Eletromobilidade

Empresas de ônibus de São Paulo recebem 6,27% a mais desde maio por causa de aumento nos salários de motoristas e cobradores

Ônibus parados em garagem durante greve de junho de 2022, que resultou em aumento salarial e na remuneração às empresas

Contrato também será mudado para inclusão de ônibus elétricos, que são três vezes mais caros

ADAMO BAZANI

Os salários dos motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista aumentaram, mas na prática, não são as viações que pagam, mas o povo.

Na última sexta-feira, 16 de dezembro de 2022, foi publicada em Diário Oficial da Cidade de São Paulo, autorização para aditamento aos contratos das empresas de ônibus, permitindo com que a remuneração que a prefeitura paga  para as viações subisse 6,27% por causa do reajuste salarial dos profissionais de transportes de 12,47%, índice determinado em junho de 2022 pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) quando ocorreu uma greve da categoria. Desde maio, o município banca esse reajuste.

O índice de 12,47% é o valor determinado pela Justiça, em decisão de junho, do Tribunal Regional do Trabalho, para o reajuste salarial da categoria. Esse índice é referente à mão-de-obra em 2022, que é um dos itens que compõem a cesta de indicadores para o reajuste anual da remuneração das concessionárias, conforme previsto em contrato. Como este item tem peso 0,5, na prática, o reajuste contratual da mão-de-obra foi de 6,27%. – explicou a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus paulistanos, em nota ao Diário do Transporte que questionou a publicação em Diário Oficial.

Como o prefeito Ricardo Nunes deve seguir a decisão do futuro governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de congelar em 2023 as tarifas de transportes públicos, esse aumento salarial e na remuneração das empresas deve representar uma elevação nos subsídios repassados ao sistema de ônibus da capital paulista.

Enquanto a gestão Ricardo Nunes propõe para o Orçamento de 2023, R$ 3,7 bilhões de subsídios às operações de ônibus, a SPTrans, gerenciadora dos transportes municipais, pede R$ 7,4 bilhões.

Os valores foram apresentados em 16 de novembro de 2022, pelo diretor de Administração de Infraestrutura da SPTrans (São Paulo Transporte S/A), Anderson Clayton Maia, em audiência pública sobre o Orçamento na Câmara Municipal de São Paulo.

“Encaminhamos a proposta de R$ 7,4 bilhões para o próximo ano e a Prefeitura propõe R$ 3,7 bilhões. Assim, teremos a necessidade de suplementação no valor de R$ 3,7 bilhões para 2023”, disse o técnico.

Segundo Anderson Clayton Maia, todo o sistema de ônibus em São Paulo no ano que vem vai custar R$ 12 bilhões. Deste total, cerca de R$ 5 bilhões devem ser arrecadados pelas catracas e seriam necessários em torno de R$ 7 bilhões para cobrir tudo.

ÔNIBUS ELÉTRICOS E MAIS DINHEIRO:

A remuneração das empresas de ônibus também deve crescer com um novo cronograma de troca de frota e, pelos modelos elétricos serem até três vezes mais caros que os ônibus a diesel, será necessário mais dinheiro para manter os transportes públicos.

A colocação de novos ônibus a diesel foi proibida em 17 de outubro de 2022, após uma circular mandada para as viações apenas três dias antes.

Na mesma autorização de aditamento de contrato com as viações publicada na sexta-feira (16), é prevista a apresentação de um novo cronograma de compra de ônibus.

Segundo a SPTrans, ainda em resposta ao Diário do Transporte, o cronograma é para cumprimento da Lei de Mudanças Climáticas e o Programa de Metas 2021-2024 da Prefeitura.

Nunes quer que até om fim de 2024, estejam em circulação 2,6 mil ônibus elétricos na cidade de São Paulo.

O contrato será aditado para apresentar novo cronograma de composição de frota, com a inclusão dos veículos de tecnologia limpa, considerando a necessidade de cumprimento da Lei de Mudanças Climáticas e o Programa de Metas 2021-2024 da Prefeitura.

O MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo começou a investigar essa decisão da gestão Ricardo Nunes repentinamente proibir a compra de ônibus a diesel, uma vez que a Lei de Mudanças Climáticas e os contratos com as viações preveem a redução de emissões de poluentes, mas não a proibição de tipos de ônibus.

As investigações, entretanto, foram suspensas momentaneamente porque a gestão Ricardo Nunes recorreu no CSMP (Conselho Superior do Ministério Público).

Ainda de acordo com a SPTrans, os aditivos aos contratos vão ser assinados nos próximos dias.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM) e da SPTrans, informa que foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (16), a autorização para a assinatura de termo aditivo junto às concessionárias de transporte, o que será feito nos próximos dias.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. João Luis Garcia disse:

    Não é o Povo que arcará com esse custo, afinal o mesmo faz parte da nova regra de custeio do Sistema.
    Hoje as empresas tem seu rendimento aferido pelo seu desempenho e pelo custo do siatema.

    1. Luciano disse:

      R$ 5.000.000,00 é o valor pago pelo passageiro na catraca, porém o sistema custa R$ 12.000.000,00. Uma diferença de R$ 7.000.000,00 que será paga pela prefeitura com recursos próprios, ou seja, impostos pagos pela população. POVO

    2. Marcos Eduardo Aleixo Cardoso disse:

      É almoço grátis então???

  2. Rogério Martins disse:

    Não devemos aceitar ônibus elétricos!
    O custo será muito maior em manutenção.
    Já pensaram se os vândalos queimarem um, quem paga?
    Nós, o povo.
    E como terão energia para abastecer, se a ENEL pede para o povo economizar?

  3. Manoel disse:

    Ainda não engoli o não pagamento da plr de 2022 …que não teve aumento de salário na pandemia..e as empresas de ônibus recebendo subsídios desse prefeito…

  4. Nelson disse:

    Essa PLR já era passaram a mão
    A unica maneira de acabar com esse sindicato corrupto seria os mot cobs e manutenção dar baixa, pra que serve um sindicato que vende o direito de seus associados

  5. Nelson disse:

    PLR é coisa do passado
    Somos moedas de trocas
    Sindicato corrupto
    Se os mot cobs e manutenção tivesse vergonha na cara , davam baixa
    Um sindicato sem sósio ñ representa ninguem

  6. Kleber Cardoso disse:

    Aumenta o valor de repasse, e as empresas diminuem os carros nas ruas. 👏🏾👏🏾👏🏾

  7. Nelsn disse:

    E o quase meio bilhão de reais que o Presidente da Câmara deu para as empresas de ônibus quando o prefeito turista estava em Portugal comendo bacalhau e tomando vinho do Porto? O chamado toma lá dá cá como diz a imprensa do Estado de São Paulo, ninguém falou mais nada.

  8. Snd disse:

    Governantes só fazem é dar dinheiro público para esses empresários mafiosos. Até quando nosso povo omisso vai aguentar?

  9. Nelson disse:

    Antes um cidadão poderia colocar uma VAN para trabalhar no Atende, hoje às empresas de ônibus abocanhou mais essa fatia da prefeitura, os carros alocados eram de pessoas que comprava um carro e trabalhavam para a prefeitura prestando serviços, hoje apareceu várias novas empresas prestando serviços para prefeitura de SP. Acho que nem precisa dizer de quem são essas empresas não?

  10. Giuseppe disse:

    Dinheiro esse que tirado da saúde e educação e da própria população

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