VÍDEO: Metrô de São Paulo possui trens que nunca rodaram após modernização e são “canibalizados” cedendo peças para outras composições
Publicado em: 19 de setembro de 2022
Veículos estão há mais de sete anos parados e foram modernizadas em lotes que somados, custaram R$ 1,8 bilhão; Metrô diz que ação agiliza manutenção já que peças são importadas e promete colocar os trens para operar novamente
ADAMO BAZANI
Integrantes de um projeto de modernização da frota do Metrô de São Paulo que custou aos cofres públicos R$ 1,8 bilhão, alguns trens nunca foram usados após a reforma, estão com sinais deterioração e servem, desde então, para serem “canibalizados”, ou seja, têm suas peças retiradas e colocadas em outras composições que quebraram ou apresentaram defeito.
O projeto de modernização de 98 trens do Metrô de São Paulo começou em 2009 e foi até 2018.
Frotas que integravam as primeiras operações das linhas receberam equipamentos mais modernos de controle, de segurança, computadores, nova iluminação e ar-condicionado.
O Diário do Transporte recebeu imagens de um destes trens, o L30.
O veículo está “encostado” no pátio Belém há sete anos e, apesar de receber os novos equipamentos do pacote de R$ 1,8 bilhão, nunca transportou passageiros desde a reforma.
A frota L, proveniente da antiga frota D, foi modernizada pela Alstom.
Após a modernização, estes trens foram considerados como novos pelo Metrô.
As imagens mostraram o painel do condutor já sem várias telas e comandos.
Partes do ar-condicionado dos carros (vagões) também foi retirada.
Os faróis e outras sinalizações luminosas foram arrancados.
Em um dos carros, é possível ver mato nascendo na soleira de uma das portas.
Rolamentos e aparelhos do sistema de controle também não escaparam, assim como engates e outras peças mais rústicas.
Nem botões de emergência, balaústres e equipamentos das portas sequer foram poupados.
Existem outras composições no mesmo estado, como o trem J47.
A série J, originada da frota A, foi modernizada entre 2011 e 2018 pelo Consórcio BTT, formado por Bombardier, Tejofran e Temoinsa.
O Diário do Transporte procurou o Metrô que respondeu que a ação “privilegia o passageiro”, já que as peças são importadas e isso agiliza a manutenção. Sobre as duas composições citadas na reportagem, o Metrô diz que vai recuperá-las. O J47 deve voltar em dezembro deste ano e não foi informada a data da recuperação total do L30. As peças foram encomendadas.
A companhia não explicou porque depois de tantos anos só agora anuncia o retorno e o motivo de os trens não se tornarem operacionais
A reposição de peças com o uso de materiais de outros trens privilegia o passageiro, já que esse tipo de ação agiliza a manutenção dos trens. A maior parte das peças são importadas e, para isso, o Metrô mantém reserva técnica das composições para substituição de forma ainda mais rápida. Ainda assim, nada impede o uso desse trem reserva, que também é utilizado para testes como de CBTC e será recuperado para compor a frota. Quanto ao J47 já está em teste e em dezembro começa a atender a população
Veja os vídeos:
Versão Longa
Versão reduzida
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Agora entendi porque sempre vejo o J47 e L30 parados no pátio do Belém. Não vou dizer que é um total absurdo porque muitas empresas que possuem frotas fazem isso exatamente pelo problema da encomenda de peças. Mas essa conversa do Metrô de que as composições vão “voltar” (sendo que nunca rodaram) só aconteceu porque a reportagem foi atrás. Senão provavelmente continuariam encostados
Esse negócio de peças importadas não é bom para manutenção de transporte nacional, pois em caso de uma crise internacional bem agravada ficará difícil de importar a peça, no entanto, seria bom o governo investir na nacionalização da peça de reposição de trens para ter a autossuficiência para uma eventual crise.
Resta saber se o que aconteceu foi canibalismo mesmo e não o simples roubo / desvio das peças.
O pessoal faz isso com aviões..imagina só se não fariam com os trens em geral…mesmo sendo metrô..isso se trata de br@silllll…
onde está o ministério público e o GAECO nessas horas…??? é quase provável o desvio de verba pública (como em tudo nesse País, em especial nos emaranhados criados nas administrações públicas petístas e de esquerdas)
ary braga (escritor)