Eletromobilidade

Higer testará ônibus elétrico em Curitiba em cinco rotas diferentes

Modelo é o Azure A12BR, que já circulou por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro

ADAMO BAZANI

A fabricante chinesa de ônibus elétricos, HigerBus, vai testar entre os dias 19 e 23 de setembro de 2022, um modelo em cinco rotas alternativas com passageiros na cidade de Curitiba.

De acordo com informações da empresa ao Diário do Transporte nesta quarta-feira (07), as rotas ainda uma apresentação ao prefeito Rafael Greca está programada para ocorrer no dia 16 de setembro.

Com mostrou a reportagem, a prefeitura de Curitiba conta com financiamentos internacionais em um projeto de eletrificação do transporte urbano por ônibus.

Em 06 de junho de 2022, a administração municipal informou que pretende atingir a marca de 10% de ônibus elétricos compondo a frota do transporte público em até dois anos.

Conforme planejamento da Urbs (Urbanização de Curitiba), o município realizará a compra de 134 ônibus elétricos, sendo 57 para o eixo Leste-Oeste e 77 para o Inter 2 e Interbairros 2.

O modelo que vai ser apresentado é o Azure A12BR, que já circulou por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

A empresa garante que a autonomia das baterias é de aproximadamente 270 km dependendo das condições operacionais. O ônibus é quase 1,5 tonelada mais leve em comparação aos demais elétricos de mesmas dimensões disponíveis no mercado.

Cada veículo terá 12 jogos de baterias da CATL que, ainda de acordo com a empresa, podem ser carregadas integralmente em menos de três horas.

A capacidade é de 385 Kwh com possibilidade de 411 Kwh.

A configuração é de piso baixo total, sem degraus em nenhuma das portas.

Em nota, a Higer explica como será o evento de eletromobildiade em Curitiba e os testes

Dentro do programa de eletromobilidade que Curitiba está implantando, o planejamento estratégico prevê um teste com veículos elétricos para o transporte público. A Higer, um dos fabricantes que atua no mercado nacional, cedeu um veículo para a demonstração na capital. O período de testes vai de 12 a 27 de setembro. Nos primeiros dias, os motoristas das empresas que formam o consórcio que detém a concessão do transporte coletivo de Curitiba serão treinados no novo ônibus, fazendo o reconhecimento do itinerário das linhas que vão percorrer no restante do mês: Detran/Vicente Machado, Campo Comprido/CIC, Campo Alegre, Jd. Ludovica e Campina do Siqueira/Batel. Na segunda quinzena de setembro, a partir de 19/09, o teste é com os usuários, para demonstração das vantagens do veículo elétrico, especialmente o conforto térmico e acústico. No evento do dia 16/09, o prefeito vai anunciar a fase de testes com usuários. Representantes das empresas e entidades parceiras – Enel-x, Higer, Urbs, Redentor e do Projeto TUMI – estão com ele e as autoridades do município para receber a imprensa para a viagem inaugural. O evento está marcado para às 11h, no Parque Tanguá. O período de teste vai ajudar a mapear os gargalos do sistema/operação para o ajuste dos modelos que atendam a implantação da eletromobidade no transporte público da cidade já a partir do edital da nova concessão da operação, que ocorre em 2025. Para cumprir o programa, essa gestão já realizou um chamamento público para os fabricantes de ônibus elétricos trazerem veículos para serem testados na operação de Curitiba. Esse edital aguarda as propostas até novembro de 2022. A demonstração da Higer não faz parte do edital, é uma cortesia da empresa para que a cidade conheça o produto. Até lá, além de definir os modelos de veículos e as regras do edital da nova concessão, também devem ser concluídas as obras do Programa de Mobilidade Urbana Sustentável. O programa tem recursos totais que ultrapassam os 227 milhões de dólares, entre contrapartidas do município e financiamentos multilaterais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID, com U$ 106 milhões) e do New Development Bank (NDB, com U$ 75 milhões). Curitiba já elegeu as linhas que serão as primeiras portas de entrada da eletromobilidade. O Ligeirão Inter 2, o Interbairros II e o BRT Leste Oeste. Juntas, essas linhas transportam mais de 350 mil passageiros dia. As obras do programa de mobilidade urbana vão requalificar o itinerário dessas rotas, com melhoria na pavimentação, calçamento, paisagismo, sinalização, iluminação, novas estações e terminais, além de um modelo totalmente inovador de parada de ônibus no circuito do Inter 2, a Prisma Solar. Também serão implantadas infraestrutura de suporte à mobilidade ativa, como paraciclos e ciclofaixas ou pistas de circulação compartilhada, para estimular a intermodalidade, com o uso de bicicletas, carros de aplicativos e deslocamentos a pé. E para que Curitiba quer toda essa transformação no transporte coletivo? Porque, novamente, a capital do Paraná está na vanguarda no deslocamento urbano, que estimula o desenvolvimento social e econômico de seus cidadãos. Com mais qualidade, preço justo e segurança, mais usuários adotarão o sistema, aliviando os congestionamentos pela preferência ao deslocamento público em relação ao particular. Com ônibus de baixa emissão de carbono, a qualidade do ar fica melhor e o resultado é menos gente doente, com problema respiratório. Em Curitiba, as doenças do aparelho respiratório são a quarta maior causa de morte prematura (na faixa etária de 30 a 69 anos) no período de um ano desde 2009, precedidas pelas doenças cardiovasculares, neoplasias e diabetes, nesta ordem. Cabe destacar a influência da poluição atmosférica também nas neoplasias, como no caso do câncer de pulmão, e doenças cardiovasculares. A influência da poluição atmosférica nas doenças cardiovasculares se dá não só pela inalação de poluentes atmosféricos mas também pelo aumento da temperatura local, que ocorre em áreas urbanas onde há grande concentração de construções de concreto, pavimentação, arrefecimento reduzido devido à obstrução da ventilação pelos edifícios, liberação de calor antropogênico das indústrias e dos transportes, além da própria influência dos poluentes sobre o clima, criando as chamadas ilhas de calor em alguns locais. Em Curitiba, a temperatura da cidade já está, em média, 1,2ºC mais alta do que seis décadas atrás. Observa-se alteração no regime de chuvas, sendo mais comum a ocorrência de temporais fortes e intensos, bem como períodos de estiagem. Em ambos os casos a população é impactada, ora por transtornos decorrentes de enchentes e alagamentos, ora por escassez de água ou desconforto térmico. A intensificação dos eventos climáticos apresenta-se como um novo desafio à gestão urbana, e tem mobilizado Curitiba a desenvolver e implementar respostas efetivas para aprimorar a capacidade de mitigação e de adaptação das cidades e reduzir riscos e vulnerabilidades ambientais e socioeconômicas relacionados ao tema. No PlanClima de Curitiba, a meta para o enfrentamento dos riscos climáticos na mobilidade urbana prevê o crescimento dos atuais 51% de deslocamentos por transporte coletivo para 85%, e a redução dos 45% realizados por automóvel particular para 7%, em 2050. Para a introdução de 150 ônibus elétricos na frota do transporte coletivo pode representar 5 (cinco) mortes prematuras evitadas por ano, 59 (cinquenta nove) anos de vida ganhos em toda a cidade por ano e um dia de esperança de vida ganha ao nascer por cidadão. O impacto econômico seria de US$ 8 milhões de valor total de mortes evitadas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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