Justiça determina bloqueio de 40 imóveis, helicóptero e lanchas que eram de sócios assassinados da UPBus

Uma das lanchas que, segundo a Polícia Civil, era de sócios de empresas de ônibus

Somente os imóveis, estão avaliados em R$ 80 milhões

ADAMO BAZANI

O Governo de São Paulo confirmou nesta segunda-feira 05 de setembro de 2022, que a Justiça determinou a apreensão de 40 imóveis que somam R$ 80 milhões, um helicóptero Deutschland e duas lanchas de luxo: Cimitarra e Motorboat, que, segundo o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil Paulista, eram de dois nomes ligados à liderança de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas: Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como Django, e Anselmo Becheli Santa Fausta.  Ambos foram assassinados e que tinham cotas na UPBus.

Django, segundo as apurações, foi sócio da UPBus, empresa de ônibus da zona Leste, operadora de 13 linhas, que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana.

A UPBus foi alvo de duas etapas de uma operação do Denarc, departamento da Polícia Civil que investiga o tráfico de drogas, em 02 e 15 de junho de 2022, que apura a lavagem de dinheiro desta facção criminosa pela empresa de ônibus.

Segundo o Denarc, Django foi um dos cotistas da UPBus tendo ações no valor de R$ 1,23 milhão.

Django foi encontrado morto sob o viaduto Vila Matilde em 23 de janeiro de 2022.

As investigações apontam que ele agia em conjunto nos negócios do crime organizado com Anselmo Becheli Santa Fausta, de 38 anos, conhecido como Magrelo ou Cara Preta, que foi morto em 27 de dezembro de 2021, no Tatuapé, também na zona leste de São Paulo.

De acordo com o Denarc, Anselmo era filho de Rubens Santa Fausta, irmão de Andreza Becheli Santa Fausta e primo de Anderson Santa Fausta, todos que foram acionistas da UPBus.

Para a Polícia, os parentes de Cara Preta eram laranjas dele na companhia de ônibus.

Em nota, Rodrigo Garcia, destacou as investigações que chegaram até as apreensões.

“Acabo de ser informado de que a Justiça decretou o sequestro de 40 imóveis de líderes do PCC, que somam R$ 80 milhões, um helicóptero e duas lanchas, após mais uma investigação da Polícia Civil. Nenhuma ameaça irá nos impedir de combater o crime. Em São Paulo, quem está acuado são os criminosos, não o Poder Público”, disse o governador Rodrigo Garcia.

– OPERAÇÃO ATARAXIA – DENARC (UPBUS)

Condução: Denarc – sobre UPBus (empresa da zona Leste com 13 linhas), que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 02 de junho de 2022

Investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo as apurações, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade. A UPBus, de acordo coma Polícia, lava dinheiro de facções criminosas. O esquema também envolvia ganhos na Loteria Federal também para dar uma aparência legal ao dinheiro obtido em atividades criminosas.

Deflagração da Fase II: 15 de junho de 2022

Foram bloqueados entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões em imóveis e veículos da empresa de transportes urbanos UPBUS, que opera na zona Leste de São Paulo, e de investigados da “Operação Ataraxia”, que apura o uso da companhia de ônibus por uma facção criminosa para lavagem de dinheiro.

Todos os veículos da empresa UPBUS, dentre eles quase 250 ônibus, também foram objetos de sequestro, impedindo eventual a alienação dos veículos por parte da empresa.  Estes ônibus poderão continuar operando, só que os ônibus não podem ser vendidos e a arrecadação da operação vai para conta judicial.

UPBus não se manifestou

OPERAÇÃO PRODITOR

Condução: Deic – sobre TransUnião (empresa da zona Leste com 524 ônibus), que surgiu da cooperativa Nova Aliança

Deflagração: 09 de junho de 2022

Investigações começaram após assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor, ocorrido em 04 de maio de 2020.

Polícia aponta que Adauto era “testa de ferro” do vereador Senival Moura (PT) na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa. O parlamentar nega.

A Polícia chegou a apreender 18 ônibus, 14 operacionais e quatro que estavam na reserva em manutenção, mas os veículos foram devolvidos para operação.

A TransUnião não se manifestou.

– OPERAÇÃO NA TRANSCAP:

Condução: Força-tarefa entre Departamento Estadual de Investigações Criminais – DEIC, da Polícia Civil de São Paulo, e o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, do Ministério Público do Estado de São Paulo

Deflagração: 22 de agosto de 2022

Foi preso o presidente da Auto Viação Transcap (que teve origem na Unicoopers), Valter da Silva Bispo, além de terem sido cumpridos mandados de busca e apreensão.

Segundo a Força-Tarefa, foi verificado que o preso praticava extorsão contra demais dirigentes e proprietários de ônibus da Transcap, utilizando alegada influência de membros da facção criminosa em suas ameaças.

A Transcap não se manifestou.

A Justiça de São Paulo aceitou nesta sexta-feira, 26 de agosto de 2022, o pedido formulado pela Força-Tarefa entre Polícia Civil e Ministério Público e converteu a prisão temporária em prisão preventiva de Valter da Silva Bispo, presidente da Transcap, empresa de ônibus que surgiu de cooperativa de transporte e atua em parte do sistema urbano da capital paulista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

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  1. e a prefeitura injetando grana,,,,a cada ano, mais de 2,8 bi…uma hora a cidade vai ficar sem transporte..

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