VÍDEOS, FOTOS e ÁUDIO: Túnel do local do acidente da linha 6-Laranja é totalmente reconstruído. Diário do Transporte esteve nas obras

Tatuzão só deve voltar a funcionar nos próximos meses

WILLIAN MOREIRA/ADAMO BAZANI

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli, junto com técnicos da concessionária Acciona, visitou as obras de construção da Linha 6-Laranja de metrô de São Paulo nesta sexta-feira, 03 de junho de 2022.

O Diário do Transporte foi convidado pela STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) para descer no ponto onde houve a ruptura da tubulação de esgoto no acidente ocorrido no dia 1° de fevereiro, inundando totalmente o local.

O túnel que liga os dois lados da linha passando sob o Rio Tietê já está pronto, inclusive no ponto em que houve o desabamento.

O tatuzão (a tuneladora) só deve voltar a funcionar nos próximos meses

O resultado da perícia deve sair em novembro.

O coordenador de obras da linha 6, pela STM, Jelson Siqueira, que o procedimento para retirar o tatuzão danificado pelo esgoto e concluir a montagem do túnel teve como uma das principais preocupações não deslocar o solo na região, inclusive com injeção de concreto logo após a movimentação do equipamento.

OUÇA:

Secretário Paulo Galli em visita às obras nesta sexta-feira, 03 de junho de 2022

Pelo que a reportagem verificou no local, a quantidade de trabalhadores é grande, praticamente igual à que atuava antes do acidente.

Para acessar as obras há todo um controle de quantidade e identidade de pessoas, inclusive para monitoramento em casos de emergência.

Segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli, estão sendo mantidos os prazos e cronogramas das obras porque nos outros canteiros não foram interrompidos.

A previsão é de obras concluídas em outubro de 2025.

HISTÓRICO DO ACIDENTE:

No dia 1º de fevereiro deste de 2022, durante o processo de escavação dos túneis da nova linha de metrô, um dano crítico foi causado nas estruturas de um interceptor da Sabesp que faz parte da nova rede de coleta de esgotos para diminuir a poluição do Rio Tietê.

Com este dano, um desabamento foi seguido de inundação dos poços de trabalhos para a nova linha, despejando mais de 170 milhões de litros de água suja.

Todos os equipamentos utilizados no local ficaram submersos e na superfície, a pista central e local da Marginal Tietê precisaram ser interditadas, devido uma cratera que se abriu.

Os impactos no transporte foram quase imediatos com cinco linhas de ônibus da capital paulista funcionando com desvios por algumas semanas, enquanto os trabalhos de recuperação da Marginal Tietê eram efetuados.

Mais de mil m³ de concreto, o equivalente a 650 caminhões betoneira e 12 mil m³ de pedras foram despejados no buraco do poço VSE Aquinos para estabilizar o solo.

O passo seguinte dos órgãos envolvidos, foi abrir uma nova via paralela para permitir a passagem dos veículos que antes utilizavam a pista local, com essa via sendo aberta na Rua Aquinos que foi ampliada e utilizou parte de um terreno privado para ganhar duas faixas.

A pista local foi reaberta em 25 de março, portanto, 55 dias depois do acidente e assim normalizando o trânsito na Marginal.

Com a circulação dos veículos normalizada, a Acciona voltou todo o trabalho ainda em conjunto com a Sabesp, para a retirada do esgoto dos poços de escavação enquanto a empresa de saneamento efetuava os reparos no tunel rompido no acidente.

No mês de maio toda a água foi retirada e tornou possível o acesso ao tatuzão, equipamento de grande porte que sofreu danos em razão do tempo que ficou submerso.

Quando estiver pronta, a Linha 6-Laranja contará com 15 km de extensão e 15 estações, ligando o bairro da Brasilândia, na zona norte, à Estação São Joaquim, na região central da cidade, reduzindo para 23 minutos um trajeto que hoje é feito de ônibus em cerca de uma hora e meia.

A linha deverá transportar cerca de 630 mil passageiros por dia e efetuar integração com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante dos trens urbanos e 1-Azul e 4-Amarela do Metrô de São Paulo.

Maior obra de infraestrutura em execução atualmente na América Latina, o empreendimento é uma parceria público-privada (PPP) do Governo do Estado de São Paulo com a Concessionária Linha Universidade, pertencente à Acciona.

DADOS DA LINHA:

 LINHA 6 – LARANJA:

Retomada das obras: 06 de outubro de 2020

Previsão de entrega total: outubro de 2025

Construção e operação em PPP – Parceira Público Privada: Concessionária “Linha Universidade Participações S.A.”, liderada pelo grupo espanhol Acciona

Antigo Consórcio: Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

Extensão: 15,3 km de extensão, entre a Vila Brasilândia (zona Noroeste) a Estação São Joaquim (região central)

Valor do empreendimento: R$ 15 bilhões

Frota: 22 trens

Demanda diária: 630 mil passageiros

Estações: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica, Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista e São Joaquim

Prazo de contrato: 19 anos para manutenção e operação.

Integrações: Sistemas de ônibus e linhas 1-Azul do Metrô, 4-Amarela operada pela concessionária ViaQuatro e 7-Rubi e 8-Diamante, ambas da CPTM

No dia 07 de julho de 2020 terminou a última prorrogação do processo do contato de caducidade com o Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

O contrato era do Consórcio MOVE São Paulo, responsável pela construção da linha 6 Laranja do Metrô (Vila Brasilândia/São Joaquim).

O MOVE São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, assumiu o contrato de construção em 2015, mas entregou até a paralisação dos serviços, em 02 de setembro de 2016, apenas 15% das obras.

As obras estão paradas desde setembro de 2016 e assim como a atuação da MOVE SP foi controversa, a entrada da Acciona foi marcada por uma novela com ameaça do grupo espanhol não assumir o contrato, contestando valores e condições, tudo isso mesmo depois do anúncio pelo governador João Doria.

O anúncio de que a Acciona assumiria o contrato foi feito em 07 de fevereiro de 2020 pelo governo paulista. Relembre: Linha 6-Laranja do Metrô terá obras retomadas pela Acciona

A linha 6 é uma PPP – Parceria Público Privada prevê a construção, os trens e a operação da linha.

A Acciona, conglomerado espanhol formado por mais de 100 empresas e com sede em Madri, atua no Brasil desde 1996, onde conta com mais de 1500 profissionais em unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco.

Deteve por 10 anos a concessão da chamada Rodovia do Aço (BR-393), além de ter participado das obras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, além de dois lotes do Rodoanel Norte, em São Paulo.

Venceu licitações para a construção de linhas e estações de metrô em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    Deu m…da e ninguém quer assumir! Qual teria sido, mesmo, a razão? Acusaram – indenvidamente! – as engenheiras mulheres de terem sido as responsáveis … O que tem a Comunidade de Engenharia (por inteiro) a dizer a respeito? Por qual razão o túnel teria tido sua diretriz rebaixada dos 17 metros abaixo da calha do rio Tietê? Abçs., caros companheiros de lida metroviária!

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