Recursos atrasam conclusão da licitação das obras de prolongamento da Chucri Zaidan, zona sul de São Paulo

Três consórcios questionaram procedimentos da Comissão de Licitação, que deverá agora definir quais empresas seguem na concorrência; melhor proposta apresentada tem valor de R$ 376 milhões

ALEXANDRE PELEGI

O processo de licitação para as obras remanescentes do prolongamento da Avenida Chucri Zaidan, na zona sul de São Paulo, deve atrasar mais alguns dias.

A concorrência, sob responsabilidade da SPObras, contempla a implantação da rampa cicloviária na Ponte Laguna.

Após a sessão se habilitação, realizada no dia 20 de dezembro de 2023, três consórcios apresentaram recursos, o que levará alguns dias para análises e contestações, até decisão final da Comissão de Licitação.

Na sessão de habilitação, como mostrou o Diário do Transporte, apenas dois consórcios foram habilitados para a fase final da concorrência:

= Consórcio Corredor Chucri Zaidan (JOFEGE Pavimentação e Construção Ltda. – SOEBE Construção e Pavimentação S/A – CONSTRAN Internacional Construções S.A.) e

= Consórcio Construcap – Geofix (Chucri Zaidan) (CONSTRUCAP CCPS Engenharia e Comércio S.A. – GEOFIX Engenharia e Fundações Ltda).

O Consórcio Chucri – Laguna, formado pelas empresas EGTC Infra S/A – OECI S/A), foi inabilitado e, portanto, impedido de seguir no certame. O consórcio teve sua proposta comercial desclassificada “por apresentar preços unitários superiores aos constantes no Orçamento Referencial”.

Além do Consórcio Chucri – Laguna a SPObras já havia desclassificado nas fases iniciais do certame outros dois participantes:

Consórcio Agis-Consbem-Trail (AGIS Construção S/A – CONSBEM Construções e Comércio Ltda. – TRAIL Infraestrutura Ltda.); e

Consórcio Chucri DPG (DP Barros Pavimentação e Construção Ltda. – PAULITEC Construções Ltda. – GCR Construções S/A).

Pela ordem de valores, o Consórcio Corredor Chucri Zaidan apresentou a melhor proposta, ocupando a primeira colocação, com o valor de R$ 376 milhões (R$ 376.050.151,62).

Após a sessão de habilitação, realizada no dia 20 de dezembro passado, e dentro do prazo legal, a Comissão de Licitação recebeu três recursos, questionando o resultado:

= O Consórcio Chucri – Laguna apresentou recurso questionando sua inabilitação e as habilitações de seus concorrentes;

= O Consórcio Agis-Consbem-Trail interpôs recurso administrativo questionando a habilitação do Consórcio Corredor Chucri Zaidan e do Consórcio Construcap – Geofix, e

= O Consórcio Corredor Chucri Zaidan interpôs recurso questionando o julgamento da habilitação do Consórcio Construcap – Geofix e Consórcio Chucri – Laguna.

De acordo com a SPObras, e a partir da data de hoje, 02 de janeiro de 2024, fica aberto o prazo de cinco dias úteis para eventuais impugnações.

HISTÓRICO

A licitação estava suspensa pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) desde o início de março e foi liberada em junho deste ano.

Após os ajustes determinados pelo TCM, o valor das obras foi reduzido em R$ 72 milhões, passando de mais de R$ 527 milhões para R$ 455 milhões.

O TCM também liberou na ocasião a concorrência para a reforma do corredor de ônibus na Av. Amadoer Bueno da Veiga, na zona Leste. Com os ajustes, o valor estimado desta obra caiu de R$ 82 milhões para R$ 71 milhões.

Relembre:

TCM libera nesta quinta (22) licitações do corredor de ônibus da Av. Amador Bueno da Veiga e do prolongamento da avenida Chucri Zaidan com redução de valores

O prolongamento da Chucri integra a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada.

A finalização da implantação do empreendimento implicará a criação de uma nova ligação alternativa e de apoio à Marginal Pinheiros, aumentando a acessibilidade urbana da região sul do Município de São Paulo.

A obra ainda favorecerá os pedestres, com implantação de passeios amplos e acessíveis, e ciclistas, com implantação de ciclovias que fazem a conexão da nova via aos sistemas cicloviários existentes na Marginal Pinheiro e no corredor Berrini

De acordo com o termo de referência, o empreendimento cuja obra foi licitada em 2008 pela EMURB compreendia a execução do trecho da Rua João Dória à Avenida João Dias, numa extensão de 3,2 km, inclusive o túnel sob a Rua José Guerra, atual Rua Cecilia Lotemberg, implantação da Ponte Laguna e obras de adequação.

“Devido a fatores supervenientes que consumiram mais recursos do que o previsto, mesmo com a redução do escopo, não foi possível concluir a obra do túnel, tendo sido executados apenas seus emboques, conforme alternativa em célula simples. O contrato de obras (Lote 5) foi encerrado após os devidos ajustes viários para operação do trânsito e transporte em condições provisórias”, relata o edital.

As obras pendentes abrangem:

= Trecho 1 – Urbanismo da Av. Chucri Zaidan

= Trecho 2 – Implantação do Corredor de Ônibus da Av. Chucri Zaidan e Passagem Subterrânea

= Trecho 3 – Adequação do Corredor de Ônibus da Av. Chucri Zaidan (Av. Joao Doria a R. Antonio de Oliveira)

= Rampas cicloviárias na Ponte Laguna

“Atualmente os moradores reivindicam a retomada das obras, pois sem a passagem subterrânea a mobilidade na região ficou prejudicada, o trânsito ficou sobrecarregado, além de ser uma área inutilizada”, diz o Edital.

 

CHUCRI ZAIDAN:

O edital das obras remanescentes do prolongamento da avenida Chucri Zaidan estava suspenso desde março de 2023.

O edital tinha sido lançado em 17 de janeiro de 2023.

Segundo a prefeitura, a primeira etapa de obras havia sido concluída em 2018 e, por causa de problemas que consumiram mais recursos do que o previsto, não foi possível concluir todo o projeto original, a exemplo da passagem subterrânea em túnel sob a Av. Cecilia Lottenberg, tendo sido construídas apenas as entradas do túnel.

O empreendimento prevê a construção do túnel sob a Av. Cecília Lottenberg, com 880 metros de extensão, em célula dupla, contemplando duas faixas por sentido, passeios laterais e sistemas, inclusive saídas de emergência e poços de ventilação.

Os serviços também abrangem a implantação de corredor de ônibus, enterramento das redes aéreas, paisagismo e melhoramentos nos trechos já existentes da via. No trecho da Av. João Doria até a Rua Antônio de Oliveira, haverá adequação da geometria viária existente para comportar 4 faixas por sentido, sendo a faixa da esquerda para corredor de ônibus.

A futura obra favorecerá os pedestres, com implantação de passeios amplos e acessíveis; e ciclistas, com implantação de ciclovias que fazem a conexão da nova via aos sistemas cicloviários existentes na Marginal Pinheiro e no corredor Berrini, além da implantação de uma rampa cicloviária metálica na Ponte Laguna, conectando-a à ciclovia existente na margem Leste do Rio Pinheiros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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