Greve de metroviários e do setor ferroviário levam caos a Londres nesta semana

Trens que operam na Picadilly Line do metrô de Londres.

Estimativa é que 10.000 trabalhadores cruzarão os braços a partir desta terça (21), quando metade das linhas ferroviárias da Grã-Bretanha estarão sem operar por três dias alternados

ALEXANDRE PELEGI

Londres deve enfrentar o caos nesta semana devido à paralisação dos trabalhadores do metrô e das ferrovias.

Líderes sindicais confirmaram as greves após falharem as negociações sobre salários, empregos e condições de trabalho não chegaram a um acordo.

O sindicato ferroviário, marítimo e de transporte (RMT) por intermédio de seu secretário-geral, Mick Lynch, disse apesar dos melhores esforços dos negociadores sindicais, “nenhuma solução viável para as disputas foi criada“.

Lynch confirmou que as greves na Network Rail e 13 operadoras de trem serão realizadas nessa terça-feira, 21 de junho de 2022, quinta (23) e no próximo sábado (25). O metrô londrino vai parar na terça-feira.

As greves foram organizadas em protesto ao descontentamento dos trabalhadores afiliados ao sindicato da RMT diante da proposta de redução de pessoal e de mudanças nas pensões.

As principais linhas de metrô ficarão fechadas por 24 horas nesta terça-feira.

Na semana passada greves noturnas paralisaram as linhas Central, Jubilee e Victoria do metrô todas as sextas e sábados até domingo (19).

A Transport for London (TfL), responsável pelo transporte coletivo na Grande Londres, aconselha as pessoas a não viajarem, se possível.

A gerenciadora do transporte alerta os passageiros do metrô que os poucos serviços em execução estarão lotados de passageiros, o que deverá sobrecarregar os serviços de ônibus por longas filas.

Os motoristas estão sendo avisados ​​para um aumento no tráfego, uma vez que os passageiros dos trens mudam para o transporte por carros durante as greves ferroviárias.

MOTIVO DA GREVE

O governo nacional exigiu da TfL, como condição para um acordo de financiamento, a sustentabilidade financeira do transporte londrino em suas operações até abril de 2023.

Como decorrência, a TfL propôs não reocupar 600 postos de trabalho à medida que ficarem vagos. A rede ficaria com mais de 4.500 funcionários em Londres, o que seria suficiente para atender os clientes, garantiu a TfL.

A TfL adiantou ainda que ninguém perderia empregos por causa dos planos de adequação financeira da empresa.

Mick Lynch, secretário-geral do RMT, apelou para uma reunião direta com o prefeito de Londres Sadiq Khan para debater as propostas da TfL.

“Não há sentido em nosso sindicato continuar a se sentar em oposição a representantes da administração que não têm inclinação nem autoridade para negociar um acordo quando o poder está com o prefeito”, disse Lynch à imprensa do Reino Unido.

O prefeito de Londres tem poderes para aumentar os impostos. Apenas quatro bancos tiveram um lucro de £ 34 bilhões no ano passado e devem pagar mais de £ 4 bilhões em bônus aos operadores de Londres. Um imposto inesperado sobre esses lucros financiaria mais do que adequadamente a rede de transporte de Londres”, sugeriu o sindicalista.

E concluiu, desafiando o prefeito Sadi Khan: “Ele deve escolher entre enfrentar o governo conservador e exigir um acordo de financiamento justo para os londrinos ou atacar os funcionários leais do metrô que mantêm a capital em movimento dia após dia.”

O QUE VAI PARAR

Nesta terça-feira (21) o transporte ferroviário nacional e a maioria dos serviços ferroviários sob a responsabilidade da TfL e também nacionais serão severamente interrompidos ou não funcionarão.

Isso inclui todas as linhas de metrô: Circle Line, Jubilee Line, District Line, Hammersmith e City Line, Metropolitan Line, Northern Line, Central Line, Victoria Line, Bakerloo Line, Piccadilly Line e Waterloo & City Line.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta