Primeiro ANTP Café presencial acontece em novo prédio da Transdata

Reunindo operadores do setor de transporte de todo o país, além de autoridades do setor, evento teve presenças marcantes nessa quarta-feira (27) em Campinas

ALEXANDRE PELEGI

Aconteceu nessa quarta-feira, 27 de abril de 2022, o primeiro ANTP Café presencial da série.

Criado em dezembro de 2020, todas as versões até então foram realizadas de forma virtual.

Dessa vez, o encontro, além de inovar no formato, coincidiu com a inauguração da nova sede da Transdata, empresa de tecnologia do transporte localizada em Campinas e que apoia o evento desde sua primeira edição.

Os convidados para o ANTP Café participaram desta forma de dois eventos em um: assistiram a um debate sobre como o operador do transporte pode contribuir para a qualidade do serviço, e ainda participaram na sequência de uma confraternização festiva em homenagem ao novo espaço.

ANTP Café

Repetindo o mesmo formato, o ANTP Café, que conta com o patrocínio da Mercedes-Benz do Brasil e Volkswagen Caminhões e Ônibus, teve como convidados o atual presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Francisco Christovam, que representa as companhias de ônibus urbanos e metropolitanos em todo País, e Carlos Batinga, consultor de transporte com atuação em importantes capitais do Nordeste e membro do Conselho da ANTP.

A moderação ficou a cargo do jornalista do Diário do Transporte Alexandre Pelegi, e Cláudio de Senna, vice-presidente da ANTP, foi como sempre o âncora do encontro.

Para Carlos Batinga, é essencial estabelecer um grande projeto nacional focado na gestão da qualidade.  Mas para isso, é necessária a participação das três instâncias do poder executivo – prefeituras, estados e União.

“O país tem 85% de seus cidadãos vivendo nas cidades, é um país urbano. Não faz sentido a União não coordenar um projeto dessa magnitude, não apenas operando como o grande centro articulador de uma política nacional de transporte coletivo, como contribuindo financeiramente para garantir que o sistema possa se sustentar sem a dependência da tarifa paga pelo cidadão”, pontuou Batinga.

Ele citou um exemplo em que a ação da União foi fundamental: o programa Caminho da Escola, onde não só o governo federal definiu um padrão de veículo, como definiu regras para a implantação do sistema em parceira com as prefeituras. “Por que não fazer algo com esse sentido para o transporte coletivo das cidades, com o foco na qualidade?”, questionou.

Para o presidente da NTU, Francisco Christovam, surgiu uma nova realidade para o transporte coletivo nas cidades de dentro dessa crise que se instalou na pandemia.

“Uma nova realidade está surgindo no transporte coletivo dentro dessa crise que se instalou na pandemia. Na verdade, a pandemia veio escancarar um sistema que buscava se sustentar numa equação inviável, de equilibrar custos de operação com a receita oriunda, unicamente, da tarifa paga pelos usuários. Hoje já temos mais de 100 cidades separando a tarifa de remuneração (técnica), que representa o custo real para transportar cada passageiro, e a tarifa de utilização (pública), que efetivamente é cobrada do passageiro e que leva em conta o preceito constitucional de que o transporte coletivo é serviço essencial. Ora, se é essencial, cabe ao Estado prover, e isso implica, necessariamente, garantir recursos do orçamento para que o cidadão tenha acesso a seu trabalho, ao lazer, à saúde e à educação…”, disse Francisco.

O presidente-executivo da NTU concordou com o consultor Carlos Batinga. “Batinga tem razão: é preciso não apenas garantir o aspecto econômico da equação, como também que o serviço tenha qualidade, além de modicidade tarifária”, disse.

Para Claudio de Senna, se o serviço é garantido por verbas do orçamento, como ocorre nas principais cidades do mundo, o que resta é torná-lo atrativo.

Acho que falta emoção e desejo”, disse. “O Metrô de São Paulo, quando foi criado, criou um sistema que levou as pessoas a admirá-lo, e a desejar utilizá-lo, de serem identificadas como seus usuários. O ônibus precisa disso: o veículo tem que ter atrativos que levem as pessoas a querer usar o transporte, e isso vai além de apenas ‘melhorar’. Ele precisa perder essa imagem de um veículo de segunda classe. A engenharia já mostrou que isso não é verdade, mas no imaginário das pessoas ‘andar de ônibus’ ainda é um símbolo negativo, que coloca quem usa em posição menor na escala social.  Engraçado que isso não ocorre em cidades desenvolvidas da Europa. Precisamos abraçar radicalmente tecnologias e soluções inovadoras”_, afirmou Senna.

INAUGURAÇÃO

Além de dezenas de empresários do transporte urbano de cidades de vários Estados brasileiros, clientes da Transdata e convidados especiais da empresa, o evento contou ainda com representantes de entidades do setor público e privado.

Todos se juntaram aos participantes do ANTP Café após a transmissão on-line do programa para uma conversa com o presidente da NTU e os demais participantes.

Luiz Carlos Branco Néspoli, superintendente da ANTP, destacou para os empresários o papel da Associação, e detalhou como a entidade, que este ano completa 45 anos, tem ajudado o setor nas principais lutas diante dos organismos governamentais, como foi recentemente na construção da proposta do novo marco regulatório, e na abertura de canais institucionais em escalões da área técnica do Governo Federal, não apenas para demonstrar a importância do transporte, como mais ainda propor planos e projetos factíveis e de longo prazo.

Estavam presentes ainda, dentre outros, o Secretário Municipal de Transportes de Campinas, Fernando de Caires; Jurandir Fernandes e Eleonora Pazos, respectivamente presidente da UITP América Latina e diretora da regional da UITP.

Pela FRESP, Federação das Empresas de Fretamento do Estado de São Paulo, compareceram Regina Rocha, diretora executiva da entidade, e Milton Zanca, atual presidente.

Luiz Fernando Portella, representando a CNA-Calypso Networks Association também estava presente.

Marcelo Fontana, pela OTM Editores, um dos apoiadores institucionais do ANTP Café, também marcou presença.

Alex Vilaça Maia, representando a Transurc (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas) e Fernanda Caraballo, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios da Mastercard, foram outros que compareceram ao evento.

Veja abaixo algumas fotos do encontro dessa quarta-feira:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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