Governo de SP repassará recursos para o Metrô e a CPTM para recompor perdas de receitas após concessões de linhas à iniciativa privada

De um lado o trem da estatal e de outro, um da empresa provada

Assinatura em 20 de julho tem validade por cinco anos

ALEXANDRE PELEGI

Ao mesmo tempo que o governo paulista enaltece a concessão de linhas do sistema metroferroviário à iniciativa privada como algo positivo para os cofres públicos, um documento publicado hoje demostra que tais operações causam impacto na arrecadação das companhias CPMT e Metrô.

É o que se entente com a assinatura de um Termo de Acordo celebrado entre o Estado de São Paulo, a Companhia do Metropolitano e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Segundo o documento, publicado no Diário Oficial desta quarta-feira, 27 de julho de 2022, o objetivo é permitir um mecanismo de repasse de recursos financeiros, que serão apurados mensalmente, para “a recomposição da receita tarifária em decorrência dos impactos das operações das linhas metroferroviárias concedidas à iniciativa privada na arrecadação das Companhias.

Com data da assinatura em 20 de julho, o prazo de vigência do acordo é de cinco anos a partir da assinatura.

A CPTM perdeu suas linhas mais rentáveis, a 8-Diamante e a 9-Esmeralda, com a concessão para o grupo CCR/Ruas. Juntas, têm 79 km de extensão, 43 estações e transportavam antes da pandemia 1,1 milhão de passageiros por dia.

Além disso, a Linha 7-Rubi deverá ser concedida junto com o Trem Intercidades (Barra Funda-Campinas).

Atualmente a Companhia do Metrô de São Paulo, por exemplo, opera somente quatro linhas do sistema: as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, além do monotrilho da Linha 15-Prata. A Linha 6-Laranja de metrô já nascerá concedida (Consórcio LinhaUni), e o monotrilho da linha 15-Prata, apesar de leilão realizado para a concessão e vencido pela ViaMobilidade, está suspenso pela Justiça.

As linhas 4-Amarela e 5-Lilás são operadas pelo Grupo CCR-Ruas (ViaQuatro e ViaMobilidade), que hoje opera, com as outras concessões adquiridas junto à CPTM, mais quilômetros de linhas metroferroviárias que o Estado de SP.

Essa quantidade de passageiros, que antes pagava tarifa para o Estado, contribui agora para o cofre das empresas privadas, que têm nesta receita seu principal retorno de investimento.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    Êta iniciativa privada que mais parece privada da iniciativa! Assim, é fácil privatizar, terceirizar, pepepezar e outros azares …

  2. Felipe K disse:

    Isso é um absurdo! E como querem conceder mais linhas?

    Isso é um descalabro, retrocesso total com São Paulo. O que acontece com as linhas 8 e 9 por exemplo não é só culpa dos funcionários que trabalham com uma carga extenuante e possuem baixos salários, sem direitos trabalhistas respeitados, e benefícios aquém das necessidades, mas também por um plano de precarização do trabalho e exploração de mão de obra onde se economiza com tudo.

    Nem limpeza nos trens existe mais. Os próprios maquinistas que não aguentam mais trabalhar em trens IMUNDOS, estão passando vassoura nas composições pra dar um pouco de conforto pros passageiros; é uma VERGONHA.

    O próximo governador que conceder linhas do metrô e CPTM deveria ser preso IMEDIATAMENTE.

  3. Mariana Tratoria Spectaculare disse:

    Privatiza que melhora. Kkkkkkkkkk. Piada.

  4. Leoni disse:

    O sr. Garcia que ainda é comandado pelo “gestor” quer fazer um trampolim eleitoral, impondo mais uma concessão precipitada com prazo de 30 anos sem a remoção dos cargueiros da região central em uma clara irresponsabilidade!

    Conforme descrito nesta reportagem a CCR, empresa que administra inúmeras concessões no Brasil com Itausa, Votorantim com participações da Andrade Gutierrez, Camargo Côrrea, CR Almeida, possuindo ações na Bolsa, renumera muito bem seus diretores, a maioria oriundos da CPTM e Metrô, o mesmo não se pode dizer em relação aos seus técnicos e operadores, tem como objetivo maior o lucro a seus acionistas, e não o bem-estar dos usuários de serviços, gastando milhões em publicidade em matérias pagas em jornais, revistas especializadas em rádio, e TV.

    Não bastasse os exemplos como está acontecendo com a precariedade das atuais Linhas 8 e 9, agora desejam extinguir o Serviço-710 que possui simplesmente a integração com TODAS Linhas Metrô Ferroviárias mesmo sabendo que é a Linha da CPTM com maior demanda superando a Linha 11-Coral em mais de 20% por conta de mais uma concessão precipitada em ano eleitoral, e um TIC até Campinas que possuirá demanda menor que a Linhas 13-Jade com atualmente 11,5 mil passageiros diários, e que querem colocar na Barra Funda sem expandir as linhas para tal!

    Estas múltiplas concessões em Trens, Metrô e Ônibus que possuem forte sociedade com as benesses do poder Público terão um impacto financeiro crescente já no próximo ano, e será extremamente negativo para os cofres do tesouro estaduais por conta de grandes quantias aplicadas, pois poderá faltar recursos para as obrigações contratuais. Em uma situação mais crítica, poderá ser necessário remanejar verbas de outras áreas como saúde e educação para cobrir esses custos.

    Já passou muito da hora de unificar todas as linhas metropolitanas Metrô e CPTM numa única empresa, com planejamentos e investimentos unificados. Alô! MPE-Ministério Público Estadual e TCE-Tribunal de Contas Estadual vamos fiscalizar melhor estas concessões, elas tem sido maléficas para o Estado e para a população e só beneficiam a iniciativa privada!

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