Metroviários de BH decidem suspender greve de mais de um mês na segunda (20)

Sindicato chegou a ir até Brasília contra privatização

Categoria quer que BNDES adie aprovação de assinatura de contrato com o Grupo Comporte que venceu o leilão de concessão do sistema

ADAMO BAZANI

O Sindicato dos Metroviários de Belo Horizonte e região metropolitana decidiram voltar ao trabalho na segunda-feira, 20 de março de 2023, após assembleia realizada nesta sexta-feira (17).

A categoria quer que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) adie a autorização de transferência da operação do sistema da estatal federal CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) para o Grupo Comporte, da iniciativa privada.

A assinatura do contrato de concessão estava marcada para o dia 10 de março de 2023, o que não ocorreu.

Com a garantia do adiamento, os trabalhadores querem ganhar tempo para conseguirem estabilidade por tempo maior para os 1,6 mil empregos em Minas Gerais.

Caso não haja uma resposta positiva às reivindicações por parte do BNDES até o dia 24 de março, uma nova paralisação não está descartada.

HISTÓRICO:

A greve dos metroviários de BH começou em 14 de fevereiro de 2023, mas antes já ocorreram outras paralisações contra a concessão.

A volta ao trabalho ocorreu apenas no dia 20 de março de 2023, quando, o passageiro ainda sentiu dificuldades por causa de furto de cabos que deixou lentas as operações em diversos trechos, principalmente entre as estações Cidade Industrial e José Cândido. Em alguns pontos, as composições não ultrapassam a 25 km/h.

O TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais) determinou o bloqueio total das contas bancárias de responsabilidade do Sindimetro-MG (Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais). A decisão judicial atende a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).

A Justiça determinou ainda frota mínima de 70%, e equipe de segurança atuando em 100% das jornadas.

A multa diária por descumprimento foi fixada em R$ 100 mil, sendo elevada para R$ 150 mil entre os dias 17 e 22 de fevereiro por ser Carnaval, quando os deslocamentos se intensificaram.

A CBTU protocolou pedido na Justiça no dia 17 de fevereiro de 2023, elevação da multa diária para R$ 1 milhão.

O motivo é o mesmo: os trabalhadores são contra a privatização o sistema de metrô de BH e região metropolitana.

Como mostrou o Diário do Transporte, o leilão de concessão do Metrô de Belo Horizonte ocorreu no dia 22 de dezembro de 2022 e as operações foram concedidas ao Grupo Comporte Participações S.A. que ofereceu o único lance e arrematou por R$ 25,75 milhões (R$ 25.755.111,00), a concessão por 30 anos do Metrô de Belo Horizonte, atualmente sob responsabilidade da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos). O ágio foi de 33% aproximadamente em relação ao valor mínimo do edital.

O Grupo é ligado à família do empresário Constantino de Oliveira, fundadora da Gol Linhas Aéreas e um dos maiores frotistas de ônibus do País, com empresas de ônibus rodoviários como Expresso União – Patrocínio/MG; Viação Piracicabana – Piracicaba/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Princesa do Norte – Santo Antônio da Platina/PR; Penha – Curitiba/PR; Expresso Maringá – Maringá/PR; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; Expresso Caxiense – Caxias do Sul/RS; e urbanos, suburbanos e metropolitanos como Viação Piracicabana – Santos/SP; Viação Piracicabana – Praia Grande/SP; BR Mobilidade Baixada Santista – Ônibus Intermunicipais e VLT – São Vicente/SP; Expresso Maringá do Vale – São José dos Campos/SP; Joseense Transportes – São José dos Campos/SP; Princesa do Norte Mogi das Cruzes – Mogi das Cruzes/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Viação Luwasa – Catanduva/SP; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso Itamarati – Votuporanga/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; TCGB – Transporte Coletivo Grande Bauru – Bauru/SP; Cidade Verde Transporte Rodoviário – Sarandi/PR; TCCC – Transporte Coletivo Cidade Canção – Maringá/PR; VAL – Viação Apucarana – Apucarana/PR; BluMob – Blumenau/SC; Viação Piracicabana – Brasília/DF; Viação Pioneira LTDA – Brasilia/DF; Empresa de Transportes Líder – Uberaba/MG; Viação São Geraldo Sacramento – Uberaba/MG, entre outras em sociedade ou de controle único.

Na área de trilhos, o Grupo Constantino atua no VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, por meio da empresa BR Mobilidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/12/22/grupo-comporte-da-familia-de-constantino-de-oliveira-arremata-concessao-do-metro-de-belo-horizonte/

O contrato com a Comporte Participações, gigante do setor de ônibus urbanos e rodoviários, deveria ter sido assinado em março. O Sindimetro-MG quer que o processo de concessão seja anulado, mas na impossibilidade, pede mais garantia de permanência no emprego dos 1,6 mil funcionários atuais.

A categoria pediu uma resposta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) responsável por dar garantias de financiamento e autorizar a transferência do sistema para a iniciativa privada.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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