Acidente de trens no bairro de Itaquera, em São Paulo, completou 36 anos neste mês de fevereiro

Foto: Cristina Villares/Angular/Veja SP

Batida aconteceu devido falha humana e tirou a vida de 51 pessoas

WILLIAN MOREIRA

Neste mês de fevereiro, o maior  acidente ferroviário de São Paulo envolvendo trens de passageiros completou 36 anos e o Diário do Transporte conta a seguir o que causou essa tragédia que deixou 51 pessoas mortas.

Não houve somente vítimas fatais, mas também outras 153 pessoas feridas com gravidade ou ferimentos mais leves que receberam no local o atendimento de enfermeiras, médicos e equipes de resgate, sendo gradualmente levadas para hospitais da região em um trabalho que durou até a parte da noite.

Isto porque a batida entre o trem que partiu da estação Brás, na época denominada Roosevelt em homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, e um trem que saiu de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana, em direção ao centro da capital, aconteceu por volta das 15h27, no bairro de Itaquera, Zona Leste da capital.

Na época, o ramal de Mogi era operado pela CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), criada poucos anos antes em substituição a RFFSA (Rede Ferroviária Federal), herdando trens, estações e malha de vias e derivados.

O ACIDENTE

O trem que seguia para Mogi, de prefixo operacional UW56, estava circulando a momentos antes do acidente na via contrária, isto porque obras de manutenção interditaram uma via em parte do trecho provocando a via singela, que é quando um trilho só é utilizado em forma de revezamento e os trens passam por ele nas duas direções de atendimento.

Quando chegou ao AMV (Aparelho de Mudança de Via) próximo da estação de Itaquera, o trem vindo de Mogi, de prefixo UW 77, deveria ter aguardado a transposição do UW56, porém quando este trem estava na metade do processo de retorno para sua via original, foi atingido em uma velocidade de 70km/h, com sua estrutura sendo “rasgada” com o impacto.

No momento do acidente, várias pessoas que estavam sentadas e em pé na composição foram atingidas e acabaram perdendo a vida ou se ferindo imediatamente. A estimativa era que juntos os dois trens levaram cerca de seis mil pessoas entre mulheres, homens, idosos e crianças.

A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos públicos seguiram para o ponto da tragédia o mais rápido possível, mas se depararam com um cenário chocante e um local que, por ser uma elevação em relação ao nível da rua, dificultava o acesso, como pode ser percebido no relato de um dos PMs para a imprensa.

”Tinha tanta gente mutilada que não dava para saber a quem pertenciam as partes dos corpos espalhados pelo lugar”, disse o policial Jailson José para a reportagem da Veja SP na época.

Os trabalhos de resgate seguiram até a noite, mesmo com a chuva que caiu na cidade e atrapalhava as equipes, causando pontos de alagamento em ruas do entorno, problema persistente até os dias atuais, mas que na ocasião atrasou e desviou a rota de carros de resgate.

Quatro hospitais da região atenderam as vítimas, que precisaram pedir o apoio de médicos, doação de sangue e reforço no atendimento em razão da alta demanda por ajuda, inclusive pedindo para a população das imediações comparecer para efetuar a doação.

A CBTU, para atender os passageiros que utilizavam o sistema e queriam chegar ao seu destino, chegou a acionar na época uma espécie de PAESE com aproximadamente 30 ônibus ligando estações e evitando o trecho interrompido.

A via ficou interrompida ainda no dia subsequente a colisão, para os trabalhos da perícia e remoção dos trens, além de vistorias de danos causados para depois permitir a volta da operação ferroviária.

INVESTIGAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS

Nas investigações sobre o acidente, foi dado como fator causador do ocorrido uma falha operacional por parte do maquinista (falha humana) condutor do trem que partiu do centro de São Paulo, onde este teria desrespeitado um marco de ponto para frenagem localizado 500 metros antes do ponto da colisão.

Além disso, os investigadores constataram a sinalização inadequada no trecho da via, pois não existia semáforo para ao menos chamar a atenção dos maquinistas nas proximidades de Itaquera, sendo fator determinante para o desfecho da fatalidade.

No ano seguinte, em 1988 houve uma recomendação para investimentos e melhoria na sinalização do trecho, visando maior eficiência e segurança aos passageiros, evidenciando uma carência nos itens vitais para a circulação dos trens.

No lugar da estação hoje temos a Avenida Radial Leste que foi prolongada e se tornou uma importante via do bairro e outros pontos mais adiante, permitindo uma saída mais rápida em direção ao centro, por exemplo, com o novo traçado da linha de trem iniciando as operações em 2000, quando foi inaugurado do Serviço Expresso Leste e encerrado por definitivo as operações no antigo traçado.

Não existe um memorial ou marco que remete ao acidente e ou homenageia as vítimas que perderam a vida no uso do transporte público nesta tragédia.

 

Foto: Arte/ Veja SP


Willian Moreira para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    Qual o sentido de se recordar uma tragédia como essa quando vivemos outra tragédia em nosso Litoral Norte? Willian, qual é?!

    1. Dênis Douglas disse:

      Todas as datas terão algum desastre passado, e esse nada tem a ver com o outro. A função dele é divulgar, a sua é ignorar ou não.

  2. Antonio palacio disse:

    Observação

    Falha do maquinista do trem que partiu de Mogi para sao Paulo. Contrario do que diz o texto.

  3. Como o erro foi do condutor que vinha de SP sendo que este estava efetuando a troca de vias e fora atingido pelo trem que saiu de Mogi das Cruzes? Fora que ficou bem claro e explícito a falha de sinalização, que com certeza foi o fator cuminante para a falha humana.

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