Modelo circula no corredor entre o ABC Paulista e a capital e é configurado com avisos sonoros e luminosos de paradas e alertas em voz de abertura e fechamento de portas
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
Avisos sonoros e visuais em telas sobre as próximas paradas.
Alertas em voz sobre abertura e fechamento de portas.
Prioridade no espaço urbano para deixar as viagens mais rápidas.
Ar-condicionado e uma grande capacidade de passageiros.
As características se assemelham ao um metrô moderno, mas estamos falando de busão mesmo.
Recentemente, o corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, na zona Leste da capital paulista, ao Jabaquara, na zona Sul, recebeu 30 ônibus superarticulados, de 23 metros, com capacidade para 180 passageiros cada, com estes equipamentos na configuração interna.
A ligação tem 33 km de extensão e une os dois extremos da capital paulista, passando por cidades do ABC (Santo André, Mauá/Terminal Sônia Maria, São Bernardo do Campo e Diadema). Há ainda uma extensão de 12 km entre a cidade de Diadema e a região do Brooklin, em outro lado da zona Sul da capital paulista, totalizando, 45 km.
Os veículos ainda dispõem de câmeras nas portas para controle do desembarque dos passageiros com visualização das imagens pelo motorista no painel.
Na última semana, o Diário do Transporte utilizou um destes 30 coletivos e conferiu de perto as tecnologias embarcadas.
O ar-condicionado é com saídas individuais e a possibilidade de o passageiro controlar a intensidade por defletores.
O ônibus ainda conta com piso baixo, rampa para acessibilidade e tomadas USB para carregamento de baterias de celular e outros dispositivos móveis, vidros com tratamento anti raios UV (ultravioleta), entre outros itens.
A linha foi a 287 (Terminal Santo André Oeste / Diadema).
Antes que os mais radicais possam se manifestar:
– Não! Não é intuito da matéria comparar corredor de ônibus com metrô. São sistemas de capacidades e concepções diferentes, mas que se complementam.
– Sim! Existem outros serviços e corredores de ônibus no Brasil têm tecnologias semelhantes, como em Curitiba, porém, ainda são minoria.
Mas os objetivos da reportagem são:
– Mostrar que não é tão complicado e que é perfeitamente possível qualificar e modernizar os sistemas de ônibus, que nunca devem ser encarados para substituir os trilhos, porém, sempre terão importância na mobilidade das pessoas. O ônibus nunca vai acabar, então, tem de melhorar.
– O ônibus deve deixar de ser encarado com “complexo de vira-latas”. Não é porque é ônibus que deve ser prestado de qualquer jeito, caprichando somente no metrô
– Infelizmente, um veículo como este chama a atenção e rende até uma reportagem, sendo que deveria ser normal.
– Muitos se gabam de usar metrô e ônibus na América do Norte e Europa. Mas em termos de tecnologia, o Brasil não tem ficado atrás.
O que impossibilita que o serviço usado seja melhor é que o Corredor ABD é antigo, com as mesmas características de quando começou a operar em 1986: trechos em que os ônibus ainda precisam sair das pistas exclusivas e paradas que são coberturas de concreto, muitas posicionadas ainda de acordo com a época em que foram implantadas, quando se embarcava ainda pela porta traseira (alguns nem se lembram disso).
Com o novo contrato para o sistema de transportes metropolitanos no ABC, a expectativa é de modernização deste corredor juntamente com a implantação de um BRT (Bus Rapid Transit) – sistema mais moderno – entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e os terminais Tamaduateí e Sacomã, na zona Sudeste da cidade de São Paulo.
O BRT terá estações fechadas em vez de pontos, com o pagamento das passagens antes do embarque, dotadas de ar-condicionado, painéis com informações sobre as linhas e previsão de tempo de espera. A estrutura será envidraçada.
O sistema, de 17,8 km, deve começar a operar em 2024 e contar com 96 ônibus 100% elétricos, de 21,5 metros de comprimento cada, divididos em linhas expressas (ligam terminais sem paradas), semi-expressas (param somente em estações mais movimentadas) e paradoras (param em todas as estações).
Estes novos coletivos devem ser do tipo E-Trol, que funcionam como trólebus conectados à rede aérea e também com baterias, sem depender da fiação.
Os veículos devem ter os mesmos equipamentos de informação e segurança que os encontrados pela reportagem.
Os ônibus que já circulam são movidos a óleo diesel (ainda com a motorização Euro 5), com carroceria Caio Millennium BRT e chassis O500 UDA Mercedes-Benz.
A concessionária do corredor e do futuro BRT é a NEXT Mobilidade, que também recebeu do Governo do Estado de São Paulo a operação de 111 linhas metropolitanas (EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) na região do ABC e que circulam fora de corredor.
O modelo de contratação chegou a ser questionado judicialmente porque não foi licitado. O STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu, porém, que a concessão é legal por se tratar da prorrogação de um contrato que já tinha sido licitado (do corredor ABD, de maio de 1997), em troca de investimentos com o mesmo objeto: serviço por ônibus.
A nova contratação foi assinada em 2021, engloba valores totais de R$ 22,6 bilhões e vai até 2046.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
