História

Exponi 2022: Evento volta em grande estilo, reúne apaixonados por ônibus e mostra como os transportes são essenciais no desenvolvimento de uma nação

Várias gerações de ônibus foram colocadas lado a lado, mostrando a evolução; mas novamente foram os modelos históricos que roubaram a cena

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

Depois de dois anos, um dos eventos de história dos transportes mais tradicionais do País voltou em sua 10ª edição: a Exponi, realizada na garagem da Auto Viação Redentor, em Curitiba, neste sábado, 14 de maio de 2022.

Foram aproximadamente 140 veículos expostos.

Além de uma diversidade de ônibus, caminhões e veículos de serviço de diversas gerações, a Exponi 2022 veio com um gostinho especial: o de matar a saudade.

Com a pandemia de covid-19 desacelerando graças à vacina, foi possível reunir amigos e apaixonados pelo desenvolvimento da mobilidade.

Várias gerações de ônibus foram colocadas lado a lado, mostrando a evolução; mas novamente foram os modelos históricos que roubaram a cena.

O design e a tecnologia dos ônibus das mais recentes gerações que foram expostos, como o Marcopolo Paradiso G8 e o Caio Apache Vip V, pareciam prestar uma homenagem aos tradicionais Marcopolo II, III, IV e V, Nimbus TR, Flechas, Caio Gabriela, Marcopolo Veneza Expresso (pioneiro nos corredores do tipo BRT no Brasil), Incasel, Diplomatas, os biarticulados pioneiros de Curitiba, entre outros.

Um dos destaques foi um biarticulado Ciferal-Volvo, que marcou o início da era deste tipo de ônibus no Brasil nos anos 1990, já com a primeira cor do sistema de Curitiba para estes veículos: prata. Na edição passada, ainda precisava ser restaurado e estava com a cor vermelha, que não era a original.

Além dos veículos em si que já ajudam a entender como os transportes são essenciais no desenvolvimento de uma nação, as histórias dos apaixonados mostram que os ônibus não são apenas máquinas frias, mas acabam sendo a extensão da vida de cada um, uma espécie de indutor da realização de sonhos e, por que, não? Verdadeiros amigos.

Entre estes apaixonados que ajudaram a fazer a história dos transportes está Jonas Ametista, que levou seu Marcopolo II de 1974.

Marcopolo II restaurado do ano de 1974

Jonas Ametista em seu Marcopolo II restaurado do ano de 1974

Segundo Ametista, o veículo na estrada não fica devendo para os novos. A conservação chama a atenção.

“Adquirimos esse ônibus em 2001 e trabalhamos até 2006 na linha Ametista do Sul a Iraí, no Rio Grande do Sul, foi para o escolar e depois de uns anos voltou para esta linha. Em 2014, restauramos e hoje ele está só para eventos”

Outro proprietário de ônibus que foi exposto é Marcelo Klein, que compareceu ao evento com seu Marcopolo Viaggio da Geração 4 que pertenceu desde sua produção à empresa Reunidas, de Caçador (SC).

Marcelo Klein em frente ao seu Marcopolo

Klein, ao restaurar o veículo com a primeira pintura que recebeu na empresa, também preservou a memória dos transportes da região. Ele colocou a inscrição M.Klein no veículo, deixando claro sua marca nesta paixão.

“A ideia da restauração foi voltar às origens. O ônibus à época da aquisição já estava com a segunda pintura da empresa, com outro prefixo. A ideia foi resgatar a pintura original, o prefixo, mas com uma identidade própria.” – explicou

Um dos destaques, pela novidade em relação à edição anterior da Exponi foi o biarticulado, da empresa Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, modelo Ciferal MegaBus, que marcou o início de ônibus com duas articulações não só em Curitiba, mas no Brasil.

Um dos destaques foi um biarticulado Ciferal-Volvo, que marcou a era deste tipo de ônibus no Brasil nos anos 1990, já com a primeira cor do sistema de Curitiba para estes veículos: prata. Na edição passada, ainda precisava ser restaurado e estava com a cor vermelha, que não era a original.

Eduardo Tows ao volante do biarticulado (para foto, veículo estava desligado)

Responsável pela restauração, Eduardo Tows, conta que o ônibus circulou de 1992 a 2002, e que ficou 15 anos parado.

“Este veículo foi escolhido por ser o 001, considerado o primeiro biarticulado das Américas. O projeto para esta restauração durou cinco anos. A diretoria da empresa aceitou ceder o ônibus para restauração, mas desde que não tivesse custo para a companhia. A maioria destes ônibus foi para o desmanche. Várias peças dos outros ônibus foram usadas para reconstruir este veículo. Todo o processo contou com a ajuda financeira e profissional de diversas empresas e pessoas. Foi um esforço coletivo” – disse ainda ao acrescentar que o biarticulado Brasil completa em 2022, 30 anos. O restauro é também uma forma de homenagear o transporte de maior capacidade no Brasil e um dos cartões-postais de Curitiba.

Como reconhecimento aos esforços para a preservação desta página da memória dos transportes, os nomes das empresas e pessoas que ajudaram estão no vidro traseiro do veículo.

Nomes de empresas e pessoas que contribuíram para a restauração do “primeiro biarticulado das Américas” – aspas pela licença histórica

O evento também foi marcado por campanhas de conscientização e prestação de serviços, como para o combate à dengue e emissão de modalidades do cartão da Urbs, utilizado no sistema de ônibus municipais de Curitiba

Já na tenda do Sest/Senat, as pessoas podem simular escrever em uma folha com espelho, mesmo efeito de dirigir embriagado. A ação faz parte da campanha Maio Amarelo em prol da segurança no trânsito.

A entrada para o evento foi a doação de dois quilos de alimentos, que serão encaminhados a obras assistenciais, o que mostra mais um ano o lado social da Exponi.

O organizador do evento, Oswaldo Born, explicou que esta doação é uma forma de ajudar quem mais precisa, ainda mais neste momento, no qual muita gente ainda sente os efeitos econômicos causados pela pandemia de covid-19.

“Pelo fato de a gente não cobrar o ingresso em dinheiro, acaba sendo uma oportunidade de a gente ajudar e também cada um que visita a Exponi ajudar essa causa social, ainda mais depois deste momento de pandemia, no qual a gente sabe que muitas famílias estão realmente precisando” – explicou

Veja alguns dos ônibus expostos:

Diplomata 380 Scania com a pintura da Expresso Brasileiro

Marcopolo III com pintura histórica da Santo Anjo e as charmosas rodas raiadas

Marcopolo da Geração 4 e uma das pinturas históricas da Salutaris

Marcopolo Veneza Expresso de 1974, um dos símbolos do início do BRT no Brasil

Marcopolo II restaurado do ano de 1974

Caio Gabriela II que marcou o transporte em Curitiba

Interior do Caio Gabriela II

Marcopolo Viaggio da Geração 4

Caio Gabriela I com pintura que marcou história pela Viação Castelo Branco

Marcopolo Torino que marcou época nos transportes municipais em Curitiba

Em eventos de memória dos transportes, os famosos “Flecha Azul” , que ficaram conhecidos pela Viação Cometa, não podem faltar

Articulado Volvo-Busscar, modelo é marcante por ser um dos últimos urbanos de grande porte fabricados pela antiga administração da encarroçadora, a família Nielson

Os ônibus antigos abrilhantaram o evento

Os Nimbus TR da Viação Colombo são marcantes em eventos de história dos transportes

Caio Apache Vip V – Volkswagen da Campo Largo

Adamo Bazani e Willian Moreira, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Leandro Schneider disse:

    Quando vai ter outro evento assim? Fazendo favor

  2. Marcos Aguiar De Oliveira disse:

    Bela matéria e ótimas fotos, sou fã de ônibus antigos. Tenho algumas fotografias de ônibus antigos que meu pai tirou e sempre admirei essas matérias.

  3. Iedo disse:

    Quando vai ter outro encontro ônibus antigo

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