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Residual milionário do Cartão BOM: Procon diz que passageiros não podem perder um centavo sequer e que todo o saldo tem de ser transferido para o TOP

Gestão Doria diz que não haverá transferência de saldo entre o atual e o novo cartão dos transportes metropolitanos

ADAMO BAZANI

O Procon de São Paulo voltou a defender que o passageiro do transporte metropolitano não pode perder um centavo sequer no processo de descontinuidade do Cartão BOM e entrada de um novo bilhete, o TOP, a ser usado no Metrô, CPTM e ônibus do sistema EMTU.

O Diário do Transporte mostrou que os cofres do Estado de São Paulo poderão ficar com valores milionários que pertencem aos passageiros por causa dessa troca.

Isso porque, o uso do Cartão BOM pode ser feito até o fim dos créditos, mas em grande parte dos casos vai haver um residual que não poderá ser transferido para o TOP. O Cartão BOM não poderá ser carregado a partir de janeiro de 2022.

Como as tarifas do sistema metropolitano são de valores diferentes, em muitos cartões BOM sobrarão pequenas quantidades (centavos, R$ 1, R$ 2, R$ 3…) que não são suficientes para pagar uma nova passagem e, em janeiro, não poderão ser somadas com outros valores para integrar uma tarifa.

São mais de dois milhões de cartões BOM na ativa e 3,6 milhões registrados de acordo com o portal do bilhete que é controlado pela empresa Autopass, a mesma que controla o TOP, por isso causa a estranheza a não possibilidade de transferência dos créditos alegada pela gestão do governador João Doria.

Somados todos estes cartões com os residuais de pequenos valores, o governo do Estado pode ficar com um valor milionário que já foi pago pelo passageiro e não será usado.

Em nota ao Diário do Transporte, o Procon diz que o correto que a gestão estadual deve fazer é possibilitar a transferência integral de saldo entre um cartão e outro.

Os créditos existentes no cartão BOM terão que ser esgotados, não pode haver cancelamento sem que eles sejam utilizados qualquer que seja o pretexto.

Sendo criado um novo cartão os créditos devem ser passados para o novo cartão ou o cartão anterior deve ser mantido com o usuário até o esgotamento dos créditos existentes.

Na última quarta-feira (24), quando o Diário do Transporte levantou a questão, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo José Galli minimizou o tema e disse que “isso seria visto depois”.

“Isso a gente vai ver lá na frente. Agora vamos deixar as coisas acontecerem, os cartões serem implementados. Este assunto a gente vai discutir quando realmente for um problema. Hoje ele não é” – disse sem dar mais detalhes.

Ouça:

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2111/11/galli-credito.mp3?_=1

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/24/sobras-do-cartao-bom-podem-somar-recursos-milionarios-que-passageiros-vao-perder-com-a-entrada-do-cartao-top/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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