VÍDEOS e FOTOS: Marcopolo apresenta o primeiro micro-ônibus que funciona sem motorista da América do Sul: Volare Attack 8

Veículo já está em testes e opera de forma completamente autônoma, sem a necessidade de intervenção ou monitoramento remoto; Diário do Transporte foi conferir de perto

LUANA COUTINHO/ADAMO BAZANI

O primeiro micro-ônibus autônomo da América do Sul, que funciona sem motorista e sem a necessidade de intervenção ou monitoramento remoto, foi apresentado de forma oficial em Caxias do Sul (RS) na manhã desta quarta-feira, 14 de junho de 2023.

O Diário do Transporte esteve no evento de apresentação para conferir como funciona o veículo e conversar com os responsáveis pelo projeto sobre as principais características e as estimativas de mercado.

O Volare Attack 8 autônomo é um projeto da Marcopolo por meio da Marcopolo Next, área responsável pela aceleração de projetos de inovação da empresa, em parceria com a Lume Robotics, companhia brasileira de mobilidade autônoma.

Ainda fazem parte da parceria a Curtis-Wright, responsável pela instalação da seletora elétrica de câmbio, e a Soha, especializada em Internet da Coisas (IoT), que desenvolveu sensores para monitorar em tempo real a ocupação das poltronas e o uso do cinto de segurança.

Diferentemente de outros veículos autônomos nas demais partes do mundo, como na Ásia e nos EUA, onde os modelos são elétricos, o protótipo brasileiro é movido a óleo diesel.

Segundo a Marcopolo e a Lume Robotics, o veículo foi projetado para operar em circuitos fechados, ou seja, em ambientes foram do trânsito comum, como dentro de empresas e universidades, por exemplo.

Os testes começaram em dezembro de 2022 ainda na fábrica e apenas com os engenheiros e demais técnicos envolvidos no projeto. Em março deste ano de 2023, houve mais um avanço nos testes, com a circulação dentro da siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, em Tubarão, município de Serra, na Grande Vitória (ES), que foi escolhida como “cliente-parceiro testador”.

A Marcopolo e a Lume Robotics informaram que se trata de um protótipo.

Foram dois anos de estudos e o projeto tem o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), do Governo do Estado do Espírito Santo.

Segundo a Marcopolo, ainda não há previsão de incluir veículos maiores como autônomos, a prioridade agora é seguir com micro-ônibus.

Em entrevista ao Diário do Transporte, o Chefe de Investimentos, Novos Negócios e Inovação da Marcopolo Next, Alexandre Cruz, explica que, por enquanto, não há previsão de veículos autônomos para rotas de longa distância. O início das operações acontece em ambientes controlados e com rotas específicas, isso em relação ao mercado, como um todo.

A Marcopolo segue com testes em ambientes fechados e desenvolvimento.

Cruz reforça que o foco da Marcopolo é o transporte de passageiros, mas a tecnologia autônoma tem avançado no transporte de cargas, principalmente no setor de mineração, já que os ambientes são regulados, controlados, em razão da própria natureza da operação, além da periculosidade e do custo de transporte para esse tipo de carga.

Ele explica que é necessário realizar um mapeamento prévio do trajeto a ser prosseguido pelo veículo, para conseguir um nível de segurança, em relação ao local onde o ônibus vai operar. Caso seja notada alguma obstrução no caminho, o veículo consegue fazer mudanças no trajeto.

No caso de algum problema mecânico ou situação como pneu furado, por exemplo, existe uma central de controle para prestar suporte ao veículo.

O chefe da Marcopolo Next explica ainda, que veículos com autonomia nível 5, considerado o ideal, conseguem rodar em ambientes não mapeados e com condições não previstas, performando em alto nível e sem a necessidade de intervenção, característica em comum com veículos de nível 4 de autonomia. A principal diferença é a necessidade de mapeamento prévio da rota a ser seguida.

Ele complementa, explicando que no nível 4, a operação sem intervenção humana é liberada, mas existem ainda questões de regulamentação, que determinam a presença humana nos veículos.

A produção comercial do ônibus autônomo depende ainda de desenvolvimento tecnológico, regulação e previsibilidade de demanda efetiva.

Os responsáveis pelo desenvolvimento do ônibus autônomo defendem que mais de 80% do projeto é nacional. O sistema de inteligência artificial utilizado foi totalmente desenvolvido no Brasil. E relação aos equipamentos, parte dos sensores que compõem o sistema ainda não são produzidos no país.

A pesquisa para realização também é 100% brasileira.

O MICRO-ÔNIBUS AUTÔNOMO:             

O protótipo de micro-ônibus autônomo foi desenvolvido em um Volare Attack 8 com capacidade para 21 passageiros em poltronas do modelo Executiva 875. O micro-ônibus tem cumprimento aproximado de 7,4 metros (7.385 mm)

Segundo a Marcopolo e a Lume, toda a parte tecnológica (hardware e software) é embarcada diretamente no veículo e dispensa a necessidade de conexão com a internet, “reforçando a segurança cibernética do protótipo, uma vez que todas as funções de condução são feitas sem acesso à internet”.

As empresas explicaram que foram instalados módulos de comando elétricos e pneumáticos para controlar a direção, freios, acelerador e cambio. O veículo conta ainda com um computador de processamento de dados e um conjunto de sensores – composto por quatro LiDAR (Light Detection and Ranging – Detecção e Medição de Distância por Luz), instalados nas laterais dianteira e traseira, uma câmera, unidade de medição inercial (IMU) e GPS – que possibilitam observar o ambiente ao redor, como velocidade instantânea, estado do câmbio, nível de combustível, possíveis falhas, entre outros. Todos os dados são passados para o computador de processamento de dados, que comanda o funcionamento do micro-ônibus.

O motor do veículo protótipo é um Cummins ISF3.8 Euro 5, a diesel, que rende 152 cavalos.

O câmbio é automático e o sistema de freios conta com acionamento pneumático com ABS.

A Marcopolo e a Lume ainda explicaram que o veículo é “autônomo nível 4”, considerado de automação é elevada.

A indústria segue cinco níveis de automação. Até o momento, ainda de acordo com as fabricantes, o nível 5, que é o máximo de condução autônoma, ainda não foi alcançado por nenhum veículo no mundo.

Seria o que se considera como ideal em automação e permitiria, por exemplo, a operação em trânsito comum.

Segundo a Marcopolo, não há previsão de incluir veículos maiores como autônomos, a prioridade é seguir com micro-ônibus.

Os executivos e técnicos no evento de apresentação com cobertura do Diário do Transporte, tecnologia de navegação, chamada Saving, é capaz de fazer a contagem de passageiros, monitorar o uso de cinto de segurança, tudo com tecnologia sem cabos

Essa tecnologia já é aplica, está em comercialização e foi adaptada ao veículo autônomo da Volare.

Ainda não tem previsão para início das operações, os executivos ressaltam que o veículo ainda está em fase de testes

Entre os mercados possíveis para o ônibus autônomo, são considerados o de carga e mineração, para entrada, porém a Marcopolo reforça que seu foco é o transporte de pessoas, o que torna o ramo de fretamento um caminho mais alinhado com a empresa.

O protótipo do Volare Attack 8 autônomo é capaz de:

– Identificar obstáculo estático ou em movimento;

– Ajustar a velocidade para garantir segurança

– Identificar semáforos e pessoas na faixa de pedestre

– Identificar animais, inclusive de pequeno porte; buracos, lombada e outros obstáculos baixos

– Para segurança, um aplicativo de celular faz monitoramento remoto por meio de uma central

Ficha técnica:

Comprimento: 7.385 mm

Capacidade: 21 passageiros em poltronas do modelo Executiva 875

Motorização: Cummins ISF3.8 Euro 5

Potência: 152 cv

Câmbio: automático

Sistema de freios: acionamento pneumático com ABS

OPORTUNIDADES DE MERCADO:

A Marcopolo visualiza como oportunidades iniciais de mercado para este ônibus, serviços de fretamento em circuito fechado, como dentro de fábricas e universidades, por exemplo.

O CEO da Marcopolo, André Vidal Armaganijan, disse que a direção autônoma é tendência na indústria automotiva.

“Na companhia, olhamos atentamente para o futuro da mobilidade e buscamos atuar com tecnologias de ponta, identificando oportunidades de mercado, novas áreas de ação e inovações. Além de ser uma tendência, uma vez que os veículos de passeio já avançam para direção autônoma, acreditamos ser uma alternativa moderna e eficaz”

O diretor executivo da Lume Robotics, Rânik Guidolini, considera que o Marcopolo Volare Attack 8, coloca o Brasil numa espécie de grupo seleto de países que investem no desenvolvimento de veículos autônomos.

“Graças à parceria da Lume e a Marcopolo, o Brasil se coloca entre o seleto grupo de países que dominam a tecnologia. Estamos falando de um projeto capaz de entregar ganhos de segurança e eficiência operacional aos sistemas de mobilidade”

O diretor de estratégia e transformação digital da Marcopolo, João Paulo Ledur, disse que ainda serão necessários outros testes para a viabilização do modelo de forma comercial.

“Por estarmos em uma fase de estudos, acreditamos que ainda existem aspectos a serem desenvolvidos, tanto na experiência de uso dos veículos, quanto na percepção de segurança do passageiro e na conexão e interação do micro-ônibus com o ambiente externo. Ainda serão realizados novos testes e pesquisas para que, no futuro, o modelo seja uma realidade para o mercado”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e Luana Coutinho para o Diário do Transporte

Colaborou Arthur Ferrari

A repórter Luana Coutinho viajou a convite na Marcopolo

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Comentários

Comentários

  1. Ricardo disse:

    Não quero veículos autônomos nunca! Emprego já é difícil, e ainda ficam criando tecnologias pra acabar com os motoristas também? Lamentável. 😔

    1. Djavan disse:

      É a tendência, isso faz com que muitas empresas necessitem de mão de obra qualificada, e quem serão essas mãos de obra poderiam ser os próprios motoristas desde que busquem a qualificação..Outro ponto é a classe estaria se preparando, no meu ponto de vista não,muitos nem ensino fundamental completo tem,entra naquele cargo e ficam até se aposentar, isso quando não morrem..

  2. Regis Campos disse:

    E o ser humano vai se tornando cada vez mais dispensável.

  3. Juliano disse:

    As empresas e o governo tem investir no ser humano,não em máquinas que faz as pessoas serem dispensáveis.

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