Emplacamentos de ônibus no Brasil despencam 26,39% no primeiro bimestre de 2024, aponta Fenabrave
Publicado em: 4 de março de 2024
Números refletem ainda os impactos da transição tecnológica Euro 5 para Euro 6, mas estimativa é que o ano seja de recuperação
ADAMO BAZANI
Os licenciamentos de ônibus no Brasil fecharam o primeiro bimestre de 2024 com queda de 26,39% em comparação com o primeiro bimestre de 2023.
Foram emplacados nos dois primeiros meses de 2024, 3.269 veículos de transporte coletivo ante 4.441 em igual período do ano passado.
Na comparação somente entre os meses de fevereiro, a queda foi de 24,69%, com 2.288 ônibus emplacados em fevereiro de 2023 e 1.723 em fevereiro de 2024.
Entretanto, considerando a variação entre janeiro e fevereiro de 2024, houve alta de 11,45%, com 1.546 ônibus licenciados no primeiro mês e os 1.723 no segundo mês de 2024.
O resultado negativo do acumulado é explicado principalmente ainda como reflexo dos impactos da transição tecnológica para motores a diesel, do padrão Euro 5 de redução de emissões para Euro 6, que se tornou obrigatório em janeiro de 2023.
Os ônibus de padrão Euro 6 poluem 75% menos em média, mas são até 30% mais caros.
Assim, muitos empresários anteciparam as compras em 2022, antes da transição, para conseguir os ônibus mais baratos.
Há um descompasso tradicional entre os volumes de produção e o volume de emplacamento porque, diferentemente de carros e cavalos e cabines de caminhões, os ônibus não são comprados montados (com exceção dos micro-ônibus da marca Volare, da Marcopolo). Entre a compra, a fabricação dos chassis, o encarroçamento e o emplacamento, passam entre três e seis meses.
Por isso, o atual momento dos emplacamentos, habitualmente, reflete meses anteriores de produção, mas pode haver exceções.
O mercado, entretanto, aposta em recuperação no ano e 2024, já com os ajustes em relação à transição tecnológica, as eleições municipais que são positivas para os ônibus urbanos, em especial no primeiro bimestre, e o bom momento vivido pelo segmento de ônibus rodoviários, com a migração de passageiros dos aviões para as estradas devido aos altos preços dos bilhetes aéreos, assim como pela nova regulamentação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que definiu como serão as normas das linhas interestaduais.
MARCAS:
O ranking de marcas é praticamente estável há anos no topo e, no primeiro bimestre de 2024, não foi diferente, com Mercedes-Benz liderando, seguida de Volkswagen e de Marcopolo (miniônibus Volare) no acumulado. Porém, em fevereiro, a Marcopolo (Volare) ultrapassou a Volkswagen, assumindo o segundo lugar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

