Diretor da CET de São Paulo é nomeado presidente interino até definição de novo chefe da companhia

Prefeitura havia anunciado o Hemilton Tsuneyoshi, mas ele é sócio numa empresa de consultoria do ex-presidente que foi retirado do cargo após ter perdido prazo para a implantação de faixa azul para motociclistas em mais vias

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo nomeou o atual diretor administrativo e financeiro da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Rafael de Oliveira, até a definição oficial do nome do novo presidente da empresa.

A informação foi confirmada oficialmente pela CET ao Diário do Transporte neste sábado, 26 de agosto de 2023.

Na quinta-feira (24), o prefeito Ricardo Nunes retirou do cargo de presidente, Jair de Souza Dias, que perdeu o prazo definido pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) para a implantação da faixa azul para motociclistas em mais vias da cidade. Por se tratar de uma sinalização nova em todo o País, é necessária esta autorização. Em trechos das avenidas dos Bandeirantes e da 23 de Maio, onde foram implantadas as faixas, o número de mortes de motociclista foi zerado.

No lugar de Jair de Souza foi anunciado o nome do engenheiro Hemilton Tsuneyoshi.

Tanto Souza como Tsuneyoshi são funcionários de carreira da companhia.

Oficialmente, a CET diz que a nomeação de um presidente interino ocorreu por questões relacionadas aos trâmites de transição para o cargo.

Mas repercutiu negativamente o fato de Jair de Souza e Hemilton Tsuneyoshi serem sócios desde 1997 numa empresa de consultoria voltada para trânsito e transportes, a Via Expressa Engenharia Limitada.

A prefeitura diz que desde 2019, a empresa não presta mais serviços, mas antes disso, atuava e ambos já eram diretores da CET.

O Diário do Transporte apurou que a empresa prestou serviços para companhias de ônibus da cidade, que têm contratos com a prefeitura de São Paulo e, mesmo que indiretamente, têm a atuação afetada pela CET, seja na aplicação de multas de trânsito e interferências em vias que desviam itinerários. Os mesmos grupos empresariais de ônibus de São Paulo atuam há décadas na cidade, ou seja, antes de 2019.

A prefeitura disse nesta sexta-feira (25), que Hemilton se afastaria do quadro societário da Via Expressa.

Apesar da alegação de que a empresa não atua desde 2019, no cadastro da Receita Federal, pesquisado pelo Diário do Transporte, a empresa está em situação ativa, ou seja, recolhe impostos e taxas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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