Eletromobilidade

Recurso é negado e licitação de R$ 2,84 bi para aluguel de 400 ônibus elétricos será declarada fracassada em São José dos Campos (SP)

Única empresa que participou teve problemas de documentação; É a quinta tentativa de eletrificação da frota, uma delas, envolveu até mesmo a antiga administração da falida Viação Itapemirim

ADAMO BAZANI

A Urbam (Urbanizadora Municipal S.A.), da prefeitura de São José dos Campos, no interior paulista, negou recurso da Master Solutions Logística, de Minas Gerais, única empresa a participar da mais recente tentativa de licitação para aluguel de 400 ônibus elétricos.

A negativa ao recurso foi publicada no portal da gerenciadora de transportes e serviços públicos municipais nesta terça-feira, 23 de janeiro de 2024.

A empresa pode tentar reverter a situação juridicamente, por exemplo.

Como havia noticiado o Diário do Transporte, a prefeitura de São José dos Campos rejeitou a documentação apresentada pela Master.

Segundo a Comissão de Licitação, o balanço financeiro apresentado pela empresa não cumpriu as exigências do edital.

A decisão foi comunicada nesta quinta-feira, 11 de janeiro de 2024.

Como havia mostrado o Diário do Transporte, a empresa apresentou em 24 de novembro de 2023, uma oferta exatamente com o valor máximo permitido pelo edital: R$ 2,84 bilhões (R$ 2.846.013.062,40).

O contrato proposto é de 15 anos e incluiu manutenção.

A Urbam (Urbanizadora Municipal de São José dos Campos), empresa controlada pela prefeitura e responsável pela licitação, tentou abaixar o preço, para que os gastos públicos fossem menores, mas sem ter outra concorrente na licitação, a empresa não deu desconto e alegou que são os valores de mercado.

A prefeitura pretende fazer uma licitação também para definir uma empresa que vai fazer a operação dos ônibus elétricos.

Os contratos atuais com as empresas de ônibus Expresso Maringá, Joseense e Viação Saens Peña foram prorrogados até 2024, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/11/08/prefeitura-de-sao-jose-dos-campos-sp-prorroga-contratos-com-empresas-de-onibus-ate-2024/

Quanto aos ônibus elétricos, já é a quinta tentativa de concluir uma licitação.

No final de 2021, a prefeitura de São José dos Campos chegou até a assinar contratos com a antiga administração da atual falida Viação Itapemirim, à época comandada pelo empresário Sidnei Piva de Jesus.

Mas os contratos foram rescindidos em 21 de janeiro de 2022, após a empresa não cumprir uma série de obrigações e por apresentar documentação com indícios de irregularidades com uma suposta empresa chinesa que traria 500 ônibus elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/01/19/itapemirim-diz-que-comprou-500-onibus-urbanos-100-eletricos-para-sao-jose-dos-campos-sp/

Em 21 de setembro de 2022, o Grupo Itapemirim teve a falência decretada.

Atualmente, as linhas rodoviárias que eram prestadas pela Itapemirim/Kaissara estão sendo assumidas pela Nova Itapemirim que, apesar da semelhança do nome, é outra empresa, do Grupo Suzantur, do ABC Paulista, diferente do grupo que era comandado por Sidnei Piva.

A Urbam será responsável pela gestão do contrato de locação. Além da locação da frota e infraestrutura, a Urbam também será responsável pela gestão financeira e pelos meios de pagamento do transporte público na cidade. A Prefeitura fará uma nova licitação para contratação da operação do sistema.

O valor total será de R$ 2,8 bilhões (R$ 2.846.013.062,40) por 180 meses (15 anos).

Os ônibus devem ser fornecidos em até seis meses depois da assinatura dos contratos.

A frota será dividida em:

144 ônibus tipo básico, low center e low entry, com portas na lateral direita, com valor total de R$ 792,3 milhões (R$ R$ 792.356.515,20)

20 ônibus tipo básico, low center e low entry, com portas na lateral direita e na lateral esquerda por 110 milhões (R$ 110.049.516,00)

212 ônibus tipo padron, low center e low entry, com portas na lateral direita por R$ 1,3 bilhão (R$ 1.378.165.190,40)

24 ônibus do tipo articulado, low center e low entry, com portas na lateral direita e na lateral esquerda por R$ 232 milhões (R$ 232.092.432,00).

Foi incluída a manutenção neste contrato.

HISTÓRICO:

No final de 2021, a prefeitura de São José dos Campos chegou até a assinar contratos com a antiga administração da atual falida Viação Itapemirim, à época comandada pelo empresário Sidnei Piva de Jesus.

Mas os contratos foram rescindidos em 21 de janeiro de 2022, após a empresa não cumprir uma série de obrigações e por apresentar documentação com indícios de irregularidades com uma suposta empresa chinesa que traria 500 ônibus elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/01/19/itapemirim-diz-que-comprou-500-onibus-urbanos-100-eletricos-para-sao-jose-dos-campos-sp/

Em 21 de setembro de 2022, o Grupo Itapemirim teve a falência decretada.

Atualmente, as linhas rodoviárias que eram prestadas pela Itapemirim/Kaissara estão sendo assumidas pela Nova Itapemirim que, apesar da semelhança do nome, é outra empresa, do Grupo Suzantur, do ABC Paulista, diferente do grupo que era comandado por Sidnei Piva.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 09 de maio de 2023, a Urbam, que gerencia os transportes em São José dos Campos, no interior paulista, revogou uma licitação de R$ 3 bilhões para aluguel de cerca de 400 ônibus elétricos.

Por meio de nota, a prefeitura informou que faria uma reavaliação e nova publicação do edital.

Como havia mostrado o Diário do Transporte, em 09 de março de 2023, o TCE/SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) suspendeu a concorrência após representações que apontavam irregularidades e incoerências no edital. A abertura dos envelopes tinha sido marcada para o dia 10 de março.

As representações foram movidas pela empresa CS Brasil Transportes de Passageiros e Serviços Ambientais Ltda (que operou linhas municipais até 2019 em São José dos Campos), pela vereadora Amelia Naomi Omura e pelo vereador Thomaz Henrique Barbosa da Silva.

Entre estes apontamentos estão a falta de viabilidade econômica para o contrato.

Segundo as representações, a concorrência estimava o custo do aluguel por R$ 3 bilhões pelo período de 15 anos. Entretanto, a compra dos veículos sairia mais barata: R$ 1 bilhão, de acordo com as representações.

Foi a terceira tentativa de licitação para aluguel de ônibus elétricos desde 2022.

A prefeitura tinha a intenção de fazer outras duas concorrências: uma para o sistema de carregamento dos veículos e infraestrutura e outra licitação para a definir quais empresas operariam estes ônibus.

Em 03 de junho de 2022, uma das tentativas de concorrência não teve nenhuma proposta, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/03/sao-jose-dos-campos-sp-tem-licitacao-deserta-para-aluguel-de-350-onibus-eletricos/

Em 10 de maio de 2022, a Justiça chegou a suspender a licitação após ação da Enel X Brasil S.A

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/10/nova-tentativa-de-licitacao-dos-onibus-eletricos-em-sao-jose-dos-campos-e-suspensa-pela-justica/

Em abril de 2022, depois de várias ações judiciais anteriores, a prefeitura havia mudado regas do edital na época.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/04/18/sao-jose-dos-campos-muda-edital-para-aluguel-de-350-onibus-eletricos-e-relanca-licitacao/

O Diário do Transporte entrou em contato nesta terça-feira, 17 de maio de 2023, com o TCE que informou que diante da revogação da concorrência, extinguiu os processos, como mostra o despacho do conselheiro Dimas Ramalho datado de 12 de maio de 2023.

Novo edital: A Urbam (Urbanizadora Municipal) informou nesta terça-feira, 17 de outubro de 2023, que publicou o edital de licitação para locação dos ônibus elétricos que irão substituir a frota convencional do transporte público de São José dos Campos.

A sessão para recebimento dos envelopes com as propostas e documentos acontece em 24 de novembro, às 9h, em licitação presencial na sede da Urbam.

O critério de julgamento será o de menor preço global. A licitação é para os veículos (sem motoristas).

Segundo a prefeitura, a frota totalmente zero quilômetro será composta por 400 ônibus, 100% elétricos (divididos em três modelos), com ar condicionado e outras comodidades, como carregador USB. Em outro momento, será realizada licitação para o sistema de carregamento e, se necessário, da energia elétrica. A contratada fará ainda a manutenção preventiva dos veículos.

A Urbam será responsável pela gestão do contrato de locação. Além da locação da frota e infraestrutura, a Urbam também será responsável pela gestão financeira e pelos meios de pagamento do transporte público na cidade. A Prefeitura fará uma nova licitação para contratação da operação do sistema.

O valor total será de R$ 2,8 bilhões (R$ 2.846.013.062,40) por 180 meses (15 anos).

Os ônibus devem ser fornecidos em até seis meses depois da assinatura dos contratos.

A frota será dividida em:

144 ônibus tipo básico, low center e low entry, com portas na lateral direita, com valor total de R$ 792,3 milhões (R$ R$ 792.356.515,20)

20 ônibus tipo básico, low center e low entry, com portas na lateral direita e na lateral esquerda por 110 milhões (R$ 110.049.516,00)

212 ônibus tipo padron, low center e low entry, com portas na lateral direita por R$ 1,3 bilhão (R$ 1.378.165.190,40)

24 ônibus do tipo articulado, low center e low entry, com portas na lateral direita e na lateral esquerda por R$ 232 milhões (R$ 232.092.432,00).

Foi incluída a manutenção neste contrato. 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Julio Luiz Pereira disse:

    Não entendo muito de lei mas tem alguma coisa errada aí o vlp no meu ponto de vista está dando tão certo em nossa cidade e porquê não aprovar todo o sistema já que estamos sendo os primeiros a ter ônibus elétricos em nossa cidade e toda a população está aceitando com bons olhos onde está o erro e porque não aprovar o restante da frota porquê o próprio município não assume a responsabilidade e venha com a proposta para o município seria bom para todos pois está e a minha opinião chega dessa frota antiga ônibus que só poluem o ar e nem mesmo conforto temos para ir e vir do trabalho

  2. Leonardo disse:

    Não há motivos para a prefeitura comprar esses ônibus, pois as empresas poderiam faze-lo de forma ágil e eficiente, desde que estivesse no escopo do contrato de prestação de serviço. Faria sentido a prefeitura comprar ônibus se as empresas estivessem impossibilitadas, mas não, elas estão saudáveis e com crédito na praça.

  3. Gabriel disse:

    Sem concorrência, acaba sendo um monopólio dos transportes. São José dos Campos já deveria ter um trem ou metrô de superfície ligando os extremos da cidade ao centro . Os administradores responsáveis pelo nosso VLT ( veículo leve sobre trilhos) roubaram os trilhos depois do projeto aprovado, fizeram o VLP ( veículo leve sobre pneus) . E agora alegam não ter verba.

  4. Rodrigo Zika disse:

    Alugar já é bem difícil de dar certo, se não comprar vai complicar.

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