Análise de tempo de travessia acende alerta: 54% dos semáforos dão só 10 segundos para o pedestre
Publicado em: 24 de maio de 2024
Na cidade de São Paulo, 97,8% dos idosos não conseguem caminhar a 4,3 km/h, velocidade padrão adotada pela CET para a regulagem dos tempos semafóricos
FÁTIMA MESQUITA, ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE
A campanha Travessia Cilada é feita de maneira colaborativa, com voluntários nas ruas coletando informações da realidade das suas cidades. Este ano, a iniciativa, organizada pelo Instituto Corrida Amiga e apoiada por diversas organizações, aconteceu em maio e conseguiu recolher dados de 167 travessias em 21 cidades de seis estados do país.
Desse total, 120 travessias contavam com semáforo para pedestres. Outras 26 tinham apenas semáforo para veículos e em 21 delas não havia semáforo ou o equipamento estava quebrado. Mas o que mais chamou a atenção foi o tempo destinado para as pessoas se deslocarem de um lado para o outro das vias públicas. A campanha observou que em 54% dos semáforos de pedestre, o tempo de travessia era de 10 segundos ou menos, com o tempo médio não passando de sete segundos.
Desrespeito, injustiça e risco
Para Silvia Stuchi, fundadora e diretora do Instituto Corrida Amiga, os tempos semafóricos estão não só longe de cumprir a legislação em termos de garantia de segurança das pessoas como também em franco descompasso com a realidade. E Stuchi exemplifica: “Na cidade de São Paulo, 97,8% dos idosos não conseguem caminhar a 4,3 km/h, e que é a velocidade padrão adotada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP) para a regulagem dos tempos semafóricos de SP”. Soma-se aí as crianças, as pessoas com deficiências ou dificuldades de locomoção e a injustiça se multiplica.
Além disso, São Paulo conta com um Estatuto do Pedestre que, no Art. 11, IV, estabelece que o tempo máximo de espera do pedestre para a abertura do semáforo não deve passar dos 90 segundos (1 minuto e 30 segundos). Mas os dados levantados pelos voluntários provaram que a cerca de 50% dos semáforos de pedestres deixam as pessoas no aguardo por mais que esse tempo.
Números estarrecedores
Em 2022, segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 36.609 internações de pedestres atingidos no trânsito – cerca de 100 por dia. Também computou 5.387 mortes, o que significa quase 15 óbitos diários.
Fatima Mesquisa – jornalista e escritora, editora do Podcast do Transporte, do ANTP Café e da Revista dos Transportes Pùblicos


