Veículos estão há mais de sete anos parados e foram modernizadas em lotes que somados, custaram R$ 1,8 bilhão; Metrô diz que ação agiliza manutenção já que peças são importadas e promete colocar os trens para operar novamente
ADAMO BAZANI
Integrantes de um projeto de modernização da frota do Metrô de São Paulo que custou aos cofres públicos R$ 1,8 bilhão, alguns trens nunca foram usados após a reforma, estão com sinais deterioração e servem, desde então, para serem “canibalizados”, ou seja, têm suas peças retiradas e colocadas em outras composições que quebraram ou apresentaram defeito.
O projeto de modernização de 98 trens do Metrô de São Paulo começou em 2009 e foi até 2018.
Frotas que integravam as primeiras operações das linhas receberam equipamentos mais modernos de controle, de segurança, computadores, nova iluminação e ar-condicionado.
O Diário do Transporte recebeu imagens de um destes trens, o L30.
O veículo está “encostado” no pátio Belém há sete anos e, apesar de receber os novos equipamentos do pacote de R$ 1,8 bilhão, nunca transportou passageiros desde a reforma.
A frota L, proveniente da antiga frota D, foi modernizada pela Alstom.
Após a modernização, estes trens foram considerados como novos pelo Metrô.
As imagens mostraram o painel do condutor já sem várias telas e comandos.
Partes do ar-condicionado dos carros (vagões) também foi retirada.
Os faróis e outras sinalizações luminosas foram arrancados.
Em um dos carros, é possível ver mato nascendo na soleira de uma das portas.
Rolamentos e aparelhos do sistema de controle também não escaparam, assim como engates e outras peças mais rústicas.
Nem botões de emergência, balaústres e equipamentos das portas sequer foram poupados.
Existem outras composições no mesmo estado, como o trem J47.
A série J, originada da frota A, foi modernizada entre 2011 e 2018 pelo Consórcio BTT, formado por Bombardier, Tejofran e Temoinsa.
O Diário do Transporte procurou o Metrô que respondeu que a ação “privilegia o passageiro”, já que as peças são importadas e isso agiliza a manutenção. Sobre as duas composições citadas na reportagem, o Metrô diz que vai recuperá-las. O J47 deve voltar em dezembro deste ano e não foi informada a data da recuperação total do L30. As peças foram encomendadas.
A companhia não explicou porque depois de tantos anos só agora anuncia o retorno e o motivo de os trens não se tornarem operacionais
A reposição de peças com o uso de materiais de outros trens privilegia o passageiro, já que esse tipo de ação agiliza a manutenção dos trens. A maior parte das peças são importadas e, para isso, o Metrô mantém reserva técnica das composições para substituição de forma ainda mais rápida. Ainda assim, nada impede o uso desse trem reserva, que também é utilizado para testes como de CBTC e será recuperado para compor a frota. Quanto ao J47 já está em teste e em dezembro começa a atender a população
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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
