Governo Federal decide nesta sexta (17) aumentar gradualmente mistura de biodiesel no diesel; Empresas de ônibus reclamaram

Mistura será de 12% a partir de abril até chegar a 15% em abril de 2026

ADAMO BAZANI

O Governo Federal decidiu nesta sexta-feira, 17 de março de 2023, retomar a política de aumento da mistura de biodiesel ao óleo diesel, que havia sido interrompida em 2021 na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como uma tentativa de reduzir os impactos dos aumentos do combustível usado no Brasil, principalmente por ônibus e caminhões.

A mistura chegou a ser de 13%, mas foi reduzida novamente para 10% nesta tentativa de política de preços.

Em reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), formado por 16 ministros e técnicos, que contou com a participação do presidente Luís Inácio Lula da Silva, foi definido o seguinte cronograma até chegar a 15% de mistura em abril de 2026.

  • B12 – 12% em abril de 2023
  • B13 – 13% em abril de 2024
  • B14 – 14% em abril de 2025
  • B15 – 15% em abril de 2026

O percentual estabelecido na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) previa índice de 15% a partir de março de 2023, o que foi interrompido por Bolsonaro.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse após a reunião que a estimativa é de aumento de um centavo para cada 1% a mais de biodiesel no preço do litro do combustível.

Assim, o aumento deve ser de dois centavos a partir de abril, quando o percentual passará de B10 – 10% para B12 – 12%.

Entretanto, os técnicos da área econômica dizem que em médio prazo há a possibilidade de o preço final ao consumidor ficar menor do que a mistura B10, porque diminuirá a dependência do Brasil em importar óleo diesel.

Somente neste ano de 2023, é prevista redução da importação de 1,3 bilhão de litros de óleo diesel.

O ministro, que é presidente do CNE, ainda estima que a produção nacional de biodiesel passe dos atuais 6,3 bilhões de litros para mais de 10 bilhões de litros por ano até 2026, com o aumento gradual da mistura.

Isso significa, segundo Silveira, mais emprego e recursos para a agricultura brasileira em vez de dinheiro para produtores internacionais de petróleo.

Além disso, a maior mistura de biodiesel, segundo o CNE, vai proporcionar reduções de emissões de poluição sem afetar o funcionamento dos motores de ônibus e caminhões.

O Diário do Transporte mostrou que as empresas de ônibus reclamam da medida e emitiram no dia 15 de março de 2023, um comunicado dizendo que o preço maior do combustível impactaria nos custos operacionais das viações.

Foi assinada uma carta pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), CNT (Confederação Nacional do Transporte) e outras entidades que reúnem donos de empresas de transportes.

Na nota, o presidente executivo da NTU, Francisco Christovam, diz que a entidade apoia a descarbonização, mas critica o biodiesel brasileiro.

“O tipo de biodiesel produzido hoje no Brasil, de base éster, gera muitos problemas, quando misturado ao diesel regular em quantidades mais elevadas, como a formação de borra no motor, com alto teor poluidor, além de danificar os componentes mecânicos. O que parece uma solução, na verdade pode piorar bastante a questão ambiental. E há o problema do custo mais elevado, que vai pressionar a tarifa do transporte”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/03/15/empresas-de-onibus-reclamam-que-elevacao-do-biodiesel-ao-diesel-vai-aumentar-os-custos-de-operacao/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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