Após reajuste dos combustíveis, empresas de Natal (RN) ameaçam reduzir frota de ônibus

Caso ocorra uma paralisação das empresas, a estimativa é que diminua cerca de 10 linhas no município. Foto: Divulgação.

Sindicato e Prefeitura estão debatendo alternativas para que o transporte público não seja afetado

CAROLINA MORAIS

Na última sexta-feira, 11 de março de 2022, entrou em vigor o reajuste do gás de cozinha, óleo diesel e gasolina.

Por conta deste aumento, as empresas de transporte público já sofrem as consequências, como é o caso da cidade de Natal (RN), em que as viações ameaçam até mesmo diminuir a quantidade de veículos circulando.

Para que esta questão fosse discutida, a Fetronor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste) se reuniu com o Seturn (Sindicato das Empresas dos Transportes Urbanos) e outros órgãos públicos para debaterem sobre os custos dos combustíveis.

Diversos pontos foram apresentados e, entre as possibilidades, está a probabilidade de um reajuste no valor das tarifas ou um acordo com a prefeitura, de conceder o subsídio parcial ou garantir o diesel para as empresas.

À imprensa local, a Fetronor destacou que se uma solução não for apresentada, há a possibilidade da quantidade de veículos em circulação ser reduzida em toda a cidade de Natal. Esta possibilidade também está sendo analisada pelo Sindicato.

As empresas estão insustentáveis e não sabem como manter o serviço. Então, nós estamos precisando urgentemente de alguma solução. Se eu só posso rodar com 20% da frota, eu vou rodar com isso. Isso em detrimento da qualidade, do passageiro”, afirmou o presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, à imprensa local.

Para solucionar este problema mais rapidamente, o Seturn confirmou que nesta segunda-feira, 14 de março de 2022, solicitou à STTU (Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal) e à Prefeitura uma compensação por estes custos ou um subsídio público.

Segundo o consultor técnico do Seturn, Nilson Queiroga, caso o problema não seja solucionado, podem ocorrer devoluções de veículos. “As empresas não podem esperar por promessas de decisões. A qualquer dia, momento pode haver paralisação”, destacou Queiroga, à imprensa local.

Caso ocorra uma paralisação das empresas, a estimativa é que diminua cerca de 10 linhas no município. Atualmente, 50 linhas estão em operação. Outras 26 foram reduzidas na pandemia da covid-19.

RESPOSTA

Um comunicado do governo do Rio Grande do Norte, divulgado pela imprensa local nesta segunda-feira, 14 de março de 2022, informa que desde o ano de 2020, benefícios estão sendo concedidos para manutenção do transporte e que, houve a isenção de ICMS sobre o óleo diesel para as empresas de transporte metropolitano e um desconto de 80% no óleo diesel do transporte intermunicipal.

É importante ressaltar que os benefícios já concedidos representam uma renúncia fiscal, por parte do estado, que ultrapassa R$ 5,5 milhões por ano”, diz um trecho da nota.

A Secretaria de Mobilidade Urbana destacou que não há possibilidade de reajustar as tarifas e que isso já havia sido debatido com o governo estadual para isenção do ICMS. Já o ISS, segundo a Secretaria, está sendo debatida a possibilidade de isenção.

Por fim, o órgão destacou que não permitirá a devolução dos veículos para as empresas. “A equipe técnica fará a licitação do transporte público, finalizando o edital ainda este mês”, ressaltou.


Carolina Morais em colaboração especial para o Diário do Transporte

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