ENTREVISTA: Motorista de ônibus que se envolveu em acidente com moto de aplicativo relata que modalidade de transporte tem sido cada vez mais comum em Santo André
Publicado em: 27 de junho de 2024
Passageira que estava na garupa morreu e motociclista ficou ferido em colisão que ocorreu em corredor exclusivo de transporte coletivo entre a Vila Luzita e o Centro da cidade do ABC Paulista
ADAMO BAZANI
Veja o Vídeo:
Cada vez mais motociclistas estão trabalhando com aplicativos de transportes na cidade de Santo André, no ABC Paulista.
Pelo menos é esta a percepção de profissionais que trabalham no trânsito e veem a situação como preocupante.
Como mostrou o Diário do Transporte, a moto que se envolveu em uma colisão no corredor de ônibus da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, na última segunda-feira, 24 de junho de 2024, fazia corridas nesta modalidade. A passageira da motocicleta, Yaritza Vitória do Nascimento, de 19 anos, que era cliente do aplicativo, morreu na hora e o motociclista foi hospitalizado.
Câmeras de segurança do ônibus registraram o momento do acidente.
Pelas imagens, é possível perceber que o motociclista com a jovem na garupa tenta passar no vão entre o ônibus e o carro, entra em parte do corredor e a moto é prensada entre os dois veículos. O motociclista Felipe Bueno e a passageira Yaritza caem. A jovem é atropelada pelo ônibus articulado.
Relembre:
O Diário do Transporte conversou nesta quarta-feira, 26 de junho de 2024, com o motorista Rogério, da empresa Suzantur, que dirigia o ônibus no momento da colisão.
Ainda muito abalado, o profissional diz que não pode fazer nada para evitar o acidente. Segundo Rogério, tudo foi muito rápido e ele só percebeu a batida após ser avisado pelos passageiros.
O motorista disse que a moto não entrou na frente do ônibus, mas bateu na lateral direita do coletivo já na região da porta do meio.
Rogério contou que é motorista de ônibus há 35 anos, está prestes a se aposentar e que fica profundamente triste em encerrar a carreira desta forma, mesmo sabendo que não teve culpa. Segundo o profissional, em todo este tempo, nunca se envolveu em um acidente grave.
O motorista disse que as invasões ao corredor da Capitão Mário Toledo de Camargo são constantes e que percebeu que aumentou o número de motos fazendo transportes de passageiros por aplicativos. Este fato, segundo Rogério, refletiu em mais veículos não autorizados circulando pelo corredor.
“De uns meses para cá tem aumentado muito [o número de motos por aplicativo]. Antigamente era mais carro” – disse o motorista que ainda acrescentou que o risco maior ocorre porque os motociclistas “não têm treinamento” e que “não há uma fiscalização”.
“Poderia ser minha sobrinha, uma parente minha, que poderia estar sentada à garupa de uma moto dessa, desse mototáxi. É difícil, ela tinha 19 anos, mãe de uma criança de quatro anos. A vida dela foi embora, é complicado, é muito triste” – disse.
Como mostrou o Diário do Transporte, especialistas
apontam para o risco desta modalidade de transporte: mototáxi ou moto por aplicativo.
A ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), entidade sem ligação com empresas e que se dedica aos estudos de mobilidade, com a participação de especialistas de diversas universidades, tem debatido o tema.
A discussão vai além de uma prefeitura permitir ou não este tipo de transporte. Mas como estes serviços são operados pelos aplicativos? Qual critério para deixar que um motociclista seja parceiro? É só ter carta A? Os motociclistas parceiros recebem treinamento? Têm experiência em transporte remunerado e profissional de passageiros? Juridicamente, se fosse o passageiro de um ônibus que morresse numa colisão, por exemplo, a viação teria de responder. Nestes casos de mortes de garupas ou mesmo do motociclista, o aplicativo de intermediação do transporte pela moto responde?
O superintendente da ANTP, Luiz Carlos Néspoli, diz que tanto os passageiros quanto os condutores das motos estão sujeitos a acidentes graves, em especial, se não forem experientes.
“Ser um carona em motocicleta não é uma coisa tão simples como alguém possa imaginar. Ele precisa se comportar como um espelho do piloto, seguindo seus movimentos para manter o equilíbrio do veículo. O risco de acidentes de motos com caronas destreinados aumenta consideravelmente, razão pela qual é desaconselhável usar moto como táxi. O comportamento do motociclista já é por si mesmo uma das maiores causas de acidentes. Com carona, aumenta” – afirmou o especialista.
O Diário do Transporte procurou a empresa de aplicativo 99, que intermediou a corrida que acabou em acidente fatal.
A reportagem ainda questionou a prefeitura de Santo André, onde o serviço não é regulamentado.
Em nota, a 99 diz que vai procurar a família da jovem e que lamenta.
A 99 lamenta profundamente o ocorrido e informa que, assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, disponibilizou uma equipe especializada que busca contato com os familiares da passageira e com o motociclista para acolhimento e a disponibilização de informações sobre o acionamento do seguro e do auxílio psicológico. A empresa está à disposição para colaborar com as autoridades.
Em nota, a prefeitura de Santo André explica que os aplicativos, tanto de carro como de moto, não são regulamentados na cidade.
A Secretaria de Mobilidade da Prefeitura de Santo André informa que atualmente não há regulamentação municipal para qualquer aplicativo de transporte de passageiros, sendo moto ou carro.
VÍDEO DA COLISÃO DE 24 DE JUNHO DE 2024:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Lembramo- nos ! Foi +/- assim que o Escritor e Novelista DIAS GOMES, Autor de Obras como ” ROQUE SANTEIRO” e tantas outras… MORREU na Av. 09 de Julho, no ANTIGO CORREDOR que lá havia ! Anterior a gestão de Marta Suplicy ! La pelo Ano de 1.999, se não me engano… O Dias Gomes estava rm Táxi, com pressa e praticamente obrigou o Taxista a invadir o Corredor EXCLUSIVO mesmo com tachões e gradis e foram atingidos em cheio, por um Ônibus Padron da CAIO/ VOLVO, da 6500/10 da extinta “VSA”… ele morreu com pescoço quebrado, a namorada dele ficou ferida nos lábios e nariz e o Taxista … “PAGOU O PATO”! PROCESSADO E LASCADO!
Muitas IMPRUDÊNCIAS meu Deus!
Cuidado gente!
E ainda tem gente que vai defender esse tipo de transporte nas ruas, sem que haja fiscalização e treinamento dos condutores. O Brasil em termos de educação e mobilidade urbana é uma vergonha mundial.