ITCN propõe ação contra o governo de SP, Metrô e CPTM para impedir fechamento de bilheterias

ITCN entra com ação para reabertura das bilheterias do metrô e da CPTM que foram substituídas por totens que não aceitam dinheiro físico

Instituto de Estudos Estratégicos de Tecnologia e Ciclo do Numerário argumenta que atitude fere o direito de ir e vir de parte da população

ARTHUR FERRARI

O ITCN (Instituto de Estudos Estratégicos de Tecnologia e Ciclo do Numerário) entrou na Justiça com uma Ação Civil Pública exigindo que o Governo do Estado de de São Paulo, a Cia. Do Metropolitano de São Paulo e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) reabram imediatamente as bilheterias das estações Belém, da Linha 3 Vermelha do Metrô e da Granja Julieta, da Linha 9 Esmeralda da CPTM.

A instituição ainda quer a suspensão do fechamento das bilheterias tradicionais localizadas nas estações do Metrô e da CPTM de São Paulo, movimento que foi anunciado e determinado pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Transportes Metropolitanos, “(…) e que tais entes se abstenham de adotar medidas que venham a impedir, restringir ou dificultar o uso do dinheiro em espécie como meio de pagamento acessível a todos nos transportes públicos coletivos do Estado de São Paulo”.

De acordo com o governo paulista, o motivo do fechamento das bilheterias físicas e a instalação de totens de acesso digital é que apenas 15% dos usuários do Metrô e 25% dos passageiros da CPTM compram seus bilhetes de forma presencial, pagando com dinheiro, mas o ITCN explica que tais percentuais representam cerca dois milhões de pessoas que são impedidas de ter essa facilidade diariamente, uma vez que, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), as duas empresas transportam cerca de 7,8 milhões de passageiros diariamente.

Os advogados do ITCN afirmam que, o fato de os terminais de autoatendimento instalados nas estações não aceitarem dinheiro em espécie para a compra de passagens prejudica a população mais vulnerável, “aquela que não tem acesso e, muito menos, condições de acesso aos serviços bancários tradicionais ou digitais (e suas infraestruturas), internet e smartphones”.

Segundo Mariana Chaimovich, assessora jurídica do ITCN, “Permitir o fechamento das bilheterias, exigindo que a população possua não apenas conta em banco, mas acesso à internet rápida e a celulares de última geração, não condiz com a realidade da grande maioria dos brasileiros e brasileiras, restringe as alternativas disponíveis para pagamento e faz menos sentido ainda quando se trata de transporte público, cujo objetivo é permitir a acessibilidade à maior quantidade de pessoas possível”.

FECHAMENTO DAS BILHETERIAS

De acordo com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, a substituição das bilheterias tradicionais faz parte do plano de modernização dos meios de pagamento nos transportes iniciado em setembro de 2019.

Além da opção de compra do bilhete para embarque nas máquinas de autoatendimento (ATM) e nos estabelecimentos comerciais parceiros, existe o incentivo para que o cidadão adquira o hábito de comprar sua passagem por meios digitais antes mesmo de chegar na estação.

Um importante canal nesse processo de mudança é o WhatsApp. Além não precisar que nenhum outro aplicativo seja baixado, o WhatsApp conta com a facilidade de ter o pagamento por PIX e compra de até 5 bilhetes por dia, com todo processo de venda e recebimento do Bilhete QR Code direto pelo aplicativo de mensagens e usando o app do banco para efetuar o pagamento“, informou a STM, em nota.

O Bilhete Digital QR Code pode ser usado direto da tela do celular.

A compra do Bilhete Digital QR Code por WhatsApp é feita exclusivamente pela conta oficial do TOP. Para isso, é preciso adicionar o número (11) 3888-2200 aos contatos do celular, solicitar atendimento e seguir as orientações. O bilhete é gerado na tela da própria conversa e pode ser salvo na galeria (Android) ou Arquivos (iOS) do celular e também é enviado para o e-mail do cliente.

SINDICATO DOS METROVIÁRIOS TAMBÉM É CONTRÁRIO

Como mostrou o Diário do Transporte, a extinção de todas as bilheterias do Metrô e da CPTM por parte da gestão do governador João Doria foi mal-recebida por representações de trabalhadores do setor de transportes.

Na manhã do dia 04 de outubro de 2021, a STM anunciou a um programa local de TV que a partir de 08 de outubro começaria um plano para fechar estas bilheterias que classifica como “tradicionais”.

O plano começaria na prática com duas estações: Belém, na Linha 3-Vermelha do Metrô e Granja Julieta, na Linha 9-Esmeralda da CPTM.

A expectativa era até o final de 2021 encerrar o funcionamento das bilheterias tradicionais no sistema metroferroviário.

Na prática somente quatro estações (Belém e Jardim Colonial, do Metrô, e João Dias e Granja Julieta, da CPTM) instituíram novo modelo de compra de passagens, o que provocou a reação negativa de passageiros que utilizam as estações pelas dificuldades encontradas na operação do pagamento.

O diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, em entrevista ao Diário do Transporte, lembrou que onde houve redução de atendimento de bilheteria, o passageiro passou dificuldades e que, com a extinção, o problema será maior. Fajardo acredita que a medida é para favorecer economicamente a empresa que controla o QR Code.

“O sindicato é completamente contra essa atitude que o governo está tomando, Metrô e CPTM, porque isso vai afetar a vida dos usuários, além de provocar um desemprego grande entre os trabalhadores dessas terceirizadas que estão vendendo bilhete tanto no metrô, quanto na CPTM. Então nós somos contra porque hoje com as bilheterias tem uma grande fila que se forma porque o povo não consegue comprar o QR Code, o QR Code é um problema, as pessoas têm muita dificuldade, o Bilhete Único. A prefeitura também criou dificuldades e o povo vai ter muito problema para poder acessar o Metrô quando não tiver mais a bilheteria.

Então isso já está dando confusão onde já foi retirada a bilheteria e nós achamos que liquidando com as bilheterias favorece esse sistema de QR Code que é um sistema ainda muito ruim e que a população ainda tem muita dificuldade de lidar com ele.

Na verdade, esse é um processo que está favorecendo uma grande empresa e dificultando a vida do usuário, do trabalhador que fica sem emprego no caso dos bilheteiros e no caso dos usuários que ficam muitas vezes com dificuldade de acessar o transporte. O sindicato se posiciona contra essa medida.”

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Oras, se já estão fechando bancos,,,e demitindo aos montes….é o preço da modernidade e da discriminação,,,distanciando o pobre cada vez mais sarjeta e pobreza..

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