São Paulo: Maior parte das 63 linhas de ônibus canceladas pelas SPTrans ocorreu em eixos estruturais mesmo sem avanço de estações de metrô e trem

De acordo com relatório da SPTrans, periferias também perderam várias linhas, onde se concentram as piores avaliações do sistema de transportes da capital; Por falta de investimentos em trilhos, que são essenciais em uma metrópole como São Paulo, os ônibus acabam fazendo o papel que seria dos trens e metrô justamente no Grupo Estrutural de Linhas

ADAMO BAZANI

Foi no Grupo de Linhas Estruturais, o que registra as maiores demandas de passageiros concentradas e é operado por ônibus de grande porte, que ocorreu a maior parte dos 63 cancelamentos de linhas em 2023 pela SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o transporte coletivo na capital paulista.

Ao todo, o subsistema estrutural, que compreende corredores e avenidas centrais que ligam os terminais mais movimentados da cidade, perdeu 31 linhas.

O dado está no relatório de administração da gerenciadora sobre o sistema da cidade divulgado nesta semana em primeira mão pelo Diário do Transporte, que noticiou que foram canceladas 63 linhas e só criadas 12 em toda cidade. Também foram reativadas 15 linhas.

Ao todo, a cidade de São Paulo tem 1304 linhas de ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/05/01/sptrans-cancelou-63-linhas-de-onibus-mas-so-criou-12-em-2023-aponta-relatorio-oficial/

Estas extinções de linhas de ônibus ocorreram mesmo sem o avanço do sistema de trilhos.

No ano de 2023, não ocorreu nenhuma inauguração de estações de trem e metrô.

Por falta de investimentos em trilhos, que são essenciais em uma metrópole como São Paulo, os ônibus acabam fazendo o papel que seria dos trens e metrô justamente no Grupo Estrutural de Linhas.

A maior parte das extinções de linhas do Grupo Estrutural ocorreu na chamada Área 7 Bordô – zona Sudoeste, com 11 linhas pedidas. Em segundo lugar, aparece a Área 2 Azul Escuro – Zona Norte, com seis linhas que deixaram de operar.

Nas periferias, também ocorreram extinções de linhas. Foi o segundo maior grupo a perder ligações em 2023, com 23 cancelamentos, ainda de acordo com o relatório.

O Grupo Local de Distribuição é formado por linhas nos bairros mais afastados, operados por ônibus de menor porte. Os serviços são prestados pelas empresas que surgiram de cooperativas de transportes que, como mostrou o Diário do Transporte, receberam as piores avaliações dos indicadores de qualidade do da SPTrans, reunidos no IQT (Índice de Qualidade do Transporte).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/29/iqt-da-sptrans-viacoes-que-atendem-nas-periferias-tem-as-piores-avaliacoes-confira-as-piores-e-melhores-empresas-de-onibus-da-cidade-de-sao-paulo/

Das 23 linhas canceladas no Grupo Local, a maior parte foi nas áreas 6 Azul Claro – Zona Sul e 7 7 Bordô – zona Sudoeste, com 11 linhas pedidas cada.

Estas áreas são operadas por empresas como a Transwolff, que está sob intervenção da prefeitura desde o dia 09 de abril de 2024, após ter sido deflagrada a Operação Fim da Linha, do Ministério Público que apura suposta ligação da direção da empresa com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Também foi alvo da operação e está sob intervenção da UpBus, da zona Leste (área 3-Amarela, predominantemente).

Passageiros chegaram a fazer protestos contra a atuação da Transwolff. No dia 20 de março de 2024, um usuário chegou a quebrar uma bancada de fiscalização da empresa no Terminal Varginha, no extremo Sul, após demora de mais de duas horas para chegar o ônibus. A SPTrans repassou seis linhas que eram operadas pela Transwolff para as empresas MobiBrasil e Viação Grajaú, que passaram a fazer os itinerários em 23 de março de 2024.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/03/22/linhas-da-transwolff-sao-transferidas-para-a-viacao-grajau-e-mobibrasil-na-zona-sul-de-sao-paulo-apos-confusao-e-protesto-no-terminal-varginha-confira-quais-a-partir-de-sabado-23/

É na Área 6 do Lote de Distribuição que também está o Aquático-SP, sistema de embarcações do transporte coletivo na Represa Billings que teve a inauguração adiada porque a Justiça atendeu em primeira instância o Ministério Público de São Paulo que alegava falta de estudo de impacto ambiental. A prefeitura reverteu a decisão em segunda instância.

O Aquático-SP foi concedido para a Transwolff, mas depois da operação do Ministério Público e da intervenção, a prefeitura decidiu assumir os serviços, que ainda não começaram. Ou seja, o corte de linhas de ônibus na área 6, da zona Sul, não tem nenhuma relação com o novo meio de transporte.

O sistema que menos perdeu linhas foi o Grupo de Articulação Regional (linhas entre os bairros mais movimentados – centralidades regionais – operadas por ônibus padrons). Foram nove linhas canceladas em 2023. A zona Noroeste (Área 1 – Verde Claro) foi a que mais perdeu linhas no Grupo de Articulação Regional: três.

Em resposta à primeira reportagem sobre os cancelamentos de linhas, a SPTrans (São Paulo Transporte) informmou que não houve queda na oferta de transportes e que todas as alterações são feitas após estudos e, quando mais abrangentes, são feitas reuniões com os moradores dos bairros envolvidos.

A SPTrans informa que a frota operacional de ônibus na cidade passou de 11.676 para 11.925 entre 2022 e 2023. A oferta de transporte foi mantida e todas as regiões da cidade seguem atendidas pelos ônibus do sistema de transporte coletivo público municipal. A programação e distribuição das linhas na cidade considera a demanda existente, considerando a rede como sistema de média capacidade, alimentando e complementando os eixos metroferroviários da cidade.

As alterações nas linhas de ônibus municipais fazem parte da rotina da SPTrans e são feitas considerando a dinâmica da cidade. As alterações são justificadas tecnicamente e divulgadas antecipadamente para os passageiros. Em casos de alterações mais abrangentes, também são realizadas reuniões específicas com as comunidades diretamente envolvidas. Para que uma linha seja cancelada ou substituída, ela deve ser atendida por outra(s) linha(s).

Entre as linhas reativadas, há casos em que estavam paralisadas durante a pandemia de Covid-19 em virtude da queda de demanda e de haver linhas sobrepostas que garantiam o atendimento de transporte público aos seus passageiros.

MATÉRIA ANTERIOR:

SPTrans cancelou 63 linhas de ônibus, mas só criou 12 em 2023, aponta relatório oficial

Não houve criação de novas estações de trem e metrô em 2023 em São Paulo, ou seja, não foi por expansão dos trilhos os cortes de linhas de ônibus; Documento da gestora de transportes mostra ainda que 15 linhas foram reativadas na cidade de São Paulo; A maior parte das 63 linhas canceladas, foi no Grupo Estrutural, operado por ônibus de grande porte em corredores

ADAMO BAZANI

Ao menos 63 linhas de ônibus na cidade de São Paulo foram canceladas em 2023 enquanto somente 12 foram criadas.

Não houve nenhum seccionamento, que é a divisão de uma linha em dois ou mais serviços.

Sendo assim, ocorreram mesmo perdas de linhas no sistema paulistano.

Também não houve criação de novas estações de trem e metrô em 2023 em São Paulo, ou seja, não foi por expansão dos trilhos os cortes de linhas de ônibus.

É o que aponta o Relatório Integrado da Administração 2023 da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais da capital paulista.

A maior parte das 63 linhas canceladas, foi no Grupo Estrutural, operado por ônibus de grande porte em corredores: 31.

Mas nas periferias, que compreendem o Grupo Local de Distribuição, operado pelas ex-cooperativas de transportes, com ônibus menores, o cancelamento de linhas também foi expressivo: 23.

No Grupo de Articulação Regional, que liga os bairros mais movimentados com ônibus padrons, foram nove cancelamentos de linhas.

Em relação às linhas criadas, o grupo nas periferias recebeu seis, entre os bairros movimentados foram criadas duas linhas e, nos serviços com ônibus maiores, foram quatro novas linhas.

Já entre as 15 linhas reativadas, 10 são do grupo estrutural, uma de articulação regional e quatro nas periferias (distribuição).

Atualmente, São Paulo possui 1.304 linhas municipais de ônibus, sendo 358 do grupo estrutural, 445 na articulação regional e 504 nos bairros mais afastados.

Uma reformulação da malha geral do sistema de ônibus da cidade de São Paulo já deveria estar em fase final, uma vez que a previsão era de que em três anos após a assinatura dos atuais contratos com as empresas de ônibus, que ocorreu em setembro de 2019, o sistema de linhas deveria estar reformulado.

Esta mudança na malha de transportes foi congelada durante a pandemia de covid-19, quando houve queda de demanda no número de passageiros, e ainda não foi retomada.

Em nota, a SPTrans (São Paulo Transporte), diz que não houve queda na oferta de transportes e que todas as alterações são feitas após estudos e, quando mais abrangentes, são feitas reuniões com os moradores dos bairros envolvidos.

A SPTrans informa que a frota operacional de ônibus na cidade passou de 11.676 para 11.925 entre 2022 e 2023. A oferta de transporte foi mantida e todas as regiões da cidade seguem atendidas pelos ônibus do sistema de transporte coletivo público municipal. A programação e distribuição das linhas na cidade considera a demanda existente, considerando a rede como sistema de média capacidade, alimentando e complementando os eixos metroferroviários da cidade.

As alterações nas linhas de ônibus municipais fazem parte da rotina da SPTrans e são feitas considerando a dinâmica da cidade. As alterações são justificadas tecnicamente e divulgadas antecipadamente para os passageiros. Em casos de alterações mais abrangentes, também são realizadas reuniões específicas com as comunidades diretamente envolvidas. Para que uma linha seja cancelada ou substituída, ela deve ser atendida por outra(s) linha(s).

Entre as linhas reativadas, há casos em que estavam paralisadas durante a pandemia de Covid-19 em virtude da queda de demanda e de haver linhas sobrepostas que garantiam o atendimento de transporte público aos seus passageiros.

Na segunda-feira, 29 de abril de 2024, o Diário do Transporte trouxe em primeira mão que as queixas dos passageiros sobre o sistema de ônibus paulistano subiram 29,3% em 2023 pelo Portal 156 da Prefeitura de São Paulo, totalizando 77 mil 254 mil queixas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/29/ouca-nunes-diz-que-paulistano-esta-mais-exigente-ao-comentar-aumento-de-quase-30-nas-reclamacoes-sobre-onibus-em-sao-paulo/

A reportagem também mostrou em primeira mão que as compensações tarifárias do sistema, que são os subsídios, cresceram 8,4% em 2023 em comparação com 2022.

Em 2022, os subsídios foram de R$ 5,2 bilhões e em 2023, foram de R$ 5,6 bilhões.

O Diário do Transporte ainda noticiou que as empresas de ônibus também receberam mais multas em 2023 na comparação com 2022.

Segundo o relatório da SPTrans, em 2023, foram emitidos 307 mil e 18 autos de infração, totalizando quase R$ 68 milhões (R$ 67.869.181,52).

O aumento no total de multas contra as empresas de ônibus em 2023, é de 3,6% em comparação aos 296 mil 347 emitidos em 2022, que somaram R$ 61,8 milhões (R$ 61.808.422,39)

IQT DA SPTRANS:

Ainda sobre o relatório de administração da SPTrans, noticiado em primeira mão pelo Diário do Transporte às 06h03 desta segunda-feira, 29 de abril de 2024, a reportagem trouxe o IQT (Índice de Qualidade do Transporte) da gerenciadora das linhas de ônibus municipais da capital paulista. É uma avaliação sobre frota, qualidade dos serviços prestados, sustentabilidade econômica e cumprimento das exigências estipuladas nos contratos.

Como o mostrou o Diário do Transporte, é nas periferias da cidade de São Paulo, as empresas de ônibus com as piores avaliações pelo IQT.

As periferias representam o Grupo Local de Distribuição e são atendidas por empresas que se formaram a partir de cooperativas de transportes, algumas investigadas pelo Ministério Público, Receita Federal e Polícias por supostas ligações com o crime organizado.

Veja a reportagem com todos os detalhes do IQT no Diário do Transporte:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/29/iqt-da-sptrans-saiba-quais-sao-as-piores-e-as-melhores-empresas-de-onibus-da-cidade-de-sao-paulo-ex-cooperativas-tiveram-as-notas-mais-baixas-em-2023/

Os resultados dos grupos Estrutural (de linhas de corredores com ônibus grandes) e de Articulação Regional (linhas com ônibus padrons entre regiões), que são operadas por empresas tradicionais, foram melhores no segundo semestre de 2023.

Gato Preto, Gatusa e Santa Brígida, ainda segundo o IQT, chegaram a obter meses com resultado “ótimo.

O segundo semestre de 2024 se refere ao quinto ciclo de avaliação do IQT.

Segundo o relatório, neste ciclo que abrangeu os meses de julho a dezembro/2023, um total de 21 empresas foram classificadas com conceito “Bom” e 17 “Regular”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Alexandre disse:

    Poderia relacionar as linhas canceladas?

    1. José disse:

      Ótima pergunta!

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