Segundo entidade, veículos estão mais lotados e viagens devem ser feitas em tempo menor, o que resulta em estresse maior de motoristas e passageiros e em mais acidentes
ADAMO BAZANI
Representantes do sindicato que representa os motoristas de ônibus da cidade de São Paulo pediram para a SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia os ônibus municipais, ampliação da frota em circulação.
O encontro entre os dirigentes sindicais e a prefeitura ocorreu na última sexta-feira, 14 de abril de 2023, quando também foi entregue cópia da campanha salarial deste ano apresentada às empresas de ônibus.
A própria SPTrans admite que a frota de ônibus em circulação é menor que antes da pandemia, mas segundo a gerenciadora, está proporcionalmente maior que a demanda de passageiros.
Para o Sindmotoristas, a quantidade de ônibus interfere diretamente na segurança dos usuários. Segundo a entidade, em nota, os veículos estão mais lotados e asviagens devem ser feitas em tempo menor, o que resulta em estresse maior de motoristas e passageiros e em mais acidentes.
Além dos cursos de reciclagem e treinamentos, o sindicato defende urgentemente o aumento da frota de ônibus na cidade de São Paulo, uma vez que os motoristas cumprem uma jornada diária de trabalho estressante e no limite. Ainda, há de considerar que não há número suficiente de trabalhadores na reserva. – diz nota do sindicato que também sugeriu que a SPTrans faça um levantamento criterioso das linhas mais críticas.
No dia 06 de abril de 2023, o presidente do SindMotoristas, sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista, Cristiano Porangaba (Crizinho), em entrevista ao Diário do Transporte, disse que após a redução da frota de ônibus na cidade de São Paulo, com a pandemia de covid-19, os motoristas estão sendo obrigados a fazer percursos com a mesma extensão, mas em um tempo maior. Com isso, conduzem mais estressados, precisam ficar menos tempo parados e correr mais.
“Antigamente, antes da pandemia, tínhamos linhas que a empresa dava uma hora para ir. Agora, são 50 minutos, cortou 10 minutos. Este problema de menor intervalo entre um ponto final e outro está fazendo os motoristas excederem um pouco mais a velocidade no viário, correndo mais risco de desenvolver acidentes. Dependendo da faixa horária, em média na cidade, os percursos dos ônibus devem ser feitos com 15 ou 20 minutos menos” – disse.
A SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema de ônibus da cidade, negou na ocasião que os motoristas têm menos tempo para fazer os mesmos percursos.
A SPTrans programa cada linha da cidade considerando critérios técnicos como demanda de passageiros e tempo de viagem. As linhas podem ser e são ajustadas conforme a necessidade é detectada. Desta forma, a afirmação trazida não procede. Além disso, é exigido de todos os profissionais conduta exemplar no que diz respeito à segurança viária e direção defensiva.
Relembre:
No dia 04 de abril de 2023, a gestora anunciou novo tipo de treinamento para os cerca de 30 mil motoristas de ônibus a partir de 17 de abril. Ao todo, serão 24 horas de capacitação divididas em três módulos de oito horas cada, com conceitos de prevenção de acidentes, relacionamento com idosos, pedestres e ciclistas, além de noções de cidadania e dos atuais contratos que regem a concessão dos coletivos.
Relembre:
O Diário do Transporte tem recebido reclamações de passageiros sobre falta de ônibus e redução de frota em relação ao período de antes da pandemia.
No Jabaquara, zona Sul de São Paulo, a SPTrans reviu a programação de frota e aumentou a quantidade de ônibus em oito linhas após a reportagem exibir as reclamações dos usuários.
As novas tabelas entram em vigor nesta segunda-feira (17).
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
