Empresa que opera nos transportes intermunicipal e urbano comunica que chegou o momento de parar “por absoluta falta de condições econômico-financeiras para prosseguir honrando com os compromissos, tanto para com os colaboradores como fornecedores”
ALEXANDRE PELEGI
A Fretcar, uma das empresas vencedoras da licitação pública ocorrida em 2009 para a operacionalização das linhas intermunicipais do interior do Ceará, decidiu encerrar suas atividades. A empresa também atende o transporte urbano de Fortaleza, onde é responsável por 5% do atendimento urbano.
Em comunicado interno, a diretoria da viação ressaltou o prejuízo causado pela pandemia de Covid 19, que trouxe consequências significativas para muitas empresas.
“No caso da Fretcar não foi diferente, com a redução drástica e sistemática do número de passageiros, o que nos trouxe enormes prejuízos”, afirma a Fretcar.
“Contudo, por absoluta falta de condições econômico-financeiras para prosseguir honrando com os compromissos, tanto para com os colaboradores como fornecedores, chegou o momento de anunciarmos o encerramento das nossas atividades”, conclui.
Em nota pública, o Sindiônibus (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará) lamentou o encerramento das atividades da empresa.
“O fim das atividades se deu na última quinta-feira (30), devido ao desequilíbrio econômico-financeiro que assola o sistema de transporte desde o início da pandemia de Covid-19. Essa é a crise mais grave já enfrentada pelo setor. O transporte coletivo já enfrentava grandes dificuldades devido à decrescente no número de passageiros. Mesmo com o retorno da economia, em Fortaleza, o número de passageiros está em 65% se comparado com a demanda registrada em 2019. Além disso, com os sucessivos aumentos do combustível, a situação tem se tornado insustentável”, diz a nota.
Como consequência do fechamento da empresa, será realizada uma reunião nesta sexta-feira com o Sintro-CE (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Ceará) para encaminhar as rescisões dos contratos de trabalho dos funcionários.
Em entrevista para uma emissora de rádio de Fortaleza, o presidente do Sindiônibus, Dimas Ramalho, descreveu o momento atual como “muito dramático”, classificando-o como a pior crise que o setor já atravessou nacionalmente.
A Fretcar atendia rotas urbanas para municípios cearenses como Redenção, Guaiúba, Pacatuba, Maranguape e São Gonçalo.
Nos trechos intermunicipais, operava nas Rodoviárias de Fortaleza, Itapipoca e Quixadá.
Atendia também as cidades de Fortaleza, Jijoca, Quixadá, Camocim, Itapipoca, Itarema, Acaraú e Quixeramobim.
Além da Fretcar, o Sindiônibus alerta para a situação de outras duas empresas – Santa Cecília e Ceará Grande, que entraram com pedido de recuperação judicial por falta de opção.
Após a publicação da matéria, a Fretcar enviou a seguinte nota ao Diário do Transporte:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
