quais, 2,5 mil elétricos.
Segundo o ministro, não existe uma solução única de transportes para o País, que é de tamanho continental e tem realidades regionais diferentes.
Ainda de acordo com Jader Filho, na abertura do evento, para que a frota de ônibus elétrica no Brasil tenha uma expansão de fato, é necessário criar infraestruturas muito potentes e isso leva tempo e custa dinheiro.
“Não existe uma solução única para o Brasil em relação à questão do transporte. Nós somos um país continental, para você criar infraestrutura nos nossos rincões, para você fazer a eletrificação dos ônibus, isso não é uma realidade tão próxima. Você precisa de fato criar infraestruturas muito potentes para poder absorver essa demanda. Às vezes você precisa encontrar soluções que sejam para cada uma das nossas regiões, entendendo a complexidade do nosso país e das diversas soluções que buscaremos para encontrar isso” – disse Jader Filho.
O ministro ainda destacou que a tecnologia padrão Euro 6, obrigatória no Brasil para motores a diesel desde janeiro de 2023, é uma opção importante para o meio ambiente por poluir 18 vezes menos que os modelos de ônibus mais antigos.
Este aspecto foi levado em conta na primeira fase do PAC e vai ser considerado novamente nesta nova edição, segundo o chefe da pasta.
“Naqueles lugares onde não foi possível fazer a contratação por conta que não tem infraestrutura, ou porque propriamente aquele estado, aquele município, não apresentou, toda seleção do Euro 6 que foi nos apresentada, também foi selecionada. Com isso a gente renova a frota, a gente incentiva um processo importante de que nós queremos buscar tecnologias mais limpas. Para vocês terem uma ideia, o Euro 6 é 18 vezes menos poluente do que um ônibus comum.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


