Semove lança o carbonômetro, ferramenta digital que mostra os benefícios do transporte sustentável no Rio de Janeiro
Publicado em: 18 de outubro de 2023
Ferramenta contabiliza gás carbônico não emitido pelo usuário do transporte público
ALEXANDRE PELEGI
A Semove, entidade que representa 184 empresas de ônibus em todo o Estado do Rio de Janeiro, está lançando um contador digital para demonstrar o quanto o transporte público beneficia o meio ambiente e a saúde da população.
Trata-se de uma ferramenta que vai medir a cooperação ambiental de cada cidadão em seus deslocamentos na Região Metropolitana da capital fluminense.
De acordo com a entidade, cada passageiro que utiliza ônibus de linhas municipal e intermunicipal tem contribuído significativamente por um transporte mais sustentável no Estado.
“Ao permanecer no transporte coletivo e não optar pelo individual, ele evita em até oito vezes mais a emissão individual de gás carbônico (CO²), de acordo com estudo do IPEA, uma das mais importantes instituições de pesquisa do Brasil”, diz comunicado da Semove.
O “carbonômetro” é uma nova ferramenta automatizada que contabiliza o gás carbônico (CO²) não emitido pelo usuário de ônibus ao utilizar o transporte público em vez do transporte individual.
Ao calcular os índices de emissões por quilômetro/passageiro comparando ônibus e automóvel, o IPEA descobriu que a liberação de CO² por passageiro é oito vezes maior em carros particulares do que nos coletivos. “Um alerta a cada morador sobre as consequências das suas escolhas em relação ao modo como se deslocam pelas cidades”, diz a associação das empresas de ônibus.
Para promover o debate sobre este tema, a Semove participa, nesta quarta-feira, dia 18, do evento Cidades Verdes, na Firjan.
“Com o carbonômetro, é possível estimar a contribuição do sistema público de ônibus para reduzir a poluição atmosférica e, consequentemente, melhorar a saúde pública de todos os moradores. Levando em conta a taxa final de emissão por litro de diesel e o consumo anual do combustível pelos ônibus, se pode afirmar que mais de 10,5 milhões de toneladas de gás carbônico não são lançadas no ar devido à utilização do transporte coletivo”.
O carbonômetro é um temporizador digital disponível no site da Semove, com o número total de emissões evitadas de CO².
Para ficar mais claro o impacto da ação de cada passageiro de ônibus no meio ambiente, a Semove destaca o conceito de áreas verdes preservadas, em que o CO² não lançado na atmosfera é equivalente ao plantio de mudas nativas da Mata Atlântica.
“Desta forma, a quantidade de emissões de gás carbônico que são evitadas com o uso do transporte público e não do transporte individual é equivalente a uma área oito vezes maior que o Parque Nacional da Tijuca”, relaciona a entidade.
Para o gerente de Planejamento e Controle da Semove, Guilherme Wilson, a proposta é conscientizar a sociedade sobre a importância de valorizar o transporte público por ônibus. “Além da inclusão social que promove, o setor colabora consideravelmente para a preservação ambiental e a melhoria da saúde pública ao evitar a emissão de milhões de toneladas de gás carbônico todos os anos, o que reafirma o caráter de serviço público essencial para a sociedade”, afirma Wilson.
TEMPORIZADOR DIGITAL
Os benefícios ambientais do transporte público levaram a Semove a permitir ao passageiro a possibilidade de verificar sua própria contribuição com base em seus deslocamentos regulares, seja para trabalho, estudo ou lazer.
É um contador que levará em consideração o meio de transporte utilizado (moto, carro ou ônibus) e a distância indicada no trajeto selecionado.
O resultado da simulação pode ser favorável ou não ao meio ambiente, representado por árvores preservadas ou cortadas.
A consulta sobre a contribuição individual ou coletiva dos passageiros ao meio ambiente pode ser realizada no site da Semove (https://semove.org.br). Lá, estão disponibilizadas informações sobre a quantidade de emissões evitadas, que é atualizada diariamente, a sua equivalência na preservação de mudas da Mata Atlântica e a metodologia utilizada para a criação do carbonômetro. A proposta é simples e direta: quanto maior for o número gerado pelo contador digital, maior será a utilização do transporte público pela população, trazendo benefícios indiscutíveis para toda a sociedade.
Guilherme Wilson conclui ressaltando que o momento é de repensar a utilização do transporte individual, mesmo o oferecido por aplicativos, devido ao impacto negativo que gera no meio ambiente. “Defendemos o uso inteligente do automóvel. Se cada um trocar o carro particular pelo ônibus, seja uma ou duas vezes por semana, a contribuição para a redução da poluição e melhoria da saúde pública será significativa e benéfica para todos. Queremos aumentar gradualmente o número gerado pelo carbonômetro, o que representaria o engajamento da população para a evolução da mobilidade urbana das cidades”, completa.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


