Empresa da família Constantino esteve em encontros com autoridades do governo do Estado de Rio de Janeiro para discutir o negócio, confirmam fontes do Diário do Transporte
ALEXANDRE PELEGI
O Grupo Comporte, ligado à família do empresário Constantino de Oliveira, fundadora da Gol Linhas Aéreas e um dos maiores frotistas de ônibus do País, está de olho na concessão da SuperVia, responsável pelo sistema de trans metropolitanos do Rio de Janeiro.
Fontes ouvidas pelo Diário do Transporte nesta sexta-feira, 05 de maio de 2023, confirmam que ao menos um encontro sobre o assunto ocorreu nos últimos dias, envolvendo o governador Cláudio Castro e seu grupo.
O interesse ocorre poucos meses após o Grupo da família Constantino arrematar em leilão a concessão do Metrô de Belo Horizonte, negócio que envolve investimentos de cerca de R$ 3,6 bilhões ao longo de 30 anos do contrato. (Relembre)
Na área de trilhos, o Grupo Constantino atua no VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, por meio da empresa BR Mobilidade.
Como mostrou o Diário do Transporte, no fim de abril deste ano Masato Kaneko, da japonesa Mitsui, controladora da SuperVia, formalizou ao governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, a desistência da concessão do sistema de trens metropolitanos.
No encontro com o governador, a Mitsui reafirmou sua impossibilidade de aportar mais recursos na operação, e anunciou que encerrará a operação do sistema até o fim deste ano. (Relembre)
O prazo da concessão da Supervia é de 25 anos e vence em outubro de 2023, e poderia ser renovada por mais 25 anos, o que foi possibilitado por um aditivo na época do Governador Sergio Cabral que estipulou uma série de investimentos em troca da prorrogação. O governo do Estado, no entanto, alega que o grupo não cumpriu com sua parte do acordo, ao não realizar os investimentos combinados.
A solução mais demorada seria a relicitação do sistema de trens do Rio de Janeiro, o que exigiria a abertura de novo processo legal.
Outra possibilidade seria o Grupo Comporte comprar a participação do Mitsui, e assumir o controle da concessão, mas ainda restam dúvidas sobre a prorrogação do prazo, e de que maneira o negócio seria realizado.
Uma das dúvidas refere-se aos altos investimentos que a empresa da família Constantino tem pela frente com a recente vitória no leilão do Metrô de Belo Horizonte. Outra dúvida é quanto às dívidas contraídas pelo Mitsui à frente da concessão, e a falta de investimentos.
A possibilidade de outras empresas se consorciarem ao Grupo Comporte não está descartada, como forma de viabilizar o negócio e alavancar os pesados investimentos necessários para recuperar o sistema, que se encontra degradado.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
