Rigras (Suzantur) é a única habilitada para continuar na licitação dos transportes de São Carlos (SP)
Publicado em: 17 de maio de 2022
Foram abertos envelopes de capacitação técnica; resta a oferta financeira
ADAMO BAZANI
A prefeitura de São Carlos, no interior de São Paulo, habilitou apenas a Rigras Transportes Coletivos e Turismo Ltda a prosseguir na licitação para concessão do transporte público da cidade por dez anos, podendo ser prorrogada por mais dez anos.
A Rigras é do mesmo grupo empresarial da Suzantur, que opera na cidade de forma emergencial desde agosto de 2016 (veja abaixo o histórico).
O resultado foi publicado em edição do Diário Oficial da cidade desta terça-feira, 17 de maio de 2022.
A outra empresa participante é a MJM Transportes e Serviços (Ribeirão Preto/SP), que foi inabilitada.
Cabe recurso administrativo da decisão.
Esta fase da concorrência se refere à capacitação técnica.
De acordo com conclusão da comissão permanente de licitação, a MJM, mesmo mostrando contratos anteriores de prestação de serviços em outras cidades, não conseguiu demonstrar que “tais veículos atendem a exigência do edital, uma vez que não foi informada a relação da frota e da mesma forma não foi possível quantificar a quantidade de passageiros possíveis de serem transportados nesse contrato”
“Considerando todas as informações detalhadas acima e de acordo com planilhas elaboradas pela Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (fls. 533 a 541), em consonância com o Edital da CP 01/22 que admite a somatória dos atestados apresentados temos como resultado final a comprovação de frota e passageiros de acordo com a Tabela 1 A empresa MJM TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA teve o quantitativo de frota mínimo no período de outubro/2019 a junho/2021 (21 meses) e em nenhum momento atendeu ao quesito de quantitativo de passageiros transportados mensalmente, portanto a empresa em questão NÃO ATENDE ao previsto em edital, no que se refere a capacitação técnica.” – diz trecho do parecer da área técnica.
Para a comissão, entretanto, a Rigras (Suzantur) conseguiu provar as operações de frotas exigidas no edital.
Considerando todas as informações detalhadas acima e de acordo com planilhas elaboradas pela Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (fls. 542 a 553), em consonância com o Edital da CP 01/22 que admite a somatória dos atestados apresentados temos como resultado final a comprovação de frota e passageiros de acordo com a Tabela 2 A empresa RIGRAS TRANSPORTES COLETIVOS E TURISMO LTDA teve o quantitativo de frota atingido no período de janeiro/2020 a dezembro/2021 (24 meses) e o quantitativo de passageiros em todo o período considerado (abril/2011 a fev/2022) portanto a empresa em questão ATENDE ao previsto em edital, no que se refere a capacitação técnica.
A próxima fase é de abertura da proposta financeira.
Como mostrou o Diário do Transporte, as empresas MJM Transportes e Serviços (Ribeirão Preto/SP) e Rigras Transportes Coletivos e Turismo (Ribeirão Pires/SP), que é a Suzantur, apresentaram no dia 07 de abril de 2022, os envelopes de acordo com o previsto no edital, estando presentes os representantes credenciados.
A Itapemirim, de Sidnei Piva de Jesus, que chegou a fazer questionamentos e atrasou a concorrência, mas acabou não participando.
Suzantur (Rigras) e MJM também fizeram questionamentos.
A MJM Transportes e Serviços, de acordo com a Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), é registrada em nome de Daniel Augusto Turim Felício, Holding Felício Participações, Luís Antônio Felício Junior e Sertran Transportes e Serviços Ltda, que é a Sertãozinho Transportes.
Já a Suzantur, registrada em nome de Claudinei Brogliato, além de já operar em São Carlos, atua no ABC Paulista, nas cidades de Santo André (contrato provisório), Diadema, Mauá e Ribeirão Pires.
Ainda de acordo com o poder público, diante da necessidade de avaliação da capacidade técnica dos licitantes, confrontando os atestados apresentados por eles com as exigências do Edital, a Comissão Permanente de Licitações decidiu suspender esta primeira etapa do processo para análise, encaminhando a documentação para avaliação da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito. Somente após essa análise de capacidade técnica é que será divulgada a habilitação e qualificação das empresas. Somente depois de vencida esta etapa, e respeitando o prazo de recurso, é que será marcada a data para abertura dos envelopes com as propostas de preço, no que caso específico dessa licitação, se refere aos valores do quilômetro rodado.
Segundo a prefeitura, o valor estimado desta licitação é de R$ 493,4 milhões (R$ 493.448.590,50), tendo em vista que o prazo de vigência da concessão é de 10 anos, podendo ser prorrogável por mais 10, e a receita anual estimada na operação do sistema de transporte coletivo do município é da ordem de R$ 49.344.859,05.
O edital estipula que a frota operacional deve ter 91 veículos, sendo 59 veículos tipo ônibus básico, 22 veículos do tipo midiônibus (ônibus maior que o micro-ônibus), três veículos tipo miniônibus (adaptados) para atendimento do serviço porta a porta para pessoas com deficiência severa, como o Atende, da capital paulista, por exemplo.
A frota ainda deve ser formada por sete veículos reserva, sendo cinco veículos tipo ônibus básico e dois midiônibus.
A vida útil dos veículos deve respeitar o limite máximo de 10 anos de idade por ônibus.
Já a idade média da frota deverá ser de cinco anos. A empresa vencedora do certame deve investir no sistema de bilhetagem eletrônica, GPS e aplicativo, monitoramento por câmeras e wi-fi.
HISTÓRICO
O último processo licitatório foi realizado em 2004, quando a Athenas Paulista (RMC Administração e Participação SA) venceu o certame. Em 2014, uma liminar impediu a renovação do contrato entre a concessionária e a Prefeitura por mais 10 anos. A empresa ficou cerca de dois anos sem contrato. Em agosto de 2016, um contrato emergencial habilitou a empresa Suzantur (Transportadora Turística Suzano) a operar na cidade, enquanto a administração preparava um edital definitivo. O edital foi publicado em setembro de 2016 e revogado em outubro do mesmo ano por apontamentos do Tribunal de Contas do Estado. Um novo edital foi publicado em novembro, mas também foi suspenso. Em 5 de setembro de 2018 outro edital foi publicado e a abertura dos envelopes de documentação realizada, porém ao final da análise dos documentos nenhum dos licitantes foi habilitado e a licitação foi declarada fracassada. Em 19 de janeiro 2019 foi novamente publicada a Concorrência 08/2016 (essa concorrência teve três publicações, por isso no ultimo fracasso teve que iniciar do zero, novo processo, justificativa, audiências).
Em 15 de setembro de 2020 e em 06 de outubro de 2020 foram realizadas as audiências públicas e, no dia 1º de fevereiro 2022 publicada a concorrência pública Nº 01/2022.
Em 03 de março de 2022 o edital foi suspenso em virtude do questionamento sobre a projeção de passageiros. Em 04 de março de 2022 foi reaberto, após parecer favorável do TCE.
Segundo a prefeitura de São Carlos, em 2019 eram transportados 692.426 passageiros por mês, porém nos três anos anteriores (2016 a 2018) a média de usuários foi de 901.658/mês. Nos anos de 2020 e 2021, devido aos impactos da pandemia da COVID-19, principalmente devido as medidas de restrição de circulação, ocorreu uma queda na média de passageiros/mês transportados de aproximadamente 50% do quantitativo de 2019. Com a redução das medidas restritivas o número de passageiros aumentou, passando em novembro de 2021 para 507.998 passageiros mensalmente.



Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Vai usar os ônibus que retirou de circulação em Ribeirão Pires, pouca vergonha por parte da empresa antes tinham 3 linhas que eram atendidas por um ônibus cada, com a desculpa da pandemia, 1 ônibus passou a atender as mesmas 3 linhas, o intervalo era de 20 minutos de um ônibus para outro, agora, dependendo da linha é de hora em hora, acabaram com os cobradores, o que deixa a viagem mais lenta, já que o motorista tem que dirigir e cobrar passagem. E a prefeitura, faz vistas grossas, e Brasil.