Alta de preço de combustíveis e inflação também devem pesar em projeção de subsídios de R$ 7,4 bilhões ao sistema de ônibus para 2023, diz SPTrans

Valor será em torno de 60% maior que o dinheiro que está sendo desembolsado em 2022

ADAMO BAZANI

Um aumento de cerca de 60%. Essa é a diferença entre os R$ 4,6 bilhões que foram usados até metade de novembro deste ano de 2022 e a projeção de R$ 7,4 bilhões apresentada pela SPTrans (São Paulo Transporte) como necessária para bancar o sistema de ônibus na capital paulista em 2023.

A apresentação ocorreu na quarta-feira (16) pelo o diretor de Administração de Infraestrutura da SPTrans (São Paulo Transporte S/A), Anderson Clayton Maia, que disse ainda que a autarquia que gerencia os transportes na cidade estima que os custos de operação do sistema de ônibus no ano que vem serão de R$ 12 bilhões, bem maiores que os aproximados R$ 9 bilhões deste ano.

O Diário do Transporte mostrou em primeira-mão.

Relembre:

 

https://diariodotransporte.com.br/2022/11/16/ouca-tarifa-zero-nada-sistema-de-onibus-de-sao-paulo-vai-custar-r-12-bilhoes-em-2023-sptrans-pede-r-74-bilhoes-e-prefeitura-propoe-r-37-bilhoes-para-subsidios/

A reportagem voltou a perguntar nesta quinta-feira, 17 de novembro de 2022, para a SPTrans e para a Prefeitura de São Paulo qual o motivo de um crescimento tão grande nos valores.

As questões pontuais foram as seguintes:

– Neste ano, segundo relato do próprio diretor, já foram empenhados R$ 4,6 bilhões em subsídios (o ano está no final praticamente). E para 2023, é apresentada a projeção de R$ 7,4 bilhões. Por que vai aumentar tanto o valor apontado como necessário para subsídio?

– Os custos dos transportes neste ano devem fechar em R$ 9 bilhões e para 2023 a projeção é de R$ 12 bilhões. Por que essa diferença de quase R$ 3 bilhões nos custos de um ano para o outro?

– As projeções apresentadas pelo diretor de Administração de Infraestrutura da SPTrans (São Paulo Transporte S/A), Anderson Clayton Maia levam em conta cenário de congelamento de tarifa? Por que a arrecadação nas catracas que ele apresentou para o ano que vem é a mesma deste ano, mas os subsídios serão bem maiores.

– A implementação de ônibus elétricos no sistema da cidade ajuda a explicar este aumento de custos e subsídios?

Não houve respostas pontuais, mas a SPTrans, por meio de nota, informou que a inflação e a elevação do custo do diesel foram levadas em conta no valor apresentado, que é uma projeção, podendo ser mudado ao longo do tempo e que haverá discussões na Câmara.

A gerenciadora ainda explicou que os subsídios não são para as empresas e sim para o sistema e também que o não reajuste da tarifa desde o início da pandemia e as gratuidades representam neste ano um impacto de R$ 5 bilhões.

Veja na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informa que o valor apresentado em audiência pública na Câmara Municipal corresponde à projeção do custo do sistema para 2023 e considera também alta no preço de combustíveis e índices de inflação. Esta é, reitere-se, uma projeção, não o valor final, que pode ser alterado ao longo do exercício.

Essa discussão será aprofundada durante o debate do Projeto de Lei Orçamentária, que está começando no Legislativo.

Reiteramos que o subsídio não é para as empresas, mas, sim, para o sistema. É por meio da subvenção que se mantém a tarifa no patamar atual e são garantidos os benefícios aos idosos, aos estudantes, pessoas com deficiência e ao bilhete único – uma tarifa dá direito a até quatro viagens em até três horas.

A atual gestão, de forma pública e transparente, decidiu não reajustar o valor da tarifa desde o início da pandemia justamente para não penalizar ainda mais a população de menor renda e maior vulnerabilidade social.

A elevação da subvenção ao sistema nos últimos anos ocorreu porque a Prefeitura, repetimos, de forma pública e transparente, decidiu não reajustar a tarifa, mesmo com os vários aumentos dos combustíveis e alta dos índices de inflação. A manutenção da tarifa e as gratuidades representam R$ 5 bilhões por ano (base 2022) e a atual gestão não considera um gasto, mas, sim, um investimento em mobilidade com reflexo direto na área social.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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