Eletromobilidade

Preparação de infraestrutura para ônibus elétricos pode levar entre dois e três anos, dependendo do bairro, e situação preocupa indústria

Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte

De acordo com presidente da Volvo Bus para América Latina, André Marques, fabricante tem conversado com parceiras para que a eletrificação seja oferecida da maneira mais completa possível

ADAMO BAZANI

Colaborou Guilherme Strabelli

Dependendo da capacidade da rede de distribuição de energia elétrica de um bairro, a adaptação para implantar a infraestrutura necessária para carregar as baterias de uma frota de ônibus elétricos pode levar de dois anos a três anos.

E isso é visto de perto e com preocupação por fabricantes destes veículos e empresas de ônibus em especial nas cidades em que há metas de eletrificação, como a capital paulista.

A informação é do presidente da Volvo Bus para a América Latina, André Marques, em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024, da qual o Diário do Transporte participou.

A Volvo tem um modelo em homologação na capital paulista, o BLZ.

Ocorre, como mostrou o Diário do Transporte, apesar da meta da gestão do prefeito Ricardo Nunes de 2,6 mil ônibus elétricos circulando na cidade até o fim de 2024, só existem apenas 74 veículos deste tipo no sistema.

O maior entrave é a falta de infraestrutura.

Estudo da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) mostra que se 50 ônibus carregarem as baterias ao mesmo tempo, inclusive na madrugada, pode cair a energia de bairros inteiros onde a rede de distribuição é de baixa tensão, que é a característica da maior parte da cidade de São Paulo.

Ao Diário do Transporte, tanto a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de linhas da prefeitura, como a ENEL, responsável pelo fornecimento de energia, admitiram que as obras necessárias nos bairros e nas garagens não começaram.

Contando as diversas marcas de fabricantes de ônibus elétricos que fornecem para as empresas da capital paulista, além dos 74 coletivos cadastrados, há quase 200 prontos ou em finalização, mas que não podem rodar por causa da falta de infraestrutura da rede.

O prazo de dois a três anos para readequar uma rede é uma média. Em alguns casos, de acordo com especialistas, pode ser superior a cinco anos.

Para André Marques, a infraestrutura é um dos maiores desafios para a cidade de São Paulo.

O executivo disse que umas das alternativas que a empresa busca é firmar parceria com fabricantes de tecnologias, como de postos de recarga, para tentar oferecer o pacote mais completo.

Entretanto, algumas ações, só mesmo as distribuidoras e prefeituras podem resolver.

Marques entende que as cidades que pensam numa eletrificação gradual, não com restrições a outras tecnologias, tendem a conseguir os melhores resultados.

Adamo Bazani jornalista especializado em transportes

Colaborou Guilherme Strabelli

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Comentários

Comentários

  1. JORGE FRANCOZO DE MORAES disse:

    Uma das alternativas é espalhar a infraestrutura de carregamento ao longo do itinerário das linhas e receber a energia enquanto opera normalmente com passageiros e ficar livre dessa rede a qualquer momento quando as baterias estiverem carregadas. A partir daí o veículo opera com a carga das baterias na segunda metade do dia. Esse sistema se chama “In motion Charge” e utiliza uma extensão de rede aérea somente em metade do trajeto, como um trólebus.

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