Era de aplicativo a moto que invadiu corredor de ônibus e matou passageira na garupa em Santo André

Especialista aponta riscos na atividade pelo fato de motociclistas não receberem treinamento adequado e por muitos passageiros também não terem habilidade em ser transportados por motos

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Arthur Ferrari

O motociclista que invadiu um corredor de ônibus em Santo André, no ABC Paulista, e provocou a morte de uma mulher que estava na garupa realizava uma corrida para um aplicativo de transporte.

Como mostrou o Diário do Transporte, a colisão ocorreu no fim da tarde da última segunda-feira, 24 de junho de 2024, no corredor da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, que liga a Vila Luzita ao centro da cidade.

As câmeras de segurança do ônibus da empresa Suzantur registraram o exato momento. A moto tenta passar entre o coletivo e um carro, mas não consegue, e invade uma parte do corredor, sendo prensada entre os dois veículos de maior porte.

Motociclista e a garupa caem e o ônibus passa sobre a mulher. A passageira da moto Yaritza Vitória do Nascimento, de 19 anos, morreu na hora e o motociclista foi hospitalizado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/06/25/video-do-exato-momento-mulher-de-19-anos-morre-e-homem-fica-ferido-em-colisao-envolvendo-moto-carro-e-onibus-no-corredor-exclusivo-da-capitao-mario-toledo-de-camargo-em-santo-andre-sp/

Especialistas apontam para o risco desta modalidade de transporte: mototáxi ou moto por aplicativo.

A ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), entidade sem ligação com empresas e que se dedica aos estudos de mobilidade, com a participação de especialistas de diversas universidades, tem debatido o tema.

A discussão vai além de uma prefeitura permitir ou não este tipo de transporte. Mas como estes serviços são operados pelos aplicativos? Qual critério para deixar que um motociclista seja parceiro? É só ter carta A? Os motociclistas parceiros recebem treinamento? Têm experiência em transporte remunerado e profissional de passageiros? Juridicamente, se fosse o passageiro de um ônibus que morresse numa colisão, por exemplo, a viação teria de responder. Nestes casos de mortes de garupas ou mesmo do motociclista, o aplicativo de intermediação do transporte pela moto responde?

O superintendente da ANTP, Luiz Carlos Néspoli, diz que tanto os passageiros quanto os condutores das motos estão sujeitos a acidentes graves, em especial, se não forem experientes.

“Ser um carona em motocicleta não é uma coisa tão simples como alguém possa imaginar. Ele precisa se comportar como um espelho do piloto, seguindo seus movimentos para manter o equilíbrio do veículo. O risco de acidentes de motos com caronas destreinados aumenta consideravelmente, razão pela qual é desaconselhável usar moto como táxi. O comportamento do motociclista já é por si mesmo uma das maiores causas de acidentes. Com carona, aumenta” – afirmou o especialista.

O Diário do Transporte procurou a empresa de aplicativo 99, que intermediou a corrida que acabou em acidente fatal.

A reportagem ainda questionou a prefeitura de Santo André, onde o serviço não é regulamentado.

Em nota, a 99 diz que vai procurar a família da jovem e que lamenta.

A 99 lamenta profundamente o ocorrido e informa que, assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, disponibilizou uma equipe especializada que busca contato com os familiares da passageira e com o motociclista para acolhimento e a disponibilização de informações sobre o acionamento do seguro e do auxílio psicológico. A empresa está à disposição para colaborar com as autoridades.

VÍDEO DA COLISÃO DE 24 DE JUNHO DE 2024:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Alexandre Pelegi e Arthur Ferrari

REPORTAGEM ANTERIOR:

VÍDEO DO EXATO MOMENTO: Mulher de 19 anos morre e homem fica ferido em colisão envolvendo moto, carro e ônibus no corredor exclusivo da Capitão Mário Toledo de Camargo, em Santo André (SP)

Já é o segundo acidente com morte no corredor em menos de dois meses; Invasões de outros veículos no espaço dos ônibus são comuns e se agravaram depois da retirada de tachões delimitadores da via

ADAMO BAZANI

Colaboraram Arthur Ferrari e Yuri Sena

(VEJA OS VÍDEOS DOS EXATOS MOMENTOS AO FIM DA REPORTAGEM)

Denise Lucas da Silva do Nascimento, de 19 anos, morreu e um homem ficou ferido em uma colisão envolvendo um ônibus municipal da empresa Suzantur, um carro e uma moto no corredor exclusivo de transporte público da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, em Santo André, no ABC Paulista.

Imagens das câmeras de segurança do veículo de transporte coletivo registraram o exato momento da batida, por volta de 17h30 desta segunda-feira, 24 de junho de 2024, perto do Clube Aramaçã.

Pela gravação, é possível perceber que a moto tenta ultrapassar um carro Fiat Palio e para isso, entra na área do corredor, no momento que o ônibus do tipo articulado já estava passando.

A moto é prensada entre o coletivo e o veículo de passeio.

A mulher morreu na hora e o homem foi hospitalizado com diversos ferimentos.

O motorista do Palio relatou que estava parado no semáforo e que chegou a ver a moto se aproximando.

A garupa morreu na hora e o motociclista Felipe Bueno foi hospitalizado.

A Polícia Civil vai investigar a dinâmica da ocorrência.

Já é o segundo acidente com morte em menos de dois meses envolvendo moto prensada entre ônibus e carro no corredor exclusivo da Capitão Mário Toledo de Camargo, que liga a Vila Luzita à região central de Santo André.

Passageiros e funcionários do sistema de transportes da cidade dizem que são comuns invasões de diversos tipos de veículos ao corredor de ônibus, principalmente, por motos.

Na noite de 05 de maio de 2024, um motociclista também ao tentar passar entre o corredor e a via comum foi prensado entre um ônibus e uma caminhonete. O motociclista chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital dias depois.

Pelas imagens do dia 05 de maio de 2024, é possível ver que o ônibus e a caminhonete estavam parados quando a moto tentou passar entre os veículos.

Segundo o Boletim de Ocorrência, os veículos maiores pararam em um semáforo.

Ainda de acordo com os funcionários e passageiros dos ônibus, a situação de invasões e acidentes se agravou depois que foram tirados os tachões da via que separavam o tráfego dos coletivos dos demais veículos das outras faixas de rolamento.

Em nota, ao Diário do Transporte, a prefeitura diz que o local é sinalizado e que estuda implantar uma faixa azul de motociclietas no Capitão Mário Toledo de Camargo.

A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana, informa que a Avenida Capitão Mario Toledo de Camargo possui vibralines por toda a extensão do corredor de ônibus. Este sistema é utilizado para orientar motoristas e motociclistas para alertá-los antes de entrarem na faixa exclusiva de ônibus.

Além disso, a avenida é sinalizada e possui radares por toda a extensão, justamente para prevenção de sinistros de trânsito com o controle de velocidade.

Existem estudos para implementação da faixa azul nesta avenida, a exemplo do que ocorreu na Avenida Prestes Maia, onde houve redução de mais de 60% nas ocorrências com motocicletas naquela via.

VÍDEO DA COLISÃO DE 24 DE JUNHO DE 2024:

VÍDEO DA COLISÃO DE 05 DE MAIO DE 2024:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading