HISTÓRIA: Uma homenagem a George André, considerado o defensor dos transportes públicos e do meio ambiente em Jundiaí (SP)
Publicado em: 11 de março de 2023
Fotos, estudos, relatos de linhas e do desenvolvimento dos setores de ônibus e de ferrovia marcaram parte do trabalho do “Escritor Piloto” que morreu na quarta (08)
ADAMO BAZANI
Técnico em Administração e Meio Ambiente, George André Savy, se destacou como palestrante, escritor e memorialista da área de transportes coletivos.
Foram livros, milhares de fotos e palestras que marcaram a obra do pesquisador de Jundiaí, no interior paulista, que sabia dosar bem a medida entre paixão e técnica e entre o amor pela história e a importância de estar antenado com os fatos atuais, muitas vezes por mais desagradáveis que possam ser.
Na última quarta-feira, 08 de março de 2023, com apenas 55 anos de idade, George André morreu vítima de um câncer.
A perda deixou os amigos e admiradores do trabalho em choque.
Um deles, o também pesquisador e memorialista de transportes, Mario dos Santos Custódio, lembra das longas conversas sobre ônibus e também sobre a vida que tinha com George André
“Eu conversava bastante com ele e trocávamos figurinhas em relação à vida e ao tema ônibus. Certa vez estive em Jundiaí a prestigiar o lançamento de um livro dele. Foi muito interessante. Ele escrevia muito bem. Mas, são os desígnios de Deus, que só conhecemos em parte na História da Salvação”. – escreveu emocionado, Mario Custódio.
Ainda no segmento de transportes, um dos trabalhos que mais marcaram foi um livro chamado “A Evolução do transporte de passageiros por ônibus em Jundiaí e região”, com informações e fotos que viraram referência de pesquisa não só em mobilidade na região, como também da memória geral, uma vez que a história dos transportes se confunde e integra com a história de uma cidade, Estado e de um País.
Desde 2018, George escrevia para o jornal local “Jundiaí Agora”.
Dos amigos, ele recebeu o apelido de “Escritor Piloto”.
A razão do apelido, ele mesmo explicou em seu portal pessoal.
André Piloto é o nome literário de George André. O nome piloto foi sugestão de amigos, que chamavam-no de piloto de fuga quando dirigia. Nascido em Jundiaí nos anos de ditadura militar, viveu intensamente a pacata cidade da década de 70. Em sua opinião, a melhor época para curtir os centros de nossas grandes cidades foi de 74 a 78. Depois veio a decadência. Descobriu o dom de escritor (e também as lições de oratória) na 5ª série ginasial, com o Professor Celso. Desde então, escreveu inúmeras estórias, sempre com personagens baseados em seus colegas, vivendo situações absurdas, fantasiosas. A partir de 1986, iniciando curso de Administração num colégio particular, conheceu o lado frio da sociedade e do mundo político. O gosto pela realidade e as questões sociais se firmou mais precisamente em 1988, ao conhecer IN LOCO a vida numa das favelas da cidade de Jundiaí. Em 1989 começou a escrever sua primeira novela, um romance juvenil retratando de forma nua e crua o distanciamento social na vida de um jovem da classe media/alta e outro da classe baixa. O livro de 269 páginas deu uma pincelada em inúmeros assuntos polêmicos, como o preconceito, os favores políticos, a atuação dos corruptos e maus profissionais, as catástrofes ambientais, as drogas e etc. Publicada a Primeira Edição em 1996 (500 exemplares), em 1998 veio a 2ª com mais 500. Nesse ano o escritor já havia iniciado palestras na Associação de Educação do Homem de Amanhã (Guardinha de Jundiaí) e nas escolas públicas de Jundiaí e região. Foi verbete em dois dicionários de escritores nacionais contemporâneos, do Historiador, Poeta e Romancista Adrião Neto. Em 1999 iniciou novo livro de 300 páginas, a estória de Jéssica e Boy. Em seguida, a pedidos de leitores, iniciou Marvin II. São duas obras a espera de patrocinadores para publicação. Enquanto isso, o escritor tem lançado mini-livros, de 30 a 50 páginas, também chamados de livros artesanais ou populares. Até o momento são 6 em circulação: Palavras de Atitude e Beleza (Versos e Prosas), O Hospital – Lugar de Vida Loka (ficção montada num documentário), Segurança Pública e Cidadania (Proposta de exercício da Cidadania), Ônibus e o Orelhão (Educativo), Saúde e Cidadania e Mata Sombria.
As pesquisas de George André não se limitavam apenas a Jundiaí e região e contemplaram viagens por diversas partes do País e até do exterior, oportunidades que ao fotografar os ônibus de cada localidade, também registrava o cotidiano das cidades por onde passava.

Sua Própria Legenda: Na BRASIL TRANSPO em 1987, nesta com Paulo Mendes e João Donizete Santos, George André Savy e demais amigos….ano de muitos lançamentos…MAFERSA, O-371 U, UP e Trolleybus e o “Fofão”, o urbano de dois andares idealizado pelo então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros.

Sua própria Legenda: Foto que fiz nos anos 80. Veículos comprados da Viação Leme pela Rápido Luxo Campinas para reforçar a frota, quando adquiriram as linhas entre Jundiaí, Várzea, Campo Limpo e Cajamar. Ao todo foram dez Amélia comprados da Viação Leme (do 130 ao 148).

Livro: “A Evolução do transporte de passageiros por ônibus em Jundiaí e região”, com informações e fotos que viraram referência de pesquisa não só em mobilidade na região, como também da memória geral, uma vez que a história dos transportes se confunde e integra com a história de uma cidade, Estado e de um País.

Foto postada por George André em 26 de janeiro de 2023
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Bela matéria!
Obrigado amigo
Parabéns pels bela homenagem. Realmente o amigo era uma fonte generosa, diga- se de passagem, de conhecimento. Uma perda imensa.
bela homenagem a um grande amigo, ótimo matéria como sempre do portal valorizando os grandes entusiastas.