Ícone do site Diário do Transporte

Falta motoristas de ônibus na Europa: mais de 80% das operadoras enfrentam graves dificuldades para preencher cargos

O motorista sumiu!!!

Escassez desse profissional preocupa e deve piorar; estimativa é que vagas em aberto devem mais do que duplicar em cinco anos, chegando a 275 mil

ALEXANDRE PELEGI

Num ambiente de crise econômica o mundo se defronta com um paradoxo: há excesso de vagas para quem quer atuar no transporte público como motorista de ônibus.

No Brasil a escassez desse tipo de profissional já foi relatada por entidades do setor, como a Abrati e a CNT, mas agora se vê que o problema atinge outros países, como na Europa.

Um relatório recentemente divulgado pela IRU – União Internacional dos Transportes Rodoviários, mostra a situação preocupante das empresas operadoras, que atualmente enfrentam graves dificuldades para preencher esses cargos.

De acordo com o estudo, o problema atinge mais de 80% das empresas de ônibus na Europa. O relatório calcula que a escassez aumentou 54%, o que representa que atualmente estão vagos 105 mil postos de condutor, 10% da população total de motoristas profissionais.

A situação preocupa, porque ao invés de ser algo momentâneo, a estimativa é que a escassez dessa mão-de-obra mais que duplicará em cinco anos, atingindo 275 mil vagas em aberto.

Essa previsão ruim no médio prazo tem um motivo: o trabalho informa que 1,2 milhões de motoristas de ônibus irão se aposentar nos próximos cinco a dez anos, enquanto a taxa de novas contratações será significativamente mais baixa.

Se a Covid afetou a demanda de passageiros e causou crise aguda no transporte coletivo urbano e rodoviário, após a pandemia os efeitos mudaram de sinal: sobram empregos. Isso porque com o crescimento do setor dos ônibus com a retomada das viagens aumentou a procura por motoristas.

Na Europa o problema é particularmente grave no caso dos ônibus regionais, do transporte regular de longa distância e dos ônibus de turismo.

Para o Secretário Geral da IRU, Umberto de Pretto, há uma explicação para o déficit de condutores, que tem levado as empresas de transporte em toda a Europa a interromper serviços por falta de motoristas. “A escassez de motoristas de ônibus aumentou 54% desde o ano passado, mas o que é ainda mais preocupante é a baixa taxa de entrada de jovens na profissão em comparação com a elevada taxa de reforma dos motoristas mais velhos“, explica Pretto.

Em busca de profissionais, a Europa poderá facilitar a contratação de profissionais de outros países, facilitando o acesso aos postos vagos. Hoje apenas 5% dos motoristas que atuam na União Europeia são cidadãos de outros países. Para a IRU, o acesso à profissão de motorista qualificado deverá ser facilitado como uma forma de minimizar essa escassez.

Atualmente apenas 16% dos motoristas de ônibus na Europa são mulheres, porcentagem inferior à média do setor dos transportes (22%) e da população ativa (46%).

A profissão também espelha o envelhecimento da população: menos de 3% dos motoristas de ônibus no continente europeu têm menos de 25 anos, enquanto mais de 40% têm mais de 55 anos.

“A profissão de motorista de ônibus oferece a oportunidade de reduzir o desemprego juvenil e aumentar o número de trabalhadores essenciais. Os governos e a indústria devem trabalhar juntos para desarmar esta bomba-relógio demográfica”, ressaltou Umberto de Pretto.

A IRU é uma associação fundada há 75 anos em Genebra e que realiza parcerias com as Nações Unidas, a União Europeia e as instituições da Eurásia. Ela se dedica a impulsionar o progresso na indústria do transporte rodoviário. O organismo tornou-se com os anos a voz global do setor do transporte rodoviário comercial.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Sair da versão mobile