BBF 2021: Modelos Dinossauro e CMA terão destaque em exposição de ônibus antigos e novos em São Paulo

Serão mais de 20 unidades destes veículos que são considerados ícones na história dos transportes rodoviários brasileiros; Dinossauro foi totalmente restaurado e está com a pintura original; CMA Brasil Club marcará presença e evento tem até um coordenador especializado em Flecha e CMA

ADAMO BAZANI

Até mesmo quem não entende de modelos de ônibus sabe identificar facialmente na estrada os famosos veículos de estilo norte-americano que por décadas operaram pela Viação Cometa: os Dinossauros, depois chamados de CMA Flecha Azul.

Eram os ônibus de cor prata, de lataria frisada, com a parte superior dianteira rebaixada, fabricados em duralumínio (um material mais leve e de maior durabilidade), de janelas em ângulo, que, além do conforto, tinham a fama entre os “leigos” de “voarem baixo” pelas rodovias.

A exemplo dos carros Opala e Fusca, entre outros populares ente os automóveis, estes modelos de ônibus têm até um clube: o CMA Brasil Club.

E em torno de 20 destes ônibus e o pessoal deste clube serão presença confirmada na BBF (BusBrasil Fest) tradicional exposição sobre a evolução do transporte de passageiros por ônibus, que ocorre no próximo domingo, 12 de dezembro de 2021, em frente ao estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller, zona Oeste da capital paulista. O evento é gratuito.

Serão vários destaques.

Um deles é o Dinossauro 1979, ainda Ciferal, que já foi exibido em outras edições, mas agora está completamente restaurado, inclusive com a pintura original da Cometa.

Ao todo serão exibidos 23 veículos, dos quais, Dinossauro, Flecha Azul e CMA-Cometa Estrelão, além de um ônibus atual de dois andares (DD) da Cometa de carroceria Busscar, com o intuito de mostrar as diferentes épocas dos serviços.

Deste total, 18 ônibus são de membros do CMA Brasil Club. Além do próprio DD, a Cometa vai levar o seu famoso CMA da última geração do Flecha, o veículo prefixo 7455, todo espelhado.

Haverá ônibus com pintura originais do Flecha (Cometa) e pintura diferenciadas, entre modelos de diversos colecionadores.

Pela importância histórica dos CMA e Dinossauro, a organização da BBF destacou uma atenção especial para a escolha e ordem de apresentação dos ônibus que serão expostos.

Para isso, foi designado um coordenador exclusivo para cuidar das inscrições para a seleção dos veículos: Wilson Míccoli, que além de fã da Cometa desde criança, é um grande conhecedor da história da companhia ao ponto de montar uma empresa especializada pela qual desenvolve layout para pinturas e procura peças para restauração desse tipo de veículo em especial, mas também de outros modelos antigos.

A procura foi tão grande de colecionadores interessados em apresentar os ônibus, que a organização da BBF teve até de limitar a quantidade destes modelos.

Tudo isso é uma amostra da legião de fãs e apaixonados por todo o Brasil.

Estes veículos foram inspirados no GMPD 4104, chamados no Brasil de Morubixabas, importados em 1954 dos Estados Unidos pela Viação Cometa e conquistaram os passageiros na linha Rio de Janeiro- São Paulo.

Como já nos anos 1960, pelos incentivos à indústria instalada no Brasil, as importações se tornaram impossíveis, o jeito encontrado pela Cometa de manter fiéis os passageiros que se encantaram pelos diferenciais de conforto dos Morubixabas, era desenvolver com parceiros locais um modelo no País mesmo.

Foram várias tentativas até que em 1972, em parceria com a fabricante de carrocerias do Rio de Janeiro, Ciferal, surgiu o primeiro Dinossauro.

A produção seguiu até 1982, quando a Ciferal abriu falência atribuída por parte dos pesquisadores à uma grande compra de trólebus que foi cancelada pela CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), da capital paulista, mesmo com todos os investimentos da fabricante para a linha de montagem já terem sido realizados.

O sucesso do modelo não poderia parar. Então, a Cometa decidiu por a mão na massa e criou a CMA (Companhia Manufatureira Auxiliar) em 16 de março de 1983. A própria empresa de ônibus produzia suas carrocerias,

Surgiram os “Flechas Azuis”, com o mesmo estilo dos Dinossauros, mas com modernizações a cada geração.

1998 foi o ano de fabricação do último Flecha, o VIII, que acompanhava a série 4 de chassis da Scania, com painéis, resfriamento de motor e relação peso potência mais eficiente ainda. A saga fabril dos Flechas termina em 1999.

O fim da evolução se deu por questões administrativas. Em 2000, a CMA lançou um modelo diferente dos Flechas, o CMA Cometa. Ficou conhecido no mercado como Estrelão pela enorme estrela que ostentava na pintura. O veículo seguiu os padrões americanos, com os rebites na lataria dando impressão de robustez, mas sem os frisos laterais e a tradicional “caída” no teto na parte dianteira. Diferentemente dos Flechas, que eram de dois eixos, o Estrelão era tribos, três eixos. É que o mercado brasileiro de rodoviários havia popularizado os modelos de três eixos, e a CMA não poderia ficar para trás.

Em dezembro de 2001, o grupo JCA comprou a Viação Cometa e não se dedicou à fabricação de carrocerias.

Toda esta viagem no tempo poderá ser vista de perto na BBF 2021 neste domingo, 12 de dezembro de 2021.

SERVIÇO:

Evento: BBF (BusBrasil Fest) – 2021

Edição: 15ª edição, 20º ano

Onde: Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, na zona Oeste de São Paulo

Quando: 12 de dezembro de 2021, das 10h às 17h

Custo: Gratuito

Realização: Portal do Ônibus

Apoio: Diário do Transporte

Obrigatório uso de máscara facial de proteção contra a covid-19

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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