OUÇA: Volvo considera produzir ônibus elétrico BZL no Brasil se aumentar a demanda e de olho na nova tributação destes veículos importados
Publicado em: 29 de fevereiro de 2024
Modelo oferecido ao mercado brasileiro é feito no exterior; Em 10 de novembro de 2023, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu retomar o imposto de importação sobre ônibus, carros e caminhões elétricos
ADAMO BAZANI
OUÇA:
A Volvo estuda produzir ônibus elétricos na planta de Curitiba (PR).
A informação foi dada pelo presidente da Volvo Bus para América Latina, André Marques, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024, em resposta ao questionamento do Diário do Transporte.
Atualmente, o modelo BZL, de ônibus elétrico, que é oferecido ao mercado brasileiro, é feito na Suécia, país sede da montadora.
Segundo Marques, tudo vai depender da procura pelos ônibus elétricos da Volvo no Brasil e nos outros países da América do Sul.
“A nacionalização, a integração dos produtos aqui, estão num plano de investimentos. Parte das plataformas já nascerão produzidas no Brasil. O BZL, como é um produto ainda em transição, no início da jornada da eletrificação, no primeiro momento é importado, mas à medida que os volumes justifiquem, a gente pode produzir e industrializar na fábrica de Curitiba. Outros produtos que nós temos na jornada de eletrificação já nascerão na fábrica de Curitiba” – disse.
O BZL está em fase final de homologação pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista. O modelo deve circular em março pela empresa Transwolff, na zona Sul, já com passageiros, como mostrou o Diário do Transporte.
Relembre:
O modelo também passou por testes pela Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.), gerenciadora dos transportes da capital paranaense.
Ambas as cidades possuem planos de expansão da eletrificação da frota de ônibus.
Além da questão da demanda, a Volvo também está atenta à tributação.
Em 10 de novembro de 2023, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu retomar o imposto de importação sobre ônibus, carros e caminhões elétricos.
Relembre:
A retomada do imposto tem sido gradual desde janeiro de 2024, levando em conta se o veículo é elétrico puro ou se é híbrido, com as alíquotas subindo gradativamente.
Foi criada a categoria para caminhões com menos etapas.
Também foram estipuladas cotas de importação de acordo com os tipos de veículos
Alíquotas:
HÍBRIDOS COM COMBUSTÃO:
– 12% em janeiro de 2024;
– 25% em julho de 2024;
– 30% em julho de 2025;
– 35% em julho de 2026.
HÍBRIDOS PLUG-IN:
– 12% em janeiro de 2024,
– 20% em julho de 2024,
– 28% em julho de 2025
– 35% em julho de 2026
ELÉTRICOS PUROS:
– 10% em janeiro de 2024,
– 18% em julho de 2024,
– 25% em julho de 2025,
– 35% em julho de 2026
AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS PARA TRANSPORTE DE CARGA OU CAMINHÕES ELÉTRICO
– 20% em janeiro de 2024
– 35% em julho de 2024
Cotas:
As empresas têm até 30 de junho de 2026 para continuar importando com isenção até determinas cotas de valor.
HÍBRIDOS COM COMBUSTÃO
– US$ 130 milhões até junho de 2024;
– US$ 97 milhões até julho de 2025;
– US$ 43 milhões até 30 de junho de 2026.
HÍBRIDOS PLUG-IN
– US$ 226 milhões até julho de 2024;
– US$ 169 milhões até julho de 2025;
– US$ 75 milhões até 30 de junho de 2026.
ELÉTRICOS PUROS:
– US$ 283 milhões até julho de 2024;
– US$ 226 milhões até julho de 2025;
– US$ 141 milhões até 30 de junho de 2026.
CAMINHÕES ELÉTRICOS
– US$ 20 milhões até julho de 2024;
– US$ 13 milhões até julho de 2025;
– US$ 6 milhões até 30 de junho de 2026.
Por meio de nota, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que além de estimular a produção para o mercado interno, o objetivo é também tornar o Brasil um polo exportador de carros, caminhões e ônibus elétricos.
“É chegada a hora de o Brasil avançar, ampliando a eficiência energética da frota, aumentando nossa competitividade internacional e impactando positivamente o meio ambiente e a saúde da população”.
ÔNIBUS:
No caso dos ônibus, está no Plano de Transformação Ecológica (PTE) do Ministério da Fazenda para 2024.
O Diário do Transporte mostrou que em 08 de novembro de 2023, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloísio Mercadante, disse a abertura o 6º Brasil Investment Forum (BIF 2023), no Palácio Itamaraty, em Brasília, que o Brasil precisa ter empresas especializadas em oferecer leasing para ônibus elétricos.
De acordo com a Agência Brasil, Mercadante explicou que o modelo de leasing é indicado para os coletivos movidos à eletricidade porque estes modelos chegam a ser três vezes mais caros que os ônibus a diesel e grande parte das empresas hoje não têm condições de comprar os coletivos com bateria.
Relembre:
Entre as fabricantes de ônibus elétricos instaladas no Brasil, estão BYD, Eletra (integração e tecnologia), Marcopolo (integral), Mercedes-Benz e Volvo.
As carrocerias são fornecidas pela Caio e Marcopolo. A Mercedes-Benz também oferece chassis para projetos da Eletra, assim como a Scania, mas esta não tem tecnologia própria, disponibilizando apenas a plataforma.
PRESSÃO DA ANFAVEA:
No dia 05 de setembro de 2023, o presidente da Anfavea, que reúne as fabricantes instaladas no Brasil, Márcio de Lima Leite, em entrevista coletiva, acompanhada pelo Diário do Transporte, diz que a entidade vai pedir ao Governo Federal que as alíquotas dos impostos sobre importação em relação aos veículos elétricos subam novamente para 35%.
De acordo com Lima, na ocasião, a proposta era de criação de um regime de cotas para evitar o “efeito da China” na América Latina, cuja participação subiu de 4,6% para mais de 21% em dez anos no mercado de veículos elétricos.
Enquanto isso, no mesmo período, a participação da indústria instalada no Brasil caiu 19,4% no segmento de elétricos, ainda de acordo com o presidente da Anfavea.
Relembre:
QUANDO FOI ZERADO:
Desde 2015, os veículos 100% elétricos não pagam nada de imposto de importação e os híbridos (motor a combustão mais um motor elétrico) tiveram a alíquota reduzida de 35% para até 7%. O objetivo desde então era permitir a entrada de veículos elétricos no Brasil.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


