Mobilidade urbana deve ser um dos assuntos principais em retomada do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo
Publicado em: 15 de agosto de 2023
Apesar dos avanços tecnológicos que já possibilitam integrações entre diferentes sistemas de transportes, quem mora na Grande São Paulo ainda precisa ter vários bilhetes e pagar diversas tarifas para se deslocar
ADAMO BAZANI
Foi retomada nesta segunda-feira, 14 de agosto de 2023, a agenda de reuniões do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo, que reúne o governo do Estado e as 39 prefeituras da Grande São Paulo.
Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a meta é buscar ações conjuntas com as prefeituras para melhorar a aplicação de políticas públicas e ampliar a oferta de serviços estaduais e municipais em áreas como habitação, transporte, mobilidade urbana e saúde.
Foi eleito presidente do conselho, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
Segundo a prefeitura, a última reunião do grupo havia ocorrido em dezembro de 2019, ainda sob a presidência de Bruno Covas (1980-2021), então prefeito da capital. Após a morte de Bruno, o prefeito de Cotia, Rogério Cardoso Franco, assumiu a presidência do órgão.
Entre as prioridades para as próximas conversas, está o encaminhamento do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), uma exigência do Estatuto da Metrópole, lei federal sancionada em 2015 para todas as regiões metropolitanas e aglomerações urbanas no Brasil, criadas ou que vierem a ser criadas.
O PDUI será encaminhado para análise e votação da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) ainda neste segundo semestre.
Segundo o governo do Estado, nas próximas reuniões, autoridades estaduais e municipais deverão elaborar propostas conjuntas para melhorias em setores prioritários, em especial o planejamento da ocupação urbana e alternativas para retirar famílias e comunidades de áreas de risco.
O Verão e suas chuvas fortes estão se aproximando e mais uma vez as moradias em encostas e áreas de alagamento voltam a preocupar.
A Mobilidade Urbana é outro tema que deve pautar as discussões. Além das indefinições sobre obras que atendem mais de um município, como corredores de ônibus, grandes avenidas e estações de trens (que dependem da intervenção municipal no entorno), um dos problemas é a falta de integração entre serviços de transportes municipais e estadual.
Apesar dos avanços tecnológicos que já possibilitam integrações entre diferentes sistemas, quem mora na Grande São Paulo ainda precisa ter vários bilhetes e pagar diversas tarifas para se deslocar.
Especialistas defendem a criação de uma Autoridade Metropolitana de Transportes para que rivalidades entre grupos empresariais de ônibus e partidárias entre prefeitos não estejam acima dos interesses da população, principalmente quanto às integrações entre diferentes transportes municipais.
Além disso, um melhor entendimento na gestão de linhas municipais e metropolitanas, evitando sobreposições, mas em contrapartida, oferecendo condições tarifárias e de infraestrutura para que os serviços se complementem com baldeações práticas, pode reduzir os custos da operação dos transportes e, como isso, as tarifas para os usuários.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

