Sonda, empresa chilena integradora de sistemas de transporte, vê Brasil como mercado estratégico

Marco Moniz é Diretor de Produtos e Novos Negócios da Sonda

Empresa já tem suas soluções implantadas em várias capitais e cidades do país, e participa atualmente da concorrência da bilhetagem da cidade do Rio de Janeiro

ALEXANDRE PELEGI

O Diário do Transporte conversou na última semana com Marco Moniz, Diretor de Produtos e Novos Negócios da Sonda, empresa chilena com atuação em vários segmentos. O destaque da conversa foi para a área de mobilidade urbana.

A empresa, apesar de conhecida no mercado, surgiu para muitos pela primeira vez ao participar da concorrência da bilhetagem da cidade do Rio de Janeiro.

Moniz contou, em entrevista concedida por vídeo conferência de Santiago do Chile, que a Sonda existe naquele país desde 1974.

“É uma empresa integradora, com mais de 16 mil funcionários e que fatura cerca de US$ 1,2 bilhões em todos os países em que atua, em especial na América Latina”, explicou.

Para se ter uma ideia da extensão dos braços negociais da empresa, a Sonda atualmente tem escritórios e clientes espalhados, além de Chile e Brasil – onde estão suas maiores áreas de atuação –, em países como Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, México, Panamá, Peru e Uruguai.

A atuação da Sonda no solo brasileiro é significativa, explica o diretor da Sonda: hoje a empresa chilena tem 45% de seu corpo funcional voltado para negócios do mercado brasileiro.

Temos grandes projetos no Brasil, como a Embraer, uma de nossas grandes clientes, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil… a gente tem várias verticais. Eu sou da vertical de transportes, mas a empresa tem também várias áreas”, ele explica, justificando que a Sonda entrou de fato no mercado de transportes no Brasil pela área da bilhetagem, segundo ele desde o ano passado.

“Entramos em capitais como Cuiabá e Manaus”, ele destaca.

Moniz ressalta que a solução de transportes da empresa chilena é completa, e já roda no corredor de BRT da capital andina, o Transantiago.

As áreas de transportes e Smart Cities são as áreas em que temos produtos próprios”, diz o executivo, que destaca em especial as áreas de bilhetagem e gestão de frota.

Apesar de não ter fábrica, a Sonda é dona de todos os projetos e prefere terceirizar a produção dos hardwares.

Moniz explica que com produtos reconhecidos no mercado latino, a integradora atua em várias frentes, que vão desde fornecer uma impressora, a desenvolver um negócio completo. Ele cita como exemplo de clientes da Sonda na área de smart cities e transportes a Vale S.A., uma mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país.

Já na área de segurança a Sonda tem como cliente a Alcoa, uma das três maiores empresa de alumínio do mundo.

Moniz confessa que a empresa em que trabalha é tão grande que ele não consegue descrever tudo o que ela faz e oferece de soluções nas várias e diversas vertentes em que atua.

Falando especificamente na área de transporte público, o Diretor de Produtos e Novos Negócios da Sonda afirma que a empresa está investindo forte no mercado brasileiro na área de bilhetagem, apesar de dominar também a plataforma de gestão de frota.

Isso explica o interesse da empresa integradora chilena em participar da concorrência do sistema de bilhetagem do Rio de Janeiro, onde foi uma das quatro competidoras. O processo ainda está em fase de análise recursal, como tem noticiado o Diário do Transporte.

“Após a pandemia mudou o cenário do transporte, e hoje você tem inclusive a figura do subsídio em várias cidades brasileiras. Isso nos impõe buscar soluções efetivas para o mercado, para atender as necessidades de acordo com as possibilidades de cada município e de cada operadora de transporte”.

Apesar disso, Moniz destaca a capital São Paulo, que hoje tem exigências em tecnologia de classe mundial, tanto a embarcada como a do SMGO, novo centro operacional da SPTrans.

São Paulo sempre é precursora de novas tecnologias”, ela afirma.

São soluções complexas, ele explica, que exigem integração dos vários segmentos tecnológicos que operam nas frotas, desde GPS, monitoramento e controle, com solução 100% integrada.

A gente acredita muito, até por sermos integradoras, nessa visão onde se juntam todas as tecnologias”, e cita como um exemplo concreto a solução da Sonda para o transporte da capital Fortaleza na gestão de frota.

Com a parceria com a M2M em 2018, empresa especializada em gestão de frotas de transportes urbanos, a Sonda reforçou sua oferta de administração e gestão na área de transporte público. Hoje no Brasil parte dos sistemas de gestão e de informações aos usuários não são automatizados. “A proposta da Sonda é transformar este setor integrando todos os processos de ponta a ponta”, diz Moniz.

Além da solução de bilhetagem eletrônica e de comercialização de créditos, a integração fornecida com o sistema de informações traz como resultantes os dados de viagens, tempo de espera e contingências pelo monitoramento em tempo real dispostos em aplicações, portais e painéis interativos nas estações de transporte público e aplicativos.

Trazendo desde as previsões de possíveis falhas, até mesmo dados de telemetria, a solução da integradora possibilita fornecer com agilidade parâmetros de toda a conexão, integrando diferentes dados como velocidade, tráfego e usuários.

O GPS e a bilhetagem estavam muito separados. Quando se juntam esses dois mundos, pega esses dados e consolida em dashboard [um painel que concentra todas as informações], você traz informação para o gestor do sistema, para o empresário, seja quem estiver contratando a gente”.

O caso do Rio de Janeiro ele aponta como um avanço e um desafio na área da tecnologia, mas conta que a Sonda já tem essa experiência no Chile aplicada para o Transantiago, em que uma série de indicadores é gerado e oferecido ao gestor do sistema para acompanhamento de toda a operação.

Moniz reforça o que dissera logo no começo da entrevista: a Sonda tem como diferencial a terceirização de todos os processos operacionais e administrativos, que envolvem também o sistema de transporte.

Mas no Brasil, a empresa aposta agora na área de mobilidade urbana, investindo pesado na área de bilhetagem, onde tem solução própria, mas tendo sempre em vista a necessidade de integração de todos os dados do sistema.

Em capitais a Sonda já atua em Rio Branco (Acre), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Belém (PA), Manaus (AM).

No caso de São Paulo, a Sonda está homologada na SPTrans para fornecimento de tecnologia embarcada para o sistema de transporte da capital.

No caso da Grande São Paulo, Guarulhos.

Já no Rio de Janeiro, atua tanto no transporte intermunicipal como no municipal, com soluções já implantadas em diversas empresas operadoras.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading