Mortes em atropelamentos por ônibus na cidade de São Paulo aumentam 54% em 2023 na comparação com 2022, aponta InfoSiga

Dado se refere a todas as categorias de ônibus; “Mega treinamento” de motoristas pela SPTrans que deveria ser concluído em 31 de dezembro foi prorrogado para o fim deste mês de janeiro

ADAMO BAZANI

Somente na cidade de São Paulo, em todo o ano de 2023, os atropelamentos por ônibus cresceram 54% em relação a 2022, de acordo com dados do InfoSiga, de responsabilidade do Detran (Departamento Estadual de Trânsito).

Perderam a vida na capital paulista de janeiro a dezembro de 2023, 68 pessoas.

Em semelhante período de 2022, morreram em atropelamentos por ônibus, 44 pessoas.

Os números do InfoSiga são oficiais e levam em consideração todos os tipos de ônibus que passam pela cidade: urbanos municipais gerenciados pela SPTrans (São Paulo Transporte), metropolitanos urbanos e seletivos intermunicipais gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), de fretamento e rodoviários intermunicipais e interestaduais.

Também são considerados modelos como micro-ônibus, miniônibus, básicos, padrons, articulados, superarticulados e até os de dois andares de viagens longas.

Entretanto, a frota de ônibus urbanos municipais gerenciados pela SPTrans é bem maior e, consequentemente, são várias as ocorrências com este tipo de coletivo. São mais de 12 mil ônibus urbanos gerenciados pela SPTrans que circulam por dia na cidade de São Paulo.

Em 2023, os casos de atropelamentos envolvendo ônibus chamaram tanto a atenção que a SPTrans anunciou em abril daquele ano um “mega treinamento” especial para os 30 mil motoristas do sistema da capital.

Os treinamentos começaram em 17 de abril de 2023 e foram divididos em três módulos que somariam 24 horas para cada condutor.

O prazo final estipulado na ocasião para que o programa fosse concluído, com todos os motoristas capacitados, era 31 de dezembro de 2023.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/04/04/sptrans-obriga-empresas-de-onibus-a-dar-um-novo-tipo-de-treinamento-de-seguranca-para-mais-de-30-mil-motoristas-viacoes-devem-continuar-com-atencao-ao-anjo-da-guarda/

Mas o prazo não foi cumprido e agora, segundo a própria prefeitura de São Paulo, a nova data limite é 31 de janeiro de 2024.

Se não cumprirem, de acordo com a SPTrans, as empresas de ônibus serão multadas.

“Em relação aos cursos, a SPTrans determinou em abril de 2023, novas regras para as concessionárias realizarem a atualização obrigatória dos motoristas de ônibus municipais, com foco na direção segura e prevenção de sinistro. Desde então, todos passaram a ser treinados de acordo com o Programa de Atualização – Prevenção de Sinistros, com carga horária de 24 horas dividida em três módulos. As empresas concessionárias têm até 31 de janeiro para concluir o treinamento para todos os motoristas ativos no sistema municipal de transporte coletivo público. Após essa data será possível verificar a quantidade de motoristas ativos que receberam o treinamento. Caso o prazo para conclusão do curso não seja cumprido, as concessionárias estarão sujeitas a multas.”

Em 2023, uma parte significativa dos atropelamentos ocorreu no momento de embarque e desembarque nos ônibus.

O Diário do Transporte apurou na ocasião que muitos ônibus em São Paulo andavam com o “anjo da guarda” desligado ou defeituoso.

“Anjo da Guarda” é um dispositivo que corta a aceleração do ônibus com as portas abertas.

Após as denúncias e série de reportagens, as fiscalizações sobre o funcionamento do “anjo da guarda” foram intensificadas.

De acordo com o InfoSiga, que considera todos os tipos de ônibus, em 2023, os meses em que mais morreram pessoas foram março e outubro, com nove mortes cada, seguidos de maio e dezembro com oito mortes cada. Abril foi o mês menos letal, com duas pessoas mortas em atropelamento por ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    Algo está errado nisso tudo. O programa de educação de 30 mil motoristas para a redução de acidentes com ônibus parece não ter bastado: houve 54% de aumento durante o ano, embora tivesse havido uma redução de acidente em alguns dos meses que se seguiram. Ao cabo, porém, voltou a crescer! Acho que está faltando identificar as demais causas dos acidentes.

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