Vandalismo em trens da SuperVia têm aumento de 650%; prejuízo nos primeiros meses do ano ultrapassa R$ 4 milhões
Publicado em: 22 de maio de 2024
Ramal de Deodoro é o mais afetado por vandalismo, com mais de 30% do total das ocorrências
ALEXANDRE PELEGI
Os atos de vandalismo continuam prejudicando a plena operação dos trens da SuperVia. Não bastasse isso, causam prejuízo milionário.
Dados da concessionária dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro dão conta que nos quatro primeiros meses deste ano foram registrados 1.241 casos de vandalismo nas composições.
Este número representa um aumento de 650%, quando comparado com o mesmo período do ano passado (de janeiro a abril de 2023 foram 187).
As ocorrências envolvem, principalmente, episódios como janela quebrada, pichações, furto de assentos, danos aos difusores do ar-condicionado, entre outros.
A SuperVia ressalta que ações desse tipo podem criar atrasos nas viagens, causar acidentes sérios e chegam a refletir até na manutenção e limpeza.
“Por exemplo, uma composição pode permanecer na oficina por dois dias para a troca de um para-brisa vandalizado, ou até três meses, se o dano envolver cabos de alta tensão”, diz a concessionária.
O Gerente Executivo de Segurança da SuperVia, Marcus Almeida, dá detalhes:
“Somente com a reposição dos assentos furtados, nós já gastamos mais de R$ 300 mil nos quatro primeiros meses do ano. Para evitar novos ataques, os bancos estão sendo substituídos por outros confeccionados em material de menor valor comercial. De uma forma geral, foram gastos mais de R$ 4 milhões para substituir equipamentos roubados e depredação de patrimônio. Não há negócio em nenhum lugar do mundo que se sustente desse jeito. Mesmo assim, mantemos a operação diariamente. Temos um compromisso com o transporte de passageiros”, afirma.
O ramal de Deodoro é o mais afetado por vandalismo, com mais de 30% do total das ocorrências.
As estações que mais registram atos de vandalismo são Maracanã, Madureira, São Cristóvão e Engenho de Dentro, todas com um alto índice de circulação de passageiros. “Ao longo do ramal Japeri também é alto o índice de casos, principalmente nas estações Nova Iguaçu, Ricardo de Albuquerque e Nilópolis”, ressalta a SuperVia.
Já no quesito equipamentos/instalações foram 62 ocorrências em banheiros de estações, 38 em fios de energia e 29 em cadeados. Portas, portões, placas, grades, lixeiras e câmeras também são alvo frequente de depredação.
Nos trens, a SuperVia registrou 1.162 ocorrências de destruição de visores (em janelas e portas), entre outras.
FURTO DE CABOS
Os furtos de cabos continuam atrasando a vida dos 320 mil passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário.
De janeiro a abril deste ano, foram 226 ocorrências do tipo com 12.121 metros de cabos retirados. No mesmo período de 2023, foram 292 ocorrências com 24.275 metros de cabos retirados.
A SuperVia está fazendo uma campanha nas suas redes sociais.
Qualquer passageiro que presenciar qualquer ato criminoso, pode fazer uma denúncia, de forma anônima, acessando o QR Code estampado em cartazes espalhados nos vagões e nas plataformas.
“Em três meses de funcionamento, o QR Code já recebeu quase 300 comunicações”, diz a concessionária.
Entre as questões mais denunciadas pelos passageiros estão casos de desordem urbana, segurança pública ou falta de cidadania, como atos de vandalismo (22), ambulantes (21), roubo ou furto (14), manifestação religiosa (13), evasão de renda (12), consumo ou tráfico de drogas (11), perturbação na viagem (8) e cambistas (6).
OUTRAS INICIATIVAS
Para diminuir os crimes contra o sistema, a SuperVia tomou outras providências:
– Reposição dos cabos furtados por cabos de alumínio, na estação Maracanã;
– Instalação de grades/sistemas de proteção em equipamentos como postes e aparelhos de ar-condicionado;
– Instalação de dispositivos antifurtos para mitigar os furtos de cabos e acesso à cabine dos trens;
– Troca dos ralos de Engenho de Dentro, que eram de ferro, e agora são de concreto;
– Os vidros do elevador de Magalhães Bastos foram substituídos por drywall;
– Substituição de pára-brisas de vidro por policarbonato;
– Substituição do material dos assentos e encostos de alumínio por polímero.
– Diminuição do tempo de resposta das equipes;
– Identificação de pontos com fragilidades estruturais;
– Posicionamento estratégico nos principais Centros de Comando e Controle da Cidade;
– Equipes móveis atuando com base no estudo da mancha criminal;
– Análise de padrão de ocorrências;
– Compartilhamento de dados com GPFer, Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro (SSI); e batalhões de área por meio de workshop.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Supervia já era, o Estado do RJ tem que voltar a tomar de conta, como fez com os BRTs. O salto de qualidade que o BRT teve foi gritante.
Iniciativa privada no Brasil não tem iniciativa de nada.
Somente o estado investe pesado e conserva. Olhemos para o Metrô de São Paulo que era estatal e era um dos melhores do mundo, mas coma privatização que estão fazendo estão destruindo o patrimônio público paulista.
O Metrô de São Paulo definha com a privatização.
Concordo com caio. O serviço da Supervia é horrível, tanto que eu deixei de pegar trem por conta disso e isso não é só por conta de cabos ou coisas do tipo como manutenção ou roubos de cabos. Espero que o Estado faça uma intervenção nos trens também. Por exemplo, para Santa Cruz, nós estamos demorando mais de 2 horas.
Fora o perigo nos trens, já são comuns casos de assalto e arrastão nos trem e isso nas estações principais como Maracanã, São Cristóvão e engenho de dentro. Não há nenhuma segurança.