Rodoviários de São Vicente (SP) marcam greve para esta sexta (1º)

Assembleia foi realizada na última semana. Foto: Divulgação.

Paralisação é contra atraso de salários, benefícios e falta de proposta para a data-base

JESSICA MARQUES

Os rodoviários de São Vicente, no Litoral Paulista, vão fazer uma greve de ônibus a partir desta sexta-feira, 1º de julho de 2022. Segundo a categoria, a paralisação é por atraso de salários, de benefícios e falta de proposta para o acordo coletivo de trabalho da data-base de maio.

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região informou que aguarda resposta aos ofícios que enviou à prefeitura e à empresa Otrantur, que opera o serviço na cidade.

Ainda segundo a categoria, os salários e benefícios do pessoal de manutenção e fiscalização estão atrasados desde 31 de maio. Por sua vez, os motoristas receberam o pagamento em 10 de junho. Há também atraso do vale-refeição e da cesta-básica.

Diante desta situação, os motoristas e demais funcionários decretaram estado de greve, em assembleia na noite de quinta-feira, 23 de junho de 2022, no sindicato, na esperança de ter os direitos quitados nesta semana.

Contudo, sem resposta da empresa, o sindicato publicou um edital de aviso da paralisação por tempo indeterminado na segunda (27). A assembleia decidiu que apenas o pagamento de todos os atrasados e a proposta de acordo evitará a greve.

Na sexta-feira, logo após o início da paralisação, o jurídico do sindicato pedirá audiência ao TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho) em processo de dissídio coletivo.

Em nota, a diretoria diz que “a empresa finge fazer o transporte e a Prefeitura finge que tem transporte”. “Quem paga é a população e os trabalhadores, que estão passando necessidades, alguns há dois meses sem salários e benefícios como cesta-básica e vale-refeição. Trabalham sem se alimentar”, diz trecho da nota.

A diretoria também afirma que o plano de saúde poderá ser suspenso por falta de pagamento. Caso isso ocorra, mais de 600 pessoas ficarão sem atendimento médico.

O sindicato reforça ainda que a Prefeitura subsidia a empresa com R$ 400 mil por mês, mas não fiscaliza o serviço. A empresa opera com 20 ônibus por dia, equivalente a 20% da frota, dando 40 folgas diárias a empregados.

A diretoria também pede um acordo no TRT, de um pagamento em seis vezes, de horas extras e vale-refeição nas férias. A empresa pagou em fevereiro, março e abril, mas deve as parcelas de 25 de maio e 25 de junho.

Vários oradores disseram na assembleia que a categoria não acredita mais na empresa e que, portanto, qualquer pagamento parcial não vai resultar no fim da greve.

Os trabalhadores afirmaram ainda que, após deflagrada a greve, só será suspensa se a companhia saldar todas as pendências trabalhistas e apresentar proposta de acordo coletivo com reposição de 12% nos salários e benefícios.

OUTRO LADO

Em nota ao Diário do Transporte, a Prefeitura informou que não foi notificada sobre a paralisação.

Confira a nota, na íntegra:

A Prefeitura de São Vicente informa que, até o momento, não recebeu qualquer notificação sobre a referida greve. Por sua vez, em caso de confirmação da greve, a Administração Municipal, por meio da Secretaria de Defesa e Ordem Social (Sedos), notificará o sindicato da categoria, para assegurar contingentes de trabalhadores necessários para a circulação de 100% da frota da concessionária no horário de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 60% nos demais horários, a fim de que a população não seja prejudicada.

Vale destacar que antes mesmo de ser eleito para comandar a Prefeitura de São Vicente, o prefeito Kayo Amado já fazia duras críticas à forma turbulenta com a qual o contrato com a empresa foi firmado pela antiga gestão.

Durante recente greve dos funcionários da empresa, por falta de pagamento de salários e benefícios, o prefeito se posicionou a favor dos trabalhadores e da população, voltando a criticar a falta de organização da empresa.

Desde que assumiu, em janeiro de 2021, a atual Administração Municipal vem cobrando sucessivamente a empresa por melhorias na qualidade do serviço prestado à população, que deixa muito a desejar.

Diante disso, foram entregues, por parte da Prefeitura, dezenas de ofícios e notificações à companhia. Na última semana, a Sedos realizou mais uma fiscalização na empresa, identificando diversos problemas e produzindo um relatório para possíveis sanções à concessionária do transporte público.

Em razão de todos os problemas citados, a Administração Municipal estuda formas judiciais de romper o contrato com a empresa.

O Diário do Transporte aguarda um posicionamento da empresa sobre a possível paralisação.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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