OPINIÃO: A inovação aplicada ao acesso e aos meios de pagamento do transporte público

Foto: Diário do Transporte

Ferramentas tecnológicas adaptáveis a qualquer tipo de plataforma e operação contribuem para aprimorar a experiência dos passageiros em seus deslocamentos e nos impulsiona a trilhar cada vez mais o caminho da inovação a serviço da mobilidade humana

RODNEY FREITAS – CEO Autopass

Não é de hoje que mobilidade e inovação se movem lado a lado e de forma cada vez mais acelerada – sempre motivada pela crescente necessidade da sociedade como um todo. Tanto é que a história nos mostra que desde os primórdios da Revolução Industrial, mais precisamente no início de 1800, a necessidade de movimentar cargas e pessoas por distâncias maiores impulsionou a invenção na Inglaterra da primeira locomotiva movida a vapor, com vagões interligados e que se moviam sobre trilhos fixos no solo. Já na metade do mesmo século XIX, as primeiras ferrovias já começavam a chegar ao Brasil, primeiro no Rio de Janeiro e alguns anos depois em São Paulo.

Desde então, os trilhos e logo depois as estradas se tornaram plataformas importantes de inovação ao redor do mundo todo, contribuindo para que as pessoas pudessem não apenas se movimentar com mais velocidade, mas principalmente de forma mais segura, prática e confortável, percorrendo distâncias mais longas em menor tempo.

Dentro desta linha de evolução constante, era natural que os esforços da inovação não ficassem restritos unicamente aos meios de transporte, mas assumissem um olhar ainda mais abrangente, envolvendo toda a jornada de mobilidade urbana e aprimorando a experiência das pessoas em seus deslocamentos. Essa visão mais ampla de mobilidade coincide com o avanço cada vez mais rápido da tecnologia e da digitalização a serviço das pessoas, chegando, por exemplo, aos meios de pagamento e à forma de acessar plataformas e terminais nas grandes metrópoles.

Uma comparação simples de uma realidade bem próxima de nós ajuda a exemplificar de maneira clara o descompasso inovativo entre os meios de transporte, meios de pagamento e acesso ao transporte. Enquanto o Metrô da cidade de São Paulo é referência de modernidade tecnológica para o mundo há quase meio século, o acesso às suas plataformas até o final de 2020 só era possível por meio das passagens unitárias magnéticas adquiridos exclusivamente nas tradicionais bilheterias instaladas nas estações, que tinham o dinheiro como única forma de pagamento. Havia espaço, portanto, para avançar em soluções mais amigáveis aos passageiros, capazes de melhorar e acelerar o fluxo de pessoas nas estações.

Em dezembro de 2020, o primeiro passo efetivo de transformação digital na bilhetagem do transporte público na capital e na região metropolitana de São Paulo foi dado com a nova plataforma TOP, que introduziu simultaneamente no mercado o Bilhete Digital QR Code e o Aplicativo TOP. De uma vez só, as novas soluções contribuíram para diversificar as formas de pagamento, viabilizar a compra antecipada de bilhetes antes mesmo de chegar às estações e facilitar o acesso às plataformas com a simples aproximação da tela do celular nos leitores luminosos instalados nas catracas.

As mudanças não pararam por aí. Em maio de 2021, a compra do Bilhete Digital QR Code foi integrada a uma tecnologia bastante conhecida dos passageiros: o WhatsApp, reconhecidamente um dos aplicativos de mensagens mais populares do Brasil – segundo pesquisa da Opinion Box em parceria com o portal Mobile Time, hoje 99% dos brasileiros têm o app em seus celulares. Além de modernizar a jornada de compra com uma opção adicional para aquisição antecipada de bilhetes, o novo canal inaugurou também a venda das passagens por PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil que já se posicionou em pouco tempo como uma das principais formas de transação financeira no País.

Em linha paralela ao caminho inevitável e sem volta da digitalização, o estudo de comportamento dos passageiros indicava também a necessidade de manter e ampliar os pontos físicos de compra de bilhetes e recargas dos cartões de transporte. Além dos novos canais digitais, os investimentos incluíram também a expansão do número de pontos físicos de atendimento, com mais de 800 máquinas de autoatendimento (ATMs) instaladas em todas as estações da CPTM e do Metrô e o aumento de 2 mil para mais de 8 mil pontos comerciais parceiros para a compra de bilhetes QR Code e recargas. Essa combinação entre Físico e Digital está dentro da tendência hoje chamada de ‘Figital’, que tem atendido a diferentes perfis e necessidades de clientes dos mais diversos mercados, incluindo os de mobilidade.

Seja pela ampliação dos canais de venda, a diversificação das formas de pagamento ou a facilidade de comprar bilhetes impressos ou digitais antes mesmo de chegar às estações, a plataforma TOP tem colocado a modernidade tecnológica e a digitalização a serviço do transporte metropolitano em São Paulo, com soluções inovadoras à palma da mão dos passageiros.

Hoje, com pouco mais de um ano e meio desde o lançamento da plataforma TOP em São Paulo, números expressivos refletem o processo de transformação digital em andamento no transporte público paulista: mais de 185 milhões de bilhetes QR Code utilizados entre os canais físicos e digitais, mais de 1 milhão de cartões TOP SP emitidos e mais de 1,3 milhão de cadastros no aplicativo. Além disso, o mindset de inovação nos impulsionou a criar o primeiro cartão de transporte integrado a soluções de pagamento – conta digital, débito e crédito – em São Paulo. O objetivo é democratizar o acesso das pessoas a essas funcionalidades e facilitar seu dia a dia em uma rotina que sabemos que, para muitos, é múltipla e corrida.

Ferramentas tecnológicas adaptáveis a qualquer tipo de plataforma e operação contribuem para aprimorar a cada dia a experiência dos passageiros em seus deslocamentos e nos impulsiona a seguir trilhando cada vez mais o caminho da inovação a serviço da mobilidade humana. É focando nas pessoas e em suas necessidades que promovemos mudanças que de fato contribuem para a melhoria de suas vidas. Por aqui, estamos prontos para seguir ouvindo todos nossos clientes e fazer da inovação um diferencial para os ajudar em seu dia a dia.

Rodney Freitas – CEO Autopass

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Comentários

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    O Bilhete Edmonson, usado nos sistemas sobre trilhos de São Paulo, era uma forma estável e aceitável para grande parte da população, sendo a praticidade na venda e uso a maior das inovações, ainda insuperável devido a sua simplicidade: basta comprar e usar.

    O Bilhete Único paulistano, um dos primeiros no país, foi uma inovação, mas ao mesmo tempo teve um problema, que é similar a qualquer sistema de bilhetagem por cartões: a necessidade de recarga.

    Talvez se não fosse a necessidade de vale-transporte, os cartões eletrônicos talvez não resistiriam. Dado a mecânica da necessidade de colocar créditos ou ir atrás de segunda via, os cartões eletrônicos podem ser práticos no uso, mas burocráticos na aquisição ou manutenção deles. Em compensação, o Bilhete Único tem a vantagem da integração entre modais de rua (ônibus) e ferréos (trens). Isso foi um fator que também ajudou a consolidar o cartão.

    Em seguida veio o BOM, que teve sua adoção gradual na região metropolitana de São Paulo e algumas cidades nas adjacências (como os serviços da Artesp entre as divisas da RM São Paulo e RM Sorocaba, e serviços municipais como os da cidade de Cotia e Carapicuíba). O BOM também veio com a vantagem das integrações.

    Bilhete Único e Autopass BOM na Grande São Paulo foram as formas consolidadas de bilhetagem por cartões usadas por quase 20 anos. Até que em algum momento de 2020 resolveram “de supetão” trocar o BOM pelo tal “top”.

    Logo de cara, problemas notíciados na troca forçada – falhas na recarga ou no uso, adoção forçada de um cartão com função bancária (que já foi demonstrado que há problemas de golpes e fraudes com o mesmo), dores de cabeça que o BOM não tinha – e olha que o BOM teve também um cartão de crédito, mas não com adoção forçada tal como o “top” o é.

    A soma de um político com interesses empresáriais e empresários com interesses econômicos resultou neste problema. Uma tentativa de adoção expressa de um sistema de bilhetagem que nem testado direito foi, com pessoas sofrendo com a dificuldade gerada com o novo cartão.

    Palavras bonitas não vão resolver problemas no transporte público. Expor os problemas de forma transparente, buscar quem pode ajudar a resolver e resolve-los é a missão de quem está cuidando do transporte público. Não adianta uma equipe de marketing ir atrás de cada palavra mal dita sobre o novo sistema. Nem um sistema automatizado de respostas que não resolve os problemas.

    Antes de entregar algo novo, testa-lo ao máximo deveria ser a prioridade. Não sei se o BOM tinha problemas graves de fraudes, e entendo que parte da necessidade de troca é por este motivo. Mas bem, cidades tinham em seus centros pontos de “compra de créditos” e isso salvo engano é fraude, algo que nunca vi sendo investigado de forma severa.

    Enfim, não gaste com marketing. Gaste com desenvolvimento, encontre formas de resolver os problemas. Olhe para si e suas falhas primeiros antes de elogiar algo que não está perfeito para os demais.

  2. Rogério disse:

    Sem falar na tentativa de usar o Top como um cavalo de Tróia para adoção de uma conta digital.

  3. Wagner De Queiroz disse:

    Apesar dos problemas iniciais com o bilhete único, a adoção do TOP foi um tiro no pé, o bilhete único já estava consolidado e apesar de algum problema de fraude pontual, são coisas muito pequenas no universo do bilhete único, que de ia ser expandido para também ser usado na EMTU e empresas municipais RMSP e talvez baixada santista.

    Foi muito traumática a adoção do TOP, máquinas que não funcionavam, acabaram minando a adoção da função crédito e conta digital, pois como você vai confiar num cartão que não se pode fazer recarga?

    Apesar de se eleger uma empresa do varejo para emitir o cartão ser uma ideia valida e louvável, usar a rede lotérica teria maior cobertura por ele já ser correspondente bancário confiável. E já estar consolidado. Fazer um pix para o cartão TOP é uma ideia valida, contudo costuma falhar e causar transtorno, pois máquina de recarga pode não estar disponível, colocar a internet nos validadores em ônibus para permitir a recarga no momento de se usar o cartão poderia ser uma solução bem vinda, já que na rede metra que ainda usa edmonson em pontos de revenda espalhados pela cidade ajudam novos usuários e quando não se pode validar a recarga no top. Estava eu em São Bernardo do campo numa sexta chuvosa as 23h com cartão top sem saldo com recarga aguardando validação, debaixo de chuva procurando ponto de venda, com medo de perder a conexão com a rede metroviária a meia noite e ser obrigado a esperar 4 horas para abertura da estação,. Fora ouvir reclamação de outros usuários que dizem não poder colocar crédito no cartão top por diversos motivos. Inclusive aplicativo no celular inoperante. Falha momentânea? Fazer o pedido por whatsapp até ajuda, quando funciona.

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