Atração de novos passageiros para o transporte público foi destaque no Arena ANTP

Painel contou com a participação de importantes articuladores do setor

ALEXANDRE PELEGI

O “Arena ANTP 2023 – Congresso de Mobilidade Urbana”, considerado um dos mais importantes eventos do setor no país, aconteceu entre 24 e 26 de outubro deste ano com relevantes discussões sobre o transporte público brasileiro.

A atração de novos passageiros para o transporte coletivo foi um dos destaques, hoje um dos grandes desafios.

Pesquisa recente da CNT – Confederação Nacional do Transporte mostrou que houve redução de 24,4% de passageiros entre 2019 e 2022, com perda de 8 milhões de viagens por dia. Em 2019 eram 33 milhões de viagens e esse número caiu para 25 milhões.

O assunto foi discutido no painel “Como estabelecer um sistema de transporte coletivo mais atrativo e sustentável”, que aconteceu no dia 26 de outubro, às 10h, na Arena 4.

Comandado por Fabio Juvenal Ferreira, CEO da Empresa 1 — importante player no segmento de tecnologia e referência em soluções para a mobilidade urbana, o painel revelou estratégias para, além de trazer de volta o passageiro, fidelizar os que se mantém usuários do transporte público.

Importantes nomes do setor, como Beatriz Brito (Sanjotur), Bruno Santana (Grupo CSC), Juliana Arantes (Consórcio Fênix), Márcio Roberto Pacheco (Guarupass), Paulo César Barroso (Sindiônibus) e Paulo Henrique Wagner (Grupo JTP), participaram da conversa.

Para o CEO da Empresa 1 a meta é discutir e pensar o futuro do setor. “Nosso objetivo é ser parceiro do setor de transporte. Para isso, é preciso compreender todo o ecossistema que envolve o nosso cliente direto, que são os operadores e o setor público. Por isso, optamos, este ano, por debater o que podemos fazer para trazer o passageiro de volta e tornar o setor sustentável. Sabemos que o transporte público é uma necessidade e não um desejo da população. Queremos inverter essa lógica, mostrando os benefícios do transporte público e como o passageiro consegue encontrar ali algo que seja eficiente e viável, proporcionando melhor qualidade de vida para quem usa”.

Um dos casos apresentados durante o debate foi o de Fortaleza (CE), por Paulo César Barroso, do Sindiônibus. Barroso explicou que a bilhetagem eletrônica na capital cearense possibilitou a criação de soluções personalizadas, peculiares às particularidades do município. “Criamos um bilhete único — em duas horas o usuário pode usar quantos ônibus desejar — e, em um curto espaço de tempo, aumentamos as integrações e em quase 6% o número de passageiros”, ressaltou. Ele destacou ainda que isso foi possível graças ao uso de tecnologia, que possibilitou a previsibilidade das viagens e o monitoramento da frota, reforçando o conceito de segurança. “Sentimos a diferença a partir do momento que passamos a ter soluções integradas e digitais para os passageiros. De quatro meses para cá, o sistema passou a se pagar”, completa.

Juliana Arantes, do Consórcio Fênix, colocou a tecnologia como essencial para que os passageiros possam organizar sua jornada no transporte público. “A tecnologia nos permitiu uma comunicação em tempo real com os carros e a bilhetagem eletrônica trouxe incentivos e benefícios aos passageiros, além do mais importante: uso dos dados de forma transparente para oferecer benefícios aos usuários”, comenta. Juliana explica que, em Florianópolis, esse recurso foi capitaneado pelo poder público, com uma comunicação muito ampla, desde questões conceituais até sustentabilidade, segurança, descontos, uso do app que agrega informações para os passageiros.

Com uma frota de 600 veículos convencionais, no modelo de subcontratação e gestão do transporte público de Guarulhos (SP), Márcio Roberto Pacheco, da Guarupass, diz que a empresa transporta cerca de 430 mil pessoas diariamente. “A tecnologia é um fato extremamente relevante para o nosso negócio. Os passageiros voltaram, a frota aumentou e precisamos melhorar a nossa experiência do usuário. A transparência é essencial para a nossa gestão e para estabelecer uma relação justa. Guarulhos está na iminência de um projeto de metrô e vemos inúmeras oportunidades”.

Já para Bruno Santana, do Grupo CSC, há boas iniciativas no setor de transporte, porém ainda são poucas: “O grande desafio é como vamos criar essas novas habilidades sem desequilibrar a conta de hoje. Temos um tripé a ser trabalhado: governo, empresas e população. Temos que ter capacidade, criatividade e resiliência para influenciar no governo e na sociedade”.

O debate avançou e apontou que outros pontos devem ser levados em consideração.

Beatriz Brito, da Sanjotur, por exemplo, acredita que o investimento em comunicação é uma questão que necessita ser mais trabalhada. “A comunicação não é um item que está composto na nossa planilha de gastos, temos que buscar uma forma de minimizar os custos e informar mais. A comunicação é, realmente, um desafio muito grande para o nosso setor”.

Paulo Henrique Wagner, do Grupo JTP, enfatizou a importância das iniciativas locais. “Devemos começar a nos preocupar a mudar a cara do transporte coletivo junto com a ANTP. Temos muitos benefícios que poderiam ser abordados junto aos empresários do setor”, reflete.

Na plateia, empresas, representantes de órgãos públicos e articuladores do setor perceberam as múltiplas questões a serem consideradas. “O debate foi muito enriquecedor, pois os participantes trouxeram diversas perspectivas que agregam essa discussão sobre mobilidade e como melhorar o acesso ao transporte público, além de soluções. E é isso o que precisamos: novas ideias, novos conceitos e revisitar modelos de negócios que estão ultrapassados”, destacou André Dantas, superintendente de Mobilidade da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que acompanhou de perto a discussão.

O Arena ANTP, que acontece a cada dois anos, completou sua 22ª edição e também teve na pauta debates importantes e temas como: novas formas de contratação dos serviços de transporte público, o sistema único de mobilidade urbana e a reintrodução do debate da Tarifa Zero. Assuntos como a conquista da ampliação de subsídios públicos em várias cidades brasileiras e o início da formulação de planos de negócio para a introdução da eletromobilidade no transporte público também integram as discussões propostas pelo encontro.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes|

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