Transporte Público compromete 15% da renda do brasileiro em média, diz levantamento
Publicado em: 13 de abril de 2023
Plataforma de tecnologia comparou média de valores de tarifas com ganho das famílias. Preço da passagem desestimula uso do transporte coletivo, segundo dados
ADAMO BAZANI
O transporte público no Brasil compromete, em média, 15% da renda do cidadão.
É o que aponta um levamento divulgado nesta quinta-feira, 13 de abril de 2023, pela plataforma de descontos online Cuponation, que comparou média de valores de tarifas com ganho das famílias.
De acordo com os dados, as mudanças de hábitos de deslocamento a partir da pandemia de covid-19 e, principalmente, o alto valor das passagens fizeram com que a quantidade de passageiros nos ônibus, trens e metrôs caísse de uma forma geral.
Somente em São Paulo, entre 2019 (pré-pandemia) e 2022, a redução foi em torno de 34%.
Como mostrou o Diário do Transporte, especialistas dizem que as tarifas de transportes públicos apresentam uma contradição: são caras para o passageiro que paga, mas insuficientes para custear os sistemas.
Entidades como a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) e NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) discutem a criação de um “novo marco legal” para o transporte coletivo, para que os serviços dependam menos das tarifas e possam obter mais receitas extra-tarifárias. Para isso, os modelos de contratos precisam ser renovados, bem como haver uma maior participação do Governo Federal no custeio do transporte público, como com o financiamento de gratuidades para pessoas com 65 anos ou mais, que são previstas em lei federal.
O Ministério do Desenvolvimento Regional realizou até 27 de fevereiro de 2023 uma consulta pública e agora estuda as sugestões.
Relembre:
NÃO É O MAIS CARO, MAS ESTÁ ENTRE OS QUE MAIS PESAM:
Segundo pesquisa da companhia alemã de dados Numbeo, que realiza anualmente um estudo sobre o valor do ticket único do transporte público ao redor do mundo, de 100 países, o Brasil aparece na 49ª posição este ano, cobrando em média R$ 4,80 por cada passe de ida.
A empresa explica que levando em conta um trabalhador que usa apenas dois bilhetes no dia, sendo um para ir ao trabalho e um para voltar para casa, durante 20 dias úteis de trabalho, este cidadão gasta em média R$ 192 mensalmente com os veículos públicos – o que representa quase 15% do salário mínimo brasileiro atual de R$1.320, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A projeção leva em conta um cenário no qual a pessoa trabalha apenas de segunda a sexta-feira e que não precisa utilizar mais de duas tarifas ao longo do trajeto casa-trabalho.
A pessoas que pagam mais caro para andar de transporte público são os moradores da Suíça, desembolsando quase R$20 a cada rota.
Ocupando o segundo e terceiro lugares da lista, a Noruega e a Holanda cobram R$19.32 e R$18.58, respectivamente, a cada bilhete vendido. Exigindo apenas R$1 e R$0.96 pelo mesmo passe, o Cazaquistão e o Nepal ficaram em penúltimo e último lugar no ranking, nesta ordem. – diz a Cuponation, em nota.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


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