ENTREVISTA: “Tatuzão” da linha 6 danificado por rompimento de rede de esgoto deve voltar a operar no fim de agosto

Estimativa é do Governo do Estado e da empresa Acciona; Garcia diz que previsão de entrega da linha está mantido

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

OUÇA:

Deve voltar a funcionar no fim de agosto de 2022, o “tatuzão” sentido centro da linha 6-Laranja de metrô, equipamento utilizado para abertura de túneis, que foi danificado com o rompimento de uma tubulação de esgoto em 1° de fevereiro que ocorreu no canteiro de obras na região da Ponte do Piqueri, na Marginal Tietê.

Já o outro equipamento, que vai seguir para o lado norte da linha, deve operar em novembro deste ano.

A promessa é do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que esteve na manhã desta quinta-feira, 21 de julho de 2022, ao lado do diretor-adjunto da Acciona, empresa espanhola que constrói e vai operar a linha, Lúcio Matteucci, na futura estação Santa Marina.

A construção da futura estação Santa Marina, em Água Branca, é considerada a mais adiantada. No local, onde foram escavados mais de 126 mil metros cúbicos, cerca de 40% das obras já estão concluídas. Para isso, foram utilizados mais de 25 mil metros cúbicos de concreto e 3.886 toneladas de aço.

As causas do acidente, entretanto, ainda são desconhecidas e Garcia não informou o prazo para a conclusão das investigações.

O governador ainda reafirmou a promessa de manter a entrega da linha até 2025.

Segundo o Governo do Estado, os trabalhos na Linha 6-Laranja geram aproximadamente nove mil empregos diretos e indiretos, número 82% maior do que o registrado no início do ano, de cerca de cinco mil empregos.

Deste total de trabalhadores nas obras civis, mais de 460 são mulheres, das quais 300 exercem atividades como pedreiras, auxiliares de movimentação de carga, motoristas de caminhão, ajudantes de laboratório, operadoras de ponte rolante, eletricistas, auxiliares de produção, engenheiras e técnicas. Elas participaram do programa Mulheres na Construção, realizado pela ACCIONA Construcción, responsável pelas obras.

DADOS DA LINHA:

 LINHA 6 – LARANJA:

Retomada das obras: 06 de outubro de 2020

Previsão de entrega total: outubro de 2025

Construção e operação em PPP – Parceira Público Privada: Concessionária “Linha Universidade Participações S.A.”, liderada pelo grupo espanhol Acciona

Antigo Consórcio: Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

Extensão: 15,3 km de extensão, entre a Vila Brasilândia (zona Noroeste) a Estação São Joaquim (região central)

Valor do empreendimento: R$ 15 bilhões

Frota: 22 trens

Demanda diária: 630 mil passageiros

Estações: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica, Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista e São Joaquim

Prazo de contrato: 19 anos para manutenção e operação.

Integrações: Sistemas de ônibus e linhas 1-Azul do Metrô, 4-Amarela operada pela concessionária ViaQuatro e 7-Rubi e 8-Diamante, ambas da CPTM

No dia 07 de julho de 2020 terminou a última prorrogação do processo do contato de caducidade com o Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

O contrato era do Consórcio MOVE São Paulo, responsável pela construção da linha 6 Laranja do Metrô (Vila Brasilândia/São Joaquim).

O MOVE São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, assumiu o contrato de construção em 2015, mas entregou até a paralisação dos serviços, em 02 de setembro de 2016, apenas 15% das obras.

As obras estão paradas desde setembro de 2016 e assim como a atuação da MOVE SP foi controversa, a entrada da Acciona foi marcada por uma novela com ameaça do grupo espanhol não assumir o contrato, contestando valores e condições, tudo isso mesmo depois do anúncio pelo governador João Doria.

O anúncio de que a Acciona assumiria o contrato foi feito em 07 de fevereiro de 2020 pelo governo paulista. Relembre: Linha 6-Laranja do Metrô terá obras retomadas pela Acciona

A linha 6 é uma PPP – Parceria Público Privada prevê a construção, os trens e a operação da linha.

A Acciona, conglomerado espanhol formado por mais de 100 empresas e com sede em Madri, atua no Brasil desde 1996, onde conta com mais de 1500 profissionais em unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco.

Deteve por 10 anos a concessão da chamada Rodovia do Aço (BR-393), além de ter participado das obras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, além de dois lotes do Rodoanel Norte, em São Paulo.

Venceu licitações para a construção de linhas e estações de metrô em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

 

 

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